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Ciências Humanas, Livros

Pensadores da Nova Esquerda

Pensadores da Nova Esquerda

Roger Scruton é um dos nomes mais importantes do atual pensamento conservador britânico. Professor de Estética na Universidade de Londres e autor de mais de trinta livros, em seu país é conhecido sobretudo pelos animados debates que trava com intelectuais de esquerda. Até mesmo um de seus mais duros opositores, o crítico literário marxista Terry Eagleton, foi obrigado a reconhecer-lhe o talento: “Scruton é um dos mais brilhantes filósofos da Grã-Bretanha”, disse ele.

E um filósofo que já tem leitores no Brasil. Dois livros seus já foram lançados por aqui – “Beleza” e “O Coração Devotado à Morte”, ambos pela É Realizações – e a eles soma-se agora “Pensadores da Nova Esquerda” (É Realizações, 336 páginas, tradução de Felipe Garrafiel Pimentel), uma coleção de ensaios originalmente publicados no The Salisbury Review , uma das mais célebres revistas de tendência conservadora do mundo anglófono.

O objeto do olhar de Scruton são alguns os principais nomes pensamento de esquerda do século XX. Deu especial atenção a autores que à época de seu lançamento – 1986 – dominavam o debate universitário europeu, como Jurgen Habermas, Michel Foucault, E.P. Thompson, Antonio Gramsci, Perry Anderson, Gyorgy Lukács e Jean Paul Sartre, todos bem conhecidos dos estudantes brasileiros de Ciências Humanas. Que ninguém se engane: Scruton não é nenhum hidrófobo e está pronto para reconhecer méritos nas obras dos autores que escolheu para analisar. Faz, entretanto, uma ressalva: para ele, “muito do que é interessante e verdadeiro nesses escritores pode ser desvinculado da ideologia que lhