Esportes, Histórias do esporte

Aniversário do Grêmio – Eu e o Tricolor

Minha história de amor com o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense começou há aproximadamente cinqüenta anos. Não guardo na memória razão objetiva que tenha feito a menina que eu era ter se apaixonado pelo inimigo mortal do time cultuado pelos meus irmãos mais velhos. Ser a única gremista em uma família com quatro colorados e um “neutro” não tem explicação racional. E , pelo que lembro , a maior parte dos pais daquela época não tinha time, ao menos no mundo onde fui criada. Acredito que pelo fato de terem nascido pouco depois da criação dos clubes ainda não havia aquela identidade que a geração posterior criou. O fato é que não tive estímulos externos para ser gremista. Mas eu fui e sou a única gremista naquela família. Gremista que nunca foi ao Olímpico em criança e adolescente, apenas sonhava com isso. Gremista que passava os domingos ouvindo Pedro Carneiro Pereira (que, acho, era gremista também) narrar os jogos pelo rádio. Gremista que fazia promessas a São Brito pela ajudinha em jogos difíceis. Gremista que tinha de suportar os irmãos colorados secando o Grêmio. A gremista que nunca entrou no Olímpico antes dos vinte e poucos anos freqüentava a Social do Beira-Rio levada pelo colorado irmão mais velho. Estamos falando de tempos em que uma menina de 15 anos nunca iria sozinha a um estádio. E foi em um Gre-Nal no mesmo Beira- Rio que protagonizou uma cena que encerrou todos os próximos convites para o passeio dominical. Em 1971 jogavam Inter e Grêmio. A gremista adolescente acompanhou o irmão colorado na torcida do Inter, com direito a casacão vermelho para despistar – queria sair de casa e ainda mais com a chance de ver o Grêmio. Durante a partida, com o Beira- Rio lotado, o tricolor marcou um gol. Ouviu-se uma única voz vibrando na Social: a minha. Viu-se apenas uma pessoa levantando com as mãos para cima: eu.

As reações foram imediatas: ” tem gremista aqui” dizia um senhor alto e forte atrás de nós.’Vamos jogar no fosso” dizia outro. Mas, justiça seja feita aos colorados da época: ficaram apenas nas ameaças e a palavra que consideravam mais ofensiva para ser a  mim dirigida foi precisamente chamar-me de gremista. Logicamente, a gremista adolescente recolheu-se. Não lembro como terminou o jogo, mas saí de lá incólume para nunca mais voltar. Aliás, minto: voltei para assistir Grêmio x S. Paulo, milhares de anos depois (1993).

O passar dos anos não diminuiu meu amor e a gremista que colecionava fotos da Folha da Tarde em que Alberto, Airton, Ortunho e seus companheiros protagonizavam batalhas do Imortal Tricolor continua hoje a fazer a mesma coisa em relação aos feitos de Tcheco, Pereira e seus companheiros. Hoje tenho orgulho em poder proclamar que meu amor ao Grêmio é compartilhado por quatro jovens companheiros, dos quais, parafraseando Mercedes Sosa, eu afirmo serem tricolores e sócios com a graça de Deus, a ponto de um deles afirmar que nunca deixará o Rio Grande do Sul porque não consegue imaginar-se em um lugar sem que haja possibilidade de assistir jogos do Grêmio. Os mesmos companheiros que nos compeliram a custear quatro títulos de sócio estudante com o fundamento de que o Grêmio precisava de todos naquele 2005. Realmente precisava e agradeço por termos tido a oportunidade de seguir o ritmo dos bumbos da maravilhosa Geral do Grêmio, a “Banda de Paulão” cantando ” Voltaremos”. E, todos juntos , voltamos com muita força para após o primeiro ano de série A sermos vice da Libertadores.

Enfim, nosso tricolor está aniversariando e nosso presente é este post de escancarado amor, sem pejo e sem reservas. Espero que daqui a alguns anos alguém diga, pensando em mim o que ouvi um menino do interior do Rio Grande falar na televisão o ano passado, ao lado da avó vestida com as cores do Grêmio : “Eu sou como a minha vó, EU AMO O GRÊMIO!”

Algumas das camisas adquiridas ao longo dos anos:

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Lenço distribuído pela RBS na entrada do Olimpico, na final da Libertadores de 1995:

O hábito de guardar jornais com matéria do Grêmio se transmite por gerações:

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Discussão

7 comentários sobre “Aniversário do Grêmio – Eu e o Tricolor

  1. muito emocionante teu texto, é de arrepiar. parabéns Grêmio TE AMO.

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    Publicado por Filipe | 15 de setembro de 2008, 20:14
  2. arrepiante

    ainda mais pq me identifiquei com o texto… tenho o hábito de guardar jornais que falam de grandes partidas do Grêmio e, lógico, tenho as minhas camisas tricolores, brancas e celestes.. não chegam a ser uma coleção, mas já são 9…

    parabens Grêmio, pelos 105 anos de glória, por ser, há 105 anos, o maior clube do sul do brasil!

    e parabens a ti, pelo texto emocionante

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    Publicado por Bruno | 15 de setembro de 2008, 21:39
  3. Gremio talvez nao o melhor do Brasil mas sim o time que tem mais raça mais fe mais força e nunca desiste nada pode ser maior por isso ele è imortal

    Parabens GREMIO pelos 105 anos

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    Publicado por Adriele Burnier | 16 de setembro de 2008, 00:58
  4. Embora seja alvinegra, senti-me lisonjeada com tanto amor pelo Grêmio, aliás sou fã do time desde Felipão. Gosto do refrão do hino. A história da Linda é linda. Parabéns ao Grêmio, parabéns a essa matriarca fantástica.

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    Publicado por Iara | 28 de setembro de 2008, 00:13
  5. MUITO EMOCIONANTE,VERDADEIRO E APAIXONADO,RETRATA VERDADEIRAMENTE A ALMA TRICOLOR PARABENS!

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    Publicado por PAULO RICARDO PEREIRA SALDANHA | 15 de setembro de 2012, 12:15
  6. Ler isso garante a certeza da escolha de ser Gremista! História, paixão e alma tricolor! Abraço.

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    Publicado por Adriano | 11 de abril de 2014, 01:03

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  1. Pingback: Aniversário do Grêmio – Perspectiva do Torcedor « PERSPECTIVA - 15 de setembro de 2009

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