Esportes

O bardo Lupicínio Rodrigues

Reza a lenda que Lupicinio Rodrigues escreveu o hino do Grêmio sentado numa mesa do restaurante Copacabana em Porto Alegre. Diante dele passava – segundo a lenda – uma multidão de torcedores do Grêmio a pé em direção ao velho Olímpico, em meio a uma greve de ônibus da capital.

Como Lupicínio, autor de canções cheias de lirismo, doçura e leve tristeza, foi capaz de compor uma uma canção tão marcial, tão militaresca, tão heroica, uma marcha imperial prussiana que transforma quem a entoa num ser de abnegação, devoção incondicional e a imortalidade a quem for dela digno? Que não traz, em momento algum – ao contrário dos demais hinos de clubes – a palavra “vitória” ?

Como o Lupicínio do choro e do samba, do barzinho, da dor de cotovelo, transformou-se naquela tarde do Copacabana, em Porto Alegre, num skald, nome dado aos poetas das sagas nórdicas? Um skald brasileiro, gaúcho e negro, a celebrar a guerra, a morte e a devoção? Talvez por os gênios não tenham limites impostos pela origem, o local ou a raça.

Descanse em paz, bardo imortal.

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