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Política

O que está em jogo

Maloula é uma pequena aldeia síria situada nas proximidades da fronteira com o Líbano. Tem apenas 3 mil habitantes, constituída de uma maioria de cristãos (ortodoxos, católicos maronitas, melquitas e outras denominações) e uma minoria de muçulmanos. Em princípio seria apenas uma das muitas aldeias no Levante médio-oriental, onde o cristianismo e o Islã convivem há séculos, com predominância de um e de outro dependendo do local. Mas há algo em Maloula que a faz especial para qualquer cristão: é a última região mundo onde se fala o aramaico, o idioma de Jesus Cristo.

Neste momento em que escrevo, os “rebeldes” sírios – em sua maioria islamistas, financiados pela Al Qaeda – acabam de tomar a cidade. Já destruíram várias igrejas – muitas delas antiquíssimas, construídas no alvorecer do cristianismo -, em outras cidades por onde passaram. Tudo indica que farão o mesmo aí. “Cristãos para Beirute e Alauítas para o paredão”, gritam os fanáticos. Beirute é a capital do Líbano, tradicional reduto cristão no Oriente Médio, e os alauítas são a seita muçulmana moderada da qual Bashar Al-Asad faz parte.

Muitas vozes cristãs médio-orientais dizem – o ideal seria dizer alertam, se houvesse alguém no Ocidente para ouvi-las – que o cristianismo no Oriente Médio corre sério perigo de extinção.

Enquanto isso, autodenominados cristãos conservadores admiradíssimos no Brasil, como John McCain e outros asseclas seus, também admiradíssimos por aqui, continuam a fazer campanha para que os EUA dêem assistência a estes “rebeldes”. Dentro da academia, um Niall Ferguson defende a mesma coisa em uma aula de desinformação, falácias e mudança de foco, tentando grosseiramente reduzir a discussão a uma disputa entre esquerdistas anti-intervenção americana (o que não é verdade, como o exemplo do próprio Obama e da maioria da esquerda ocidental demonstra) e direitistas pró-intervenção (o que também não é verdade nem mesmo dentro dos EUA, onde a oposição conservadora a Obama é majoritariamente contrária à guerra).

A falsificação é tanta que Ferguson acaba, sem querer, fornecendo argumentos para destruir o seu próprio ponto de vista, ao dizer que “o pressuposto de que não existe nada pior no mundo do que o império americano é um artigo de fé esquerdista. Ele não é sustentado pelo registro histórico”. De fato, pode-se dizer, há coisas piores: salafistas e wahabitas fanáticos, que o sr. Ferguson finge que não existem e que não chegarão ao poder caso os EUA intervenham, o que é ponto pacífico segundo qualquer analista sério da questão. Entre a Al Qaeda e um regime secular (embora ditatorial) como o de Assad, o sr. Ferguson e seus admiradores defensores dos so called “valores ocidentais”, do laicismo e das liberdades individuais preferem a Al Qaeda. Caberia perguntar qual o “artigo de fé” destas pessoas.

Divulgamos esta breve informação para que o leitor de nosso blog tenha noção do que está em jogo nesta guerra. E que cada um pense um pouco e tire suas próprias conclusões.

P.S.:

Enquanto o sr. Ferguson quer pôr fim ao conflito destruindo a Síria, o sr. Daniel Pipes prefere que a guerra prossiga indefinidamente, sem lembrar que os cristãos do local – que Pipes e sua turma dizem defender contra os islâmicos – correm, com isso, sério risco de extinção. Corajosamente, admite que sua tática é pura “realpolitik” e puro “divide and conquer” (explica isso no artigo). Covardemente, fala em manter-se fiel aos “valores ocidentais”.

Com amigos como Daniel Pipes os cristãos da Síria (e não só dela) não precisam de inimigos.

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Discussão

2 comentários sobre “O que está em jogo

  1. A muitas reocúpações , sobre os acomtecime ntos dos Cristãos nos lugares sagrados da Siria como em todos os territórios ocupados por radicais das regiões onde habita esses Cristãos mistificados regional ! São muitos os Mortos Cristãos em toda Siria como também na Africa em todos os territórios ; deve-se haver uma comcientisação sobres esses fatos pois ha uma esperança de reverter o quadro de assassinatos durante os vários Crimes de Guerras já vistos pelo mundo ! As autoridades dentro da Onu , com as Equipes de transição por Governos Sirios e sua Lutas comtra Civís , tem que ser imterferido , pois ha muitos radicálismo com a presença das Ordens para Matar inocentes .

    Fico deveras muito Angustiado com as formas em que Baxa Lárassad demostra revolta contra o povo enão um dominio sobre o povo ! Quem domina tem a obediencia dos cidadãos e sua familias ! Se fosse Cristãos armados e assassino defender as Igrejas e a vida dos seus filhos e o direito a vida , para que tenha o mesmo direito do radicálismo Islã , matar e sobre viver , sendo livres por todas ás areás nestes tratados com a Onu , tem que ser conssiderado , pois já estão a trzados …

    Curtir

    Publicado por ANTONIO CARLOS | 11 de setembro de 2013, 01:55

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  1. Pingback: De volta a Maaloula: algumas reflexões | PERSPECTIVA ONLINE - 8 de agosto de 2015

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