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A verdade nua e crua sobre a pirataria no Brasil

A pirataria no Brasil se baseia nos três pilares abaixo:

Preço + Facilidade + Apenas o interesse de consumir

Explicando cada um:

1 – Preço:

O povo consome produtos piratas porque seus preços são inferiores aos dos produtos oficiais. Além disso, no Brasil, os produtos piratas não são só mais baratos, são infinitamente mais acessíveis. Não adianta espernear, produto oficial mais acessível só se nossos ilustres governantes baixarem a carga inadmissível de impostos que pagamos e, para isso, vão ter que diminuir a roubalheira. É cruel, é desumano, é um roubo o cidadão comprar um DVD original de filme por 30 reais e pagar, só de imposto, quase 14 reais (45% do preço).

2 – Facilidade:

Só há dois modos de comprar um jogo oficial hoje no Brasil: 1 – Procurar um importador e pagar um preço muito superior ao cobrado no país de origem do produto; 2 – Fazer um cadastro no Ebay, pedir um cartão de crédito internacional (anuidade mais cara do que o cartão nacional), aprender inglês para se comunicar com os vendedores, pagar um valor alto de frete, torcer para não ser taxado em 60% pela Alfândega brasileira e, como se tudo isso já não bastasse, receber o produto duas a três semanas depois. Bom, pelo menos, se não houver taxação da Alfândega, o herói que enfrentar essa batalha hercúlea terá a satisfação de pagar o preço real do produto em sua origem.

Na banquinha de camelô que vende jogo pirata, basta chegar lá e comprar o jogo. Não precisa fazer cadastro, não precisa ter cartão internacional, nem nacional, não precisa falar inglês, não paga frete, não é taxado pela Alfândega, leva o jogo para casa na hora sem precisar esperar e, ainda por cima, paga-se MUITO menos do que o original.

3 – Apenas o interesse de consumir

Com exceção da capa e do manual, o jogo pirata, visto, ouvido e jogado, é idêntico ao jogo original. Jogo de videogame no Brasil é igual a um cachorro-quente ou um hambúrguer. O jogador brasileiro apenas consome o produto, não costuma reter os jogos, não coleciona, sequer sente prazer em ter uma coisa bonita e original em sua estante. Saiu um console novo e mais poderoso, vende-se o antigo por qualquer dinheiro junto com uma centena de tranqueiras piratas que custaram uma ninharia. Muitos proprietários de Xbox 360 nem mais sem importam de ficarem impossibilitados de acessar à rede multiplayer da Microsoft, o importante é apenas consumir o jogo. É dessa maneira rasteira e cretina que o jogador brasileiro atua. Jogou, saturou, vai para o limbo.

Essa é a verdade nua e crua da pirataria no Brasil, doa a quem doer.

Enquanto isso, alguns poucos heróis brasileiros resistem bravamente à moda brasileira do consumismo sem responsabilidade. Eles compram os produtos oficiais e rejeitam os similares pirateados, nem que para isso sejam obrigados a jogarem apenas um jogo novo por mês. Esses bravos companheiros merecem nosso carinho e nossa atenção, afinal de contas são eles que ajudam a impulsionar as molas da indústria do videogame. Já os consumidores de alternativos só gastam seu dinheiro com a indústria do entretenimento eletrônico uma vez a cada mudança de geração de consoles.

Discussão

4 comentários sobre “A verdade nua e crua sobre a pirataria no Brasil

  1. Se custassem 50 reais, só compraria originais

    Ruim é pagar 150~200 em um jogo…

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    Publicado por felipe magalhães | 30 de dezembro de 2007, 12:44
  2. eu não compro cds jogos e etc pirata so original mas realmente compensa mais o pirata que é mais barato!!

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    Publicado por julia | 12 de maio de 2010, 20:29
  3. Pequena pergunta? Se não comprar original, onde as empresas poderão conseguir dinheiro para novos jogos?

    Ou será que ninguém percebeu que cada vez se compra mais pirata e os jogos ficam mais caros?

    E o jogo da famosa plataforma PS3, já existe pirata? Mas pelo visto o valor dos jogos já reduziu em mais de 50% desde seu lançamento…

    Portanto, a pirataria ganhou força pela agilidade, não quer esperar, o que a ansiedade não faz.

    Dos alvos da pirataria, só os músicos tem outra fonte de renda (shows), o resto é da venda de seus produtos (filmes e jogos), ta bom, 3% conseguem viver de contratos comerciais, mas e o resto…

    Vamos apoiar a pirataria e acabar sem filmes e jogos de qualidade (vamos jogar no click jogos), produções independentes serão nossas únicas opções (talvéz), pois nem eles teriam retorno algum, e provavelmente não seriam mais distribuídos.

    Pirataria só compensa para quem só pensa em si mesmo e não pensa nas conseqüência de seus atos.

    Resumindo, aceitar pirataria é aceitar ser ignorante e irresponsável.

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    Publicado por Ricardo Lellis | 21 de maio de 2012, 18:29

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