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Cinema, Música

Viajando para Istambul

Aquela não é terra para velhos. Gente
jovem, de braços dados, pássaros nas ramas
— gerações de mortais — cantando alegremente,
salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,
peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente
tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.
Ao som da música sensual, o mundo esquece
as obras do intelecto que nunca envelhece 

William Butler Yeats, “Viajando para Bizâncio” (Tradução de Augusto de Campos)

Num país como o nosso, que insiste em chamar de “turcos” aos descendentes de árabes, soa como piada falar em música turca. Com exceção dos descartáveis de sempre, como Tarkan e o seu insuportável “Melô do Tchiquitchiquibum” (grande sucesso no final da última década, provavelmente por lembrar de longe algum pagode da moda), não temos acesso a uma música que tem séculos de história e grandes artistas no presente. Quem perde, obviamente, somos nós.

Para os que moram em Porto Alegre, uma boa maneira de conhecer o que é, de fato, música turca – e também o que é, de fato, a Turquia como país e como cultura –  é assistir ao documentário “Atravessando a Ponte”, dirigido por Fatih Akin e apresentando pelo alemão Alexander Hacke, em cartaz na Casa de Cultura Mário Quintana. Baixista da grupo de rock industrial Einstürzende Neubauten, Hacke atravessa a Europa e chega até a cidade de Istambul, marco divisório entre Ocidente e Oriente, para conhecer de perto a riqueza musical de um país indeciso entre ser europeu e moderno ou asiático e tradicional. Nas ruas estreitas que contam milênios de presença árabe, grega, romana, celta e germânica, Hacke encontra de tudo: rappers politizados, músicos de rua curdos, hardcore, rock psicodélico, danças típicas – e, no meio disto tudo, alguns grandes artistas.

A primeira delas é a cantora Sezen Aksu. Espécie de patrimônio nacional, adorada desde o mais tradicional tocador de alaúde até o rapper mais radical, já vendeu mais de 40 milhões de discos em todo o mundo e é conhecida como a “Rainha da Música Turca”. Aqui vai a canção “İstanbul Hatırası”, que ela interpreta no filme:

http://www.youtube.com/watch?v=owamN28fn9U

Também merece citação Brenna MacCrimmon, cujo nome chama a atenção ao leitor desavisado. Sim, ele é escocês – canadense de origem escocesa, mais precisamente – e Brenda não tem ancestrais turcos. Mesmo assim, apaixonou-se pela música turca ainda muito jovem, aprendeu o idioma e hoje é reconhecida internacionalmente como uma expoente da música folk daquele país.

http://www.youtube.com/watch?v=xMNNmuiEu9A

Ah, e para quem acha que o rock´n roll ainda não aportou às margens do estreito de Bósforo aí vai um clipe da banda Duman, remanescente da onda grunge dos anos 90:

http://www.youtube.com/watch?v=V47nffPavWI

Esse talvez seja o único ponto fraco da música de lá. O rock turco, talvez por ser ainda incipiente, é mera cópia dos modelos ocidentais. As outras bandas que aparecem no filme não são muito melhores do que estas, e até mesmo o decano do rock turco, Erkin Koray  – presente neste vídeo:

 http://www.youtube.com/watch?v=XhfCGP_51i0&mode=related&search= –

não foge muito ao esquema. O melhor é ficar nos outros artistas da música popular turca.

No mais, é um belo filme, com locações em várias partes de Istambul e cidades próximas, muitas entrevistas e algumas reflexões interessantes sobre a relação cultural Ocidente-Oriente.

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Discussão

Um comentário sobre “Viajando para Istambul

  1. Pôxa, chamar o Tarkan de descartável e aproximá-lo do pagode é bem coisa de quem não conhece música turca. Ele não cantou só o tal melô do “tchiquibum tchiquibum”, aliás essa alusão foi infeliz, pois quem compôs esta música, na verdade chamada Hepsi Senin Mi, foi o “patrimônio cultural” Sezen Aksu… Tarkan, sim, como cantor pop sempre é criticado na Turquia assim como os “puristas” do Brasil criticam o pop brasileiro… é sempre assim. Vão se informar mais sobre música turca, não só por meio de um único documentário que, por sinal, nisso concordo, foi muito bem feito.

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    Publicado por Leticia | 22 de março de 2008, 00:18

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