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Entrevistas, Música

Entrevista: Aline Love and Club Band

Entrevista: Carlos Vinicius Sá e Aline Love, integrantes da Aline Love and Club Band

 

“Existe uma grande diferença entre amar a fama e amar a música”

Por Celso Augusto Uequed Pitol

Quem ouve falar da banda Aline Love and Club Band e vê o seu emblema muito possivelmente terá a sensação de já ter visto algo parecido antes. E não estará errado: o nome do grupo formado por Carlos Vinicius Sá, Thiago Seidl, Vitor Franke e a própria Aline Love é uma referência clara ao disco mais famoso dos Beatles, e o seu emblema, inspirado no equivalente do metrô de Londres. A filiação britânica do som da banda fica clara já aí, mas não serve para explicar tudo: há muito de Jovem Guarda ali, coisa que 9 entre 10 bandas modernas inspiradas neste movimento musical recusam-se terminantemente a admitir. E o resultado é admiravelmente bom.

Para quem acha que digo isso porque Carlos é meu amigo e ele, junto a sua colega de banda e namorada Aline, aceitou ficar até as dez da noite conversando num bar doLa Salleonde nós dois estudamos ganha aqui uma sugestão: que programe um passeio pela Redenção num domingo à tarde – mais precisamente, a partir das 15 horas. Terão a chance de conferir ao vivo se estou certo ou não.

Carlos, o fim dos Flutuantes (antiga banda de Carlos e uma das maiores promessas do rock gaúcho da década passada) coincide com o começo da Aline Love & Club Band?

Carlos: Não exatamente. Os Flutuantes chegaram ao fim no ano passado, depois de algumas divergências que tivemos em vários níveis. Por outro lado, o projeto Alice Love & Club Band já existia desde o final de 2009. A transição foi aos poucos. Começou num ritmo menor e em seguida fomos ganhando corpo.

Um dado interessante é que vocês dois tocam em dupla e com a banda também, não?

Aline: Sim. A banda Aline Love and Club Band é composta por nós dois, mais o Vitor franke e o Tiago Seidl. Porém, nós também fazemos apresentações em dupla, tocando violão e voz. Aí nos chamamos, muito simplesmente, de Aline e Vinicius (risos).

 

Onde a banda tem tocado com mais freqüência?

Carlos: Tocamos muito na rua. Quem quiser nos ver tem dois horários: no sábado, na Andradas, a partir das 3 horas, e no domingo, na Redenção, a partir do mesmo horário. Fora dali, tocamos em vários lugares: em casamentos, formaturas, aniversários….

Aline: Como eu e ele já andamos usando umas roupas meio anos 60 (risos) as pessoas nos convidam para fazer festas anos com essa temática.

 

Aline, qual era a idéia que tu tinhas da cena rock de Porto Alegre antes de vires para cá?

Aline:A idéia lá do interior é a que de Porto Alegre é o grande cenário de rock’n roll e de que há muito mais chances para quem está começando. Essa idéia é um pouco mito, como eu pude comprovar pessoalmente.

Há a idéia de que é uma cidade muito roqueira, onde todos são fãs de The Who, todos conhecem Small Faces….

Aline: (risos) Sim, exatamente!

Carlos: Eu notei isso quando estive em outros lugares do país com os Flutuantes. Sempre falavam isso de Porto Alegre.

E que diferenças notas entre o mercado para shows daqui e do interior, de onde vens?

Aline: Eu noto uma diferença entre as casas noturnas da minha cidade, Passo Fundo, bem como do resto do interior, e daqui da Região Metropolitana. Aqui se paga menos e às vezes nem se paga. Às vezes eles dão apenas pra divulgação e não pagam nada.

Carlos: Isso nós não aceitamos. O que, é claro, restringe um pouco os nossos locais para tocar (risos)

Alina: Muitos bares pagam cachê, mas é por portaria. Metade do ingresso vai para nós, metade para eles. Isso dificulta a vida das bandas novas.

Quais as influências mais presentes no som de vocês?

Aline. Principalmente Mod inglês e Jovem Guarda. São Os Incríveis, Golden Boys, Roberto e Erasmo e muitos outros. Dos estrangeiros Beatles, the Who, Herman´s Hermits. Tocamos muitos covers dessas bandas e, às vezes, alguma coisa menos conhecida. Às vezes tocamos algumas coisas antigas que ninguém conhece (risos)

Carlos: Nós mudamos nosso repertorio às vezes de acordo com o ouvinte. “Era um garoto”, por exemplo, nós não tínhamos, mas aí começaram a pedir e resolvemos incluir.

Aline: Sou acostumada a variar repertório. Tanto que já toquei de tudo, todos os estilos possíveis, porque eu precisava pagar o CD. Já toquei até em banda de baile, por exemplo (risos). Para mim, essa é a diferença entre musico e roqueiro. Um músico que se diga músico não pode ser bitolado e deve tocar de tudo. Hoje em dia, a gente pode se dar ao luxo de tocar só o que queremos. Existe essa diferença, assim como existe a diferença entre  amar a fama e amar a música

Fale um pouco dessa diferença, Aline.

Aline: Dou um exemplo que eu vivenciei. Quando os Flutuantes abriram para os Mutantes, fui falar com o Sérgio Baptista, que é simplesmente  uma lenda do rock. Eu o abracei e disse: “Estou diante da história do rock”, e ele “estou diante do futuro”. Incrível! Um cara extremamente humilde,  extremamente gentil e até fez um show com o meu bottom (risos). Às vezes vejo roqueiros daqui da região com o nariz empinado, extremamente arrogantes, enquanto lendas vivas como o Sérgio tu encontras tomando uma água sentado numa mesa de bar e conversam contigo na boa. Essa é a diferença entre ser um músico de verdade e alguém que só procura a fama. Nós, se  continuarmos tocando na calçada da Andradas vamos continuar felizes. Estaremos nos mantendo como a gente gosta. E não se pode viver sem ter o pé no chão. Não se pode pensar só em coisas muito elevadas, tocar no Jô Soares ou algo assim. Aí tu não estás centrado na tua música, em oferecer algo que preste, e sim em ser celebridade. Se eu ganho dez reais de um CD, eu tenho de tratar bem aquele que comprou o CD, pois eu tenho aqueles dez reais graças a ele.

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😊😊 Essa aquarela foi finalizada neste final de semana, mas sempre acho interessante lembrar dos momentos em que a tinta estava secando :) #watercolor #aquarela #gaucho #arts #art 💙💙💙 #sunset #nofilter #TBT 💙 Finalizado #arts #art # #watercolor

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