Ecologia

Cláudio Batista de Souza dá exemplo de aversão à natureza

Hoje pela manhã estava comendo um pão de queijo lendo Zero Hora. A reportagem sobre as seqüelas do ciclone que passou pelo Estado no mês passado me interessou, até que li a seguinte frase, proferida pelo aposentado Cláudio Batista de Souza, sobre as quedas de árvores cinqüentenárias nas ruas de Porto Alegre:

“— Tenho de manter a lona no telhado, pois chove dentro de casa. Vou acionar a prefeitura na Justiça, porque fazia anos que a gente vinha pedindo a poda e acabou acontecendo isso.”

O aposentado mora em uma das ruas de Porto Alegre que carregam o gentil apelido de “Túnel Verde” em alusão às belíssimas árvores que decoram a rua, deixando-a agradável, despoluída e com um clima ameno até nos dias mais quentes do verão. O seu pedido de poda foi, logicamente, negado pela prefeitura de Porto Alegre, que como já referimos aqui, preocupa-se imensamente com a questão ambiental. Cláudio esquece que as árvores da cidade, além de um marco de referência nacional (Porto Alegre é conhecida como a capital brasileira mais arborizada) representam paz e aconchego não só aos moradores e visitantes da zona, mas a todo o ecossistema em volta, favorecendo os pássaros e a despoluição.

Vale lembrar também que é muito provável que Cláudio tenha escolhido morar ali pela beleza estética do lugar – que é favorecido, vejam só, pelas árvores que gostaria de ceifar. Mas hoje, devido a evento fortuito-o ciclone-  é contra a arborização da rua. Esquece-se ele de que postes também poderiam cair sobre as casas, ou qualquer outro tipo de material usado nas vias públicas. Vamos então cortar os postes ou qualquer outra coisa que esteja na vertical a mais de um metro do solo. Transformemos as ruas de Porto Alegre em um imenso deserto, tal qual aquelas ruas mexicanas de filmes dos anos 70, onde não existem árvores e as ruas são dominadas por placas publicitárias. Como a Avenida Azenha, um lugar medonho em que já existem projetos de alteração.

O aposentado, se conhecedor da trilogia de livros e filmes “O Senhor dos Anéis”, certamente se posiciona a favor de Saruman. E também deve gostar da prefeitura de Canoas. Aliás uma grande sugestão a Cláudio: se não gosta de árvores, mude-se para Canoas! Aqui o asfalto impera, as árvores são cortadas sem pudor e o meio ambiente se destrói. Venha, Cláudio, venha para Canoas.

Rua Machado de Assis, em Porto Alegre. Foto de Genaro Joner

Sobre o mesmo tema:

Cláudio Batista de Souza- resposta

Discussão

3 comentários sobre “Cláudio Batista de Souza dá exemplo de aversão à natureza

  1. Muito prazer senhor escritor, tenho idade suficiente para aconselhar e dar bom exemplo. Fruto do acaso somente agora constatei o comentario. Felizmente não me enquadrei na critica, posto que, sou amante da natureza. Posso relatar que agradeço a cada dia quando desperto para o mundo, meu primeiro encontro é com o canto dos sabiás, moradores das árvores da Rua Machado de Assis, fui um dos apologistas pelo não corte de todas as árvores, como alguns moradores queriam. Sugerí até, que a Prefeitura poderia plantar árvores com maior resistência. Os cortes ocorridos se fizeram face a necessidade muitas árvores ficaram tombadas sobre as casas, infelizmente o que ocorreu no prédio onde resido.Não sei se o escritor autor do artigo tem conhecimento que tais espécies chaman-se Tipuanas(Argentinas), a que tombou no frontal de minha residência pesava segundo informação do motorista da máquina de tração, aproximadamente 10 toneladas. Se minha habitação não fosse muito antiga, com paredes de 40 eu e minha família talvez não tivessemos resistido o impacto. No entanto continuo adorando as arvores, os pássaros que nelas habitam, meus vizinhos despertadores, poetas da natureza que um grande geometra do universo criou. Saiba que aqui na
    Machado de Assis, as aves migratórias ainda gorgeiam,concedendo graciosamente espetáculo como não conhecia. No canteiro frente a minha casa plantei uma ávore de grande resistência, nativa do RGS, a qual cuido a mais de trinta anos, acredito até que a especie pela sua fortaleza, face as raizes profundas, deve ter ajudado a Tipuana não tombar com o vendaval. Tais palavras aqui emitidas, tiveram a intenção de mostrar com sinceridade gaúcha a verdade dos fatos. Continuarei sempre amando a natureza e a criação, legitima razão do nosso existir. Claudio Batista de Souza

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    Publicado por claudio batista de souza | 28 de agosto de 2009, 01:42
  2. Publicamos o comentário do sr. Claúdio e ficamos satisfeitos em conhecer seu posicionamento.

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    Publicado por Blog Perspectiva | 28 de agosto de 2009, 02:53
  3. E.T. Ao escritor, quero esclarecer que a arvore que plantei junto a Tipuana em frente a minha residência trata-se de uma Guajuvira, plantada faz trinta anos, adorada por mim e pelos pássaros que ali constroem seus ninhos, nos quais tenho assistido o nascimento de diversos pássatos. Tenho especial apreço a referida árvore, posto que, foi-me ofertada pelo inesquecível médico Dr.Milton José Noll Casagrande, que fazia mudas das sementes de uma espécie que possuia na sua residência no Bairro Azenha.
    Cáudio-Machado de Assis-Porto Alegre
    Realmente o verão de 2008-2009 trouxe grande calor pela falta das nossa saudosas Tipuana (Argentinas)

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    Publicado por Cáudio-Machado de Assis-Porto Alegre | 30 de agosto de 2009, 02:46

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