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Política

A revista Veja e a falta da direita no Brasil

Há alguns anos, o então primeiro ministro da Itália, Massimo D’Alema, esteve no Rio Grande do Sul para uma visita às regiões de colonização italiana de nosso Estado. Entrevistado pelo jornal Zero Hora, perguntaram-lhe como via o panorama político brasileiro. Sua resposta foi uma constatação  “Aqui parece não haver direita”.

A declaração passou desapercebida, mas é altamente relevante tendo em vista de onde ela vem. Massimo D’Alema, cumpre lembrar, é um dos mais conhecidos nomes da esquerda italiana e européia e, como esquerdista italiano e europeu que é, sabe muito bem o que é direita. Em seu país, está acostumado a lidar com os Berlusconis e as Ligas do Norte da vida; fora dele, ajuda seus companheiros austríacos, franceses e belgas a combater Joerg Haider, Jean Marie Le Pen e Filip Dewinter. Trata-se, portanto, de um tipo calejado pelas batalhas: conhece seu inimigo e sabe reconhecê-lo onde quer que esteja. Aqui, visitou uma das regiões mais conservadoras e culturalmente mais semelhantes à Europa – e, de modo especial, à sua Itália natal – de todo o território brasileiro: a Serra Gaúcha. Mesmo assim, D’Alema não sentiu a presença do adversário. Caminhou livre, leve e solto, assoviando a tarantella junto a seus companheiros de ideologia e etnia.

D’Alema descobriu isso há anos, em breve passagem pelo país. A revista Veja está no Brasil desde 1968. Vive entre nós e respira o nosso ar desde a época em que o sr. D’Alema lia Mao Tsé-Tung e acreditava em comunismo albanês. Conhece nossas manias, nossos problemas, nossos complexos e nossas qualidades muito melhor do que qualquer primeiro-ministro estrangeiro que por cá aporte. Sabe, portanto, e  há já algum tempo, quais são os partidos políticos brasileiros.

Pois bem. Esta revista que tão bem nos conhece trouxe há alguns dias uma matéria sobre o pitoresco caso de um país que não tem partidos de direita.  A matéria, assinada por Fernanda Nascimento e Gabriel Castro, está muito bem feita. Afirma, corretamente, que “expressões como ‘livre iniciativa’, ‘responsabilidade individual’ e ‘valores morais’ raramente são ouvidas pelos corredores do Congresso ou do Palácio do Planalto”, e aponta, por outro lado, que “as palavras ‘social’, ‘trabalhista’ e ‘socialista’ aparecem na maioria dos nomes das legendas”. Relaciona, corretamente, este vácuo ideológico  à tradicional ligação que as pessoas, justa ou injustamente, fazem da so-called direita brasileira (dos conservadores, dos liberais , dos dois ou de nenhum deles) com a defesa da escravidão, a monarquia e a Arena. Erra apenas ao interpretar a declaração de Álvaro Dias, que não apontou nenhuma irmandade ideológica entre petistas e tucanos, como a revista deu a entender, e sim antes a falta de idéias práticas do PT e a postura “mais promíscua (palavras dele) do partido em relação ao Legislativo, o que não é propriamente um estender de mãos. Um erro que fica pequeno diante de uma reportagem acertada em seu propósito e em sua execução.

Mesmo sendo uma matéria cheia de grandes acertos, uma questão igualmente grande se impõe: porque só agora, quando um deputado é acusado de fazer comentários de ordem racista e homofóbica, a revista Veja resolveu fazer uma matéria dizendo aquilo que o senhor D’Alema percebeu há anos?  Foi preciso que o sr. Bolsonaro dissesse uma bobagem no ar – independentemente de ser declaração racista ou homofóbica, ela é, por destemperada, por descuidada, por destrambelhada, uma bobagem,e como bobagem deve ser tratada- para que se despertasse para um fato que, embora dito por poucos, era conhecido por muitos (até pelo sr. D’Alema) e certamente muito bem conhecido pelos editores de Veja. Esta reportagem caberia muito bem durante as eleições de 2006. Ou de 2002. Ou de 2010. Ou de 2008. Ou em qualquer momento em que uma reflexão sobre a política nacional exigisse debate. O país não tem partidos conservadores, liberais ou como quer que se lhe chame há anos. Há décadas. Se tomarmos a melhor acepção que as palavras “liberalismo” e “conservadorismo” assumem, talvez nunca os tenha tido. Porque Veja lembrou disto somente quando Bolsonaro disse o que disse?

A existência de um país sem direita não é tão incrível assim. Incrível é ninguém ter se dado conta disto até este momento. Esperemos que tenha sido por mero esquecimento.

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Discussão

Um comentário sobre “A revista Veja e a falta da direita no Brasil

  1. esta uma vergonha este, nos pais a violência, cada vês mais esta crescendo, os políticos não vem nada para impender, a violência Homicídio não leva migrem para cadeia por, estas leis bobas que brasil possui, os políticos acorda dia que for filho de vocês, vocês perder com violei-cia vocês políticos vai sentir na-pelem eu não quero que isto acontecem com vocês políticos por me um pai e apre parrado para enterrar um filho muito reste, que esta conte sendo, no brasil mais e pura verdade. todos os dias, violência esta cada vês mais pior, presidenta dima tem do dos brasileiro vocês senador e deputado deixa a violência este tamanho não fazem nada. para os brasileiro isto, e uma vergonha, tem vergonha de falar que sou brasileiro, que moro no estado de goias, governador maclodes perilo, governador do estado de goias,

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    Publicado por Cloriston | 13 de julho de 2011, 01:35

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