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Cinema

100 anos de Bette Davis

Hoje é dia de homenagear uma das maiores atrizes do século passado. Nascida no dia 5 de abril de 1908 em Lowell, Massachutess, Ruth Elizabeth Davis foi criada por sua mãe, tendo em vista que seu pai abandonou a família quando tinha apenas 10 anos.

Em 1926, após assistir a peça “The Wild Duck”, decidiu definitvamente pela carreira de atriz. Mais precisamente, que “precisava” ser atriz. Disse Bette, a respeito da peça, anos depois:

“Antes da peça começar, eu queria ser atriz. Ao final, eu tinha que ser uma atriz… exatamente como Peg Entwistle”.

Não foi fácil a caminhada de Bette até o estrelato. Ao tentar entrar para a famosa escola de teatro de Eva LeGalliene foi recusada pela própria. Segundo as palavras equivocadas de Eva, Bette Davis era uma meninca frívola, sem intenções sinceras com o teatro. Mais tarde foi aceita na escola de teatro de John Murray.

Após o término de seus estudos Bette foi aceita na companhia de teatro de George Cukor, onde atuou em alguns papéis, sendo demitida pouco tempo depois. Antes de chegar a Hollywood, ainda teve a oportunidade de estrelar a peça que a estimulou a ser atriz, “The Wild Duck”, e estreou na Brodway em 1929, na peça “Broken Dishes”. E então começou sua caminhada rumo ao sucesso.

Um caçador de talentos, impressionado com a atuação de Bette Davis, a convidou para um teste em Hollywood. Em 1930 Bette chegava a Hollywood. Os executivos da Universal, apesar de não terem se impressionado com a jovem atriz, assinaram com ela um contrato de curto prazo. Em 1931 Bette fez sua estréia no cinema, ao lado de Humprey Bogart, no filme “The Bad Sister”. Vale ressaltar que nenhum dos dois era famoso na época.

Após quase um ano sem emplacar nenhum sucesso a Universal decidiu não renovar o contrato com Bette Davis. Desapontada, a atriz estava decidida a abandonar Hollywood e se dedicar somente ao teatro. O responsável por impedir que Bette desistisse foi George Arliss, um antigo professor de interpretação. Arliss convenceu a Warner Bros a contratá-la para um filme que estava produzindo, “The man who played God”. Graças a ele o cinema não foi privado do talento de Bette Davis.

Assim, em 1932, Bette assinou um contrato de cinco anos com a Warner. 1932 também foi o ano de seu primeiro casamento. Porém, a sucessão de filmes pouco expressivos incomodava tanto o estúdio quanto a atriz. Em 1934 Bette acabou convencendo os executivos da Warner a emprestá-la para RKO Pictures, onde ela participou do filme Escravos do Desejo, estrelado por Leslie Howard (o Ashley Wilkes de “…E o vento levou). O filme foi sucesso de público e crítica. A interpretação de Bette foi aclamada, tendo sido considerada pela revista Life como, provavelmente, a melhor interpretação de uma atriz americana registrada em filme. Todavia, não foi suficiente para que a Academia a indicasse ao Oscar, o que motivou manifestações, lideradas por Norma Shearer, para que Bette fosse nomeada. A Academia acabou cedendo à pressão, permitindo que nomes que não estivessem entre os nomeados também pudessem receber votos. Mesmo não tendo vencido (a vencedora acabou sendo Claudette Colbert) causou polêmica, algo que se tornaria corriqueiro no decorrer de sua carreira.

Começava ali a trajetória de sucesso de Bette Davis. No ano seguinte recebeu seu primeiro Oscar, devidamente indicada, pelo papel principal do filme Perigosa. Em 1936 estrelou A floresta petrificada, outro filme de sucesso, ao lado de Leslie Howard e Humphrey Bogart.

Porém, o sucesso e respeito perante a crítica não foram suficientes para que Bette se mantivesse afastada de produções medíocres. Insatisfeita, em 1937 abandonou a Warner para estrelar alguns filmes na Inglaterra. Após intensa batalha judicial ficou decidido que Davis deveria honrar seus compromissos com a Warner.

Provavelmente, o abandono de Bette serviu para abrir os olhos da Warner que, a partir de então, colocou-a apenas em produções de bom nível. Em 1938 recebeu seu segundo Oscar pelo papel principal de Jezebel. A partir de então a atriz emplacou um sucesso atrás do outro. Passou a figurar na lista das atrizes mais bem pagas de Hollywood e por cinco anos consecutivos foi indicada ao oscar de melhor atriz, recorde que persiste até hoje. O sucesso era gigantesco. Neste mesmo Bette se separou de seu primeiro marido.

