Ecologia, Esportes, Política

As provações do torcedor gremista

O torcedor gremista que se atreve a comparecer ao estádio é submetido a testes diversos. Se resolve utilizar veículo particular, enfrenta no acesso de quem se desloca de Canoas em direção à Avenida Ernesto Neugebauer um asfalto desnivelado, sinalização precária de trânsito e lixo nas margens das ruas. Pela rua José Pedro Boéssio, um cenário desolador de inexistência do poder público.

O cidadão que, atendendo aos apelos do Estado, deixa seu carro em casa para direcionar-se ao jogo via transporte público, passa por provações ainda piores de sua fidelidade. As milhares de pessoas que descem da Estação Anchieta e rumam à Arena via rua José Pedro Boéssio transitam por um local que demonstra o completo abandono da região pelo Governo. Não há calçadas para os pedestres. Os que se arriscam a ir ao estádio pelo Trensurb seguem um caminho perigoso e desagradável, sendo obrigados a circular pelas margens das ruas de paralelepípedos que sequer possuem escoamento razoável da água das chuvas: em diversos pontos do trajeto se viu, ainda, resquícios em grande volume da chuva de dois dias antes. Quem não deseja se arriscar a andar em meio aos veículos nas marginais alagadas das ruas, se vê obrigado a percorrer por um trajeto sem calçamento e com capim alto. Mais próximo ao estádio, já na Avenida Padre Leopoldo Brentano, ambulantes tomam metade da via de acesso de veículos ao estádio, tornando ainda mais perigosa a relação pedestre X veículos, que se obrigam a andar em zigue-zague para desviar de pessoas e tendas.

Margens da rua José Pedro Boéssio, que não possui escoamento eficaz de água das chuvas e que a torcida se vê obrigada a transitar

 

Ainda assim, nas conversas que se trava com torcedores a respeito do assunto, pouco se percebe críticas a respeito do abandono do poder público na região: justificam que assistir ao Grêmio e curtir o jogo vale o esforço. Fica a dúvida: é razoável exigir da torcida que rebaixe seu padrão de exigência assim?

Até quando será testada a capacidade do torcedor gremista em superar obstáculos básicos que o permitam ir ao estádio com acesso simples e segurança?

Neste sábado, véspera de dia da mulher, o estádio gremista ficou repleto de famílias. Em promoção à partida, o clube praticou preços especiais para mulheres e crianças. A torcida atendeu: 23.055 pessoas compareceram às arquibancadas para ver o Grêmio vencer o Caxias por 3 x 1. Milhares de famílias gremistas, por amor ao clube, rumaram ao estádio em meio a um trajeto perigoso, inóspito e desagradável, que praticamente nada mudou desde a inauguração, em 8 de dezembro de 2012. São quase dois anos e meio de nenhuma interferência na região para melhorias que são, é bom frisar, básicas para o poder público. Calçadas, escoamento de água das chuvas, capina e arborização são necessidades básicas de urbanização de uma região, ainda mais quando recebe dezenas de milhares de pessoas semanalmente como o Bairro Humaitá. Fiscalização regular de trânsito impedindo ocupação das vias e boa sinalização são exigências mínimas que se cobre da EPTC.

O torcedor não exige luxo. Cobrar do poder público soluções para este impasse é obrigação da população geral, do torcedor gremista e do clube, em defesa de sua gente. São medidas como essa, que permite a famílias e pessoas comuns se deslocarem com segurança, que trazem mais público aos estádios e evitam que as arquibancadas sejam relegadas ao abandono. Na tarde de 7 de março, com milhares de pessoas no público, se viu uma grande festa sem nenhum incidente na Arena do Grêmio. É preciso permitir à torcida e ao futebol mais momentos assim.

Discussão

2 comentários sobre “As provações do torcedor gremista

  1. Vergonha não é a palavra,FALTA de vergonha é a expressão,torcedor ou cidadão que transita pelas calçadas do Humaitá em determinados momentos precisam se expor caminhando em ruas de muito fluxo pesado de veículos pois são enormes as poças de água que ficam nas esquinas principalmente formando lagoas costeiras em plena cidade.Guando o torcedor sai da arena tem um choque tipo sai do primeiro mundo de dentro de uma nave tecnologicamente falando e adentra em ruas e vielas passando a sensação de estarmos saindo de um mundo avançado e chegando em Havana,terceiro quase beirando quarto mundo,caótico e faltam árvores para os torcedores interagirem antes dos jogos,principalmente aqueles que vem do interior e os que querem uma sombra de uma árvore para desassolhar da viagem e do calor e assar uma carne comos amigos,solução é se enfiar dentro de um boteco ou penar no sol do Humaitá.DESCASO TOTAL destas VIRTUAIS autoridades.

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    Publicado por Paulo Ricardo Pereira Saldanha | 8 de março de 2015, 14:32

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  1. Pingback: Administração Pública de Porto Alegre expõe Grêmio ao ridículo | PERSPECTIVA ONLINE - 22 de setembro de 2015

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