Entrevistas

Entrevista: Deise Cristina Padilha “A Jornada é um grande momento para qualquer jovem cristão”

A Jornada Mundial da Juventude foi realizada em Madrid, Espanha, entre 16 e 21 de agosto deste ano e reuniu em torno de 2 milhões de jovens de 182 paises diferentes. Uma delas foi a arquiteta canoense Deise Cristina Padilha. Participante de movimentos de jovens da Igreja Católica desde os 13 anos, tendo desempenhado a função de catequista na Paróquia São Luiz, em Canoas, Deise faz parte de uma nova geração de jovens católicos caracterizada pela tendência missionária, seguindo o conselho do papa Bento XVI de “ levar a fé a outras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores, vislumbrando nos seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, e sem deixar-se seduzir pelas falsas promessas de um estilo de vida sem Deus”. Na entrevista a seguir, Deise falará da sua experiência na Jornada, da relevância deste evento para os católicos do mundo todo e do que a Igreja tem a dizer aos jovens cristãos.

 Em primeiro lugar, Deise, queria que falasses um pouco da tua participação dentro da Igreja Católica. É algo que sempre te acompanhou?

Deise Padilha: Sim, sempre participei com meus pais e desde muito nova tomo parte de grupos de jovens. É algo que sempre fez parte da minha vida.

 Como tu vês a inserção de um jovem que aceita e proclama os valores ligados à Igreja em uma sociedade que, muitas vezes, não está de acordo com eles?

DP: A inserção nem sempre é automática e nem sempre é fácil. Também por isso a Jornada Mundial da Juventude é importante. Tu vês pessoas com valores iguais aos teus e que afirmam esses valores em algo e bom som. Às vezes, as pessoas têm os valores, são cristãs, mas não afirmam, porque parece que estão sozinhas. A partir do momento em que tu vês pessoas que vivem os valores da Igreja e vibra pelas coisas da Igreja e pelo papa tu te sentes, de certa forma, revigorado.

 Isso entra um pouco já na questão dos objetivos que a jornada tem. Fala um pouco deles.

DP: A jornada tinha por tema “Arraigados em Cristo e firmes na Fé , o que , de certa forma, já explica qual é o objetivo dela. Como disse o papa, é trazer um novo ar, uma nova confiança para o jovem cristão atuar no mundo.

 A Jornada Mundial da Juventude não é uma iniciativa nova, não é?

DP: Não. Ela existe desde 1985. Foi iniciativa do papa João Paulo II, que sempre marcou o pontificado dele por uma ligação próxima aos jovens. Inclusive chegaram a pensar que o Bento XVI, quando assumiu, não fosse ter a mesma ligação com a juventude, mas não tem sido assim.

 Quais as principais atividades realizadas na Jornada?

DP: Muitas coisas. Madrid ficou toda preparada para esperar os visitantes, foi uma mobilização muito grande da cidade. Museus, palácio, todas as igrejas, enfim, tudo ficou aberto para receber os jovens da jornada, para visitação e para os peregrinos. Visitei muitas igrejas. Um dos locais que mais me chamaram a atenção foi a festa do perdão, que tinha como objetivo principal chamar os jovens para um reencontro com Deus. Havia confessionários destinados a pessoas em várias línguas, com um sacerdote escolhido para falantes de cada idioma. Tomamos partem em várias atividades,mas era tudo cronometrado também por causa dos encontros com o papa, que eram muito freqüentados e exigiam que sempre chegássemos cedo. Tivemos vários encontros,vários eventos e palestras .

 Qual era a reação dos jovens de outros paises quando tu falavas que eras do Brasil?

DP:Era uma reação muito positiva, inclusive porque a próxima Jornada, em 2013, será aqui,no Rio de Janeiro. Quando eu andava com a bandeira do Brasil sempre havia alguém pedindo para trocarmos as bandeiras. Eram muito simpáticos a nós e havia sempre uma palavra a dizer sobre a alegria dos brasileiros.

A convivência com eles era próxima?

DP: A convivência mais próxima era com brasileiros, mas também tivemos uma grande interação com gente de outros países, conversando, trocando idéias e materiais daqui com eles. Foi muito bom ver a cultura dos outros, a característica de cada um, como todos são diferentes entre si e, ao mesmo tempo, se parecem em tantos aspectos. Os italianos, por exemplo, são bem alegres, estão sempre cantando. Tivemos gente de Israel, Cuba, da China e de vários outros lugares – aliás, no caso de Cuba e China é importante ressaltar que são paises onde as religiões não são bem vistas pelos seus regimes políticos e que, mesmo assim, os representantes desses países fizeram questão de vir. Encontramos uma menina de Cuba e perguntamos se ela viria ao Brasil em 2013 e ela disse que gostaria, mas que precisaria esperar para saber, pois sair do país era muito difícil. Só por aí já dá para termos uma noção de como era grande o empenho de muitos para ir ao evento.

 Mas o contato mais próximo foi com brasileiros?

DP: Sim, foi mais com eles.

 Te parece que a realização no Brasil de um evento desses pode ajudar a revigorar a presença da Igreja nas Sociedade Brasileira?

DP: Acho que sim. Um evento como a Jornada é algo muito impactante. São literalmente milhões de jovens de todo o mundo que escolhem o teu pais para passar uma semana e isso inclui, naturalmente, jovens do próprio país. Essa jornada será também uma oportunidade para jovens brasileiros de todos os cantos do país. Acho que a Igreja terá uma grande oportunidade de expandir-se no Brasil. É impossível não chamar a atenção e não provocar mudanças em quem participa. A Jornada é um grande momento para qualquer jovem cristão.

 Como avalias a experiência?

DP: Maravilhosa. Acho que é uma experiência que vale muito para qualquer jovem.

 A jornada fala de jovens cristãos – não apenas de católicos.

DP: Sim, porque os compromissos de que fala a jornada não dizem respeito apenas aos católicos. Não é algo exclusivista. Os valores que são defendidos ali são os de Cristo e eles servem para todos aqueles que O vêm como Salvador.

 Tiveste algum choque cultural?

DP: Bom, sempre tem coisas que a gente não acha que são tão naturais e que, para eles, são. Eu posso dizer que fui muito bem tratada e a minha relação com o pessoal da organização e com os outros jovens foi sempre muito positiva. O único senão que poderia apontar foram algumas manifestações que vimos contra a jornada em Madrid.

 Tens algum plano de levar a experiência da jornada ao conhecimento de outros jovens?

DP: Sim, pretendo. O nosso objetivo é mostrar um pouco para os jovens o que foi essa jornada para entusiasma-los para a próxima. Ao mesmo tempo, é importante levarmos para os jovens daqui aquilo que vimos por lá em termos de dedicação e espiritualidade. São experiências como a que vimos daquela jovem de Cuba que servem para nós, que não temos essa mesma dificuldade, tomarmos consciência daquilo que os outros fazem para poderem participar. A Jornada também serve para mostrar que o jovem católico não está, por assim dizer, sozinho naquilo que acredita. O convívio com semelhantes, com pessoas com uma maneira de ver as coisas semelhantes à tua, é sempre bom e revigorante. E a jornada mostra jovens alegres, que estudam ou já têm uma profissão, como é o meu caso, gostam de se divertir e aproveitam cada momento da vida. Jovens normais,mas que têm um direcionamento especial para suas vidas, fundado no cristianismo.

Discussão

Um comentário sobre “Entrevista: Deise Cristina Padilha “A Jornada é um grande momento para qualquer jovem cristão”

  1. Obrigado pelas dicas.

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    Publicado por MaxBurn Funciona | 16 de outubro de 2011, 21:54

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