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Geral, Política, Reportagem

O Plano de Metas e o Capital Estrangeiro

Resenha de livro .

 

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O Governo de Vargas, o Nacional-Desenvolvimentismo e a Industrialização

Após a morte de Getúlio Vargas, o país dividiu-se em duas idéias para seu futuro: continuar com o plano Nacional-Desenvolvimentista ou abrir o mercado para o capital estrangeiro. Eleito para a presidência da Nação, Juscelino Kubitschek assumiu em um cenário de quase golpe de Estado, e só foi garantida a sua posse pelo apoio das Forças Armadas à legalidade.

Os objetivos de Juscelino foram logo conhecidos quando lançou o seu Plano de Metas, um estudo feito para identificar quais eram as principais necessidades do país. Neste Plano, o principal foco ficou no investimento estatal em infra-estrutura em energia elétrica e transportes (neste momento o país praticamente abandona o setor ferroviário, passando a privilegiar o sistema de rodovias); no estímulo para a produção de alimentos; no impulso para o setor de produção de bens de capital e intermediários (para o setor industrial) e na introdução da produção de bens de consumo duráveis.

Da divisão de idéias entre o Nacional-Desenvolvimento e a abertura ao capital estrangeiro, Juscelino escolheu os dois: manteve a força do Estado (como podemos constatar na forma como negociou com o FMI, nos projetos de criação da SUDENE, no sonho de urbanizar o centro-oeste nacional e no aumento do papel do Estado na economia e na criação da Lei Tarifária, uma forma de proteger a indústria nacional) e abriu as portas do país para o investimento de fora (triplicou a entrada de dinheiro estrangeiro em relação ao período anterior).

A abertura do país ao investimento internacional propiciou uma combustão no setor industrial. Como o Brasil era o país de maior desenvolvimento na América Latina, tornou-se um ponto estratégico para a implantação de empresas (já que era mais fácil e prático em virtude da Instrução 113 que favorecia a chegada de forasteiros, e também pelo fato de que já existia uma infra-estrutura montada pelo governo de Getúlio Vargas), que aqui conseguiam um nível de lucro superior a qualquer outro país vizinho. A chegada maciça das indústria de fora acabou por modificar o perfil da produção nacional: começou a ocorrer o aumento na produção de bens de luxo e uma leve redução de importância na produção de bens populares. O setor industrial passou a crescer de forma a que as indústrias passaram a “sofrer” a incorporação de uma economia de escala.

A produtividade industrial (e aí entra a questão da economia de escala) cresceu abruptamente. Mas não levou consigo uma elevação na renda dos trabalhadores: enquanto a produtividade aumentou em 73% o salário médio cresceu 12%. Isso elevou (e muito) o lucro das empresas permitindo a expansão de suas plantas industriais. Esta expansão exigiu novos setores administrativos muito bem remunerados para que houvesse o correto funcionamento e trabalho dos empregados de salário médio real estagnado. E em contra-partida a essa estagnação dos salários do operariado, houve um avanço significativo no aumento da remuneração destes que recebiam um salário mais elevado. Ou seja, muito dinheiro na mão de poucos e pouco dinheiro com a massa. Começava o grave problema da concentração de renda no país, que já na época era superior a de qualquer um dos países latino-americanos.

A concentração de renda foi fruto – ironicamente – do trabalho árduo dos operários que levaram as empresas a operar aqui. A necessidade destas de uma alta taxa de lucro para compensar os investimentos em logística, expansão dos negócios e remessa para o país de origem. Assim sendo, houve uma pressão destas empresas para o não aumento do salário médio real, possibilitando a elas cumprirem suas metas com folga. Esta manobra conseguiu impor-se sem desrespeitar as leis trabalhistas pois não houve poder de compra do salário no período – o que não representa que houve aumento real.

Foi nesta onda que cresceu o consumo de bens de luxo, citado anteriormente. A expansão do poderio de compra dos trabalhadores favorecidos pela concentração de renda levou a um crescimento acelerado do setor de produtos suntuosos – ainda que fosse na maior parte dos casos produtos trazidos de fora já obsoletos no mercado externo -, causando uma queda no setor de bens de consumo popular. Ou seja, o avanço de um setor (com as condições já explicadas) acabava por determinar a queda de outro.

A produção em crescimento extraordinário da indústria era responsabilidade, por grande parte, do capital estrangeiro. Como estas empresas já estavam consolidadas com equipamentos próprios (ou trazidos diretamente de suas matrizes no exterior) não houve um acompanhamento do crescimento da indústria de produção de base brasileira. Era mais favorável a elas trazer de seu país de origem, o que levou a uma estagnação no chamado setor I da economia brasileira. A forma que o governo encontrou para alavancar o crescimento foi o desenvolvimento e criação de empresas públicas que não necessitavam de altas taxas de lucro.

Esta concentração de renda é um resultado tradicional de economias crescentes capitalistas. Só que a forma como ocorreu no Brasil foi muito superior aos outros exemplos de países. O aumento no volume de dinheiro concentrado na mão de poucas empresas foi se constituindo aos poucos em um oligopolização, que resultou em um controle maior destes nos rumos da economia. Não coincidentemente os ramos que geraram maior concentração foram os que sofreram maior influência de investimento estrangeiro, correspondendo a uma concentração extremamente relacionada a abertura do mercado nacional ao capital de fora.

Mesmo que a concentração tenha sido maior do que se espera, o governo de Juscelino Kubitschek conseguiu um crescimento econômico no país gigantesco. Puxado pelo crescimento da indústria, chegou a crescer quase 11% em um ano que a indústria cresceu quase 17%. A média de crescimento do PIB pós o programa econômico foi de 9,3% entre 1957 até 1961.

Porém, com o crescimento econômico também teve um crescimento alto da inflação, que estava razoavelmente controlada até então. O problema decorreu da pouca oferta em relação a demanda; esta estava nos padrões esperados. A oferta não conseguiu acompanhar o crescimento especialmente porque o país dependia de produtos externamente em virtude da estrutura obsoleta agrícola, fazendo com que um grande volume de dinheiro saísse do Brasil de forma desnecessária, já que poderíamos nos abastecer conforme nossa necessidade. A estagnação dos produtos de bens de consumo populares não crescia conforme a necessidade (tanto na questão agrícola quanto na industrial). Como conseqüência houveram manifestações pesadas dos trabalhadores que se sentiam lesados com a questão inflacionária (até porque já havia a tese de que uma queda no poder de compra do salário real seria favorável para tratar a inflação). Os gastos do governo também foram citados como responsáveis pela alta escalada inflacionária, mas o fato é que a produção de oferta estava aquém das necessidades da demanda.

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Discussão

2 comentários sobre “O Plano de Metas e o Capital Estrangeiro

  1. uhul amo new perspectiveee s2222

    Curtir

    Publicado por aline | 28 de setembro de 2010, 11:42

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  1. Pingback: O governo de Getúlio Vargas, o Nacional-Desenvolvimentismo e a Industrialização « PERSPECTIVA - 25 de agosto de 2008

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