No adentrar da década de Bette Davis era a atriz mais rentável da Warner Bros. A Carta, de 1940, foi considerado o melhor filme do ano e lhe rendeu outra indicação ao Oscar. Em 1941 casou-se novamente e em 1942 se tornou a primeira mulher a presidir a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (presidência que viria durar apenas dois meses devido às propostas radicais da atriz) . Naquele mesmo ano foi indicada novamente ao Oscar pelo filme Pérfida, sua última parceria com o diretor William Wyler.

Após o início da guerra, Bette começou a se dedicar por causas de auxílio aos combatentes. Fez de tudo: vendeu bônus de guerra, apoiou John Garfield na abertura de um clube chamado “Hollywood Canteen”, que tinha como objetivo oferecer alimentos e entreter os combatentes. Bette se dizia orgulhosa por ter feito parte do projeto.

Em 1944 participou de Vaidosa e, curiosamente, durante as filmagens deste filme foi extremamente criticada por seu excesso de egocentrismo. Ainda assim foi indicada novamente ao Oscar.

Sua carreira continuou estável durante a década de 40. Ao final da década teve alguns filmes mal recebidos pela crítica, o que dava a impressão de que sua trajetória estava em declínio.

Porém, em 1950 recebeu o script de A Malvada. Foi amor à primeira vista. Descrito pela atriz como o melhor script que já tinha lido em toda sua carreira, tratava-se de uma história comum em Hollywood, baseada em traição de falsidade. Durante esta produção Bette conheceu Gary Merrill, que viria a ser seu marido.

Após o sucesso estrondoso de A Malvada a carreira de Bette Davis começou a entrar em declínio. Seu casamento com Garry Merril acabou no final da década. Em 1962 fez o filme que lhe rendeu a última indicação ao Oscar, “O que terá acontecido com Baby Jane?”, ao lado de sua desafeta Joan Crawford. A interpretação de ambas atrizes impressionou os críticos. Em 1964 o diretor Robert Aldrich pensou em reunir novamente as duas atrizes no filme “Com a maldde na Alma”, mas Crawford recusou-se, alegando estar doente. Sendo assim, Olivia de Havilland foi convidada para o papel.

No decorrer década apareceu em filmes sem muita expressão. Em 1977 tornou-se a primeira mulher a receber prêmio do Instituto de Cinema Norte-Americano, pelo conjunto de sua obra. O prêmio acabaria por lhe render diversas propostas de trabalho. Em 1979 venceu o Emmy por sua atuação no filme para Tv Strangers: The Story of a Mother and Daughter. Viria a ser indicada ao Emmy novamente em 1980.

Na década de 80 a artiz foi homenageada na música de Kim Carnes, Bette Davis Eyes. Seguiu trabalhando até o final de sua vida. Seu último filme data de 1989, ano de sua morte. Nunca se aposentou, cumprindo a promessa que havia feito anos antes:

I will not retire while I’ve still got my legs and my make-up box.

Bette Davis foi uma mulher de personalidade forte, cujas atitudes deixavam transparecer o que realmente pensava. Apesar de ter feito parte do rol de astros de Hollywood, nunca deixou de falar o que achava daquele mundo. É considerada uma das primeiras grandes divas do cinema. Egocentrismo para alguns, excesso de confiança para outros, o fato é que o “estilo Bette Davis de ser” até hoje cativa e atrai admiradores.

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Sobre Yassmine Uequed Pitol

Yassmine Uequed Pitol nasceu em Porto Alegre em 30 de maio de 1984. Graduada em Direito em 2011 pela Uniritter. Pós graduada em Direito do Consumidor pela Ufrgs (2014). Cursou Artes Visuais na Ufrgs.Atualmente cursa Pós Graduação em Direito Processual Civil na Uniritter e mestrado em Direito no Unilasalle. Yassmine gosta de jogar futebol e de correr. Pintora e desenhista, acompanha futebol, filmes, seriados, música e tênis. No Perspectiva Onlina, escreve sobre tudo isso e muito mais.

Discussão

Um comentário sobre “100 anos de Bette Davis

  1. Bette Davis sempre será admirada por esta e outras gerações que virão,não foi uma mulher bonita ou atraente,mas como atriz ,ninguém era páreo para ela.Na velhice,também lutou e teve desempenhos memoráveis,entre eles:O Que Terá Acontecido á Baby Jane,com sua eterna rival,Joan Crawford,outra excelente atriz.Miss Davis é eterna, e ninguém resiste a seus olhos,como a canção do grupo Kim Carnes.

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    Publicado por Jaerte Antonio Jr | 1 de abril de 2009, 15:57

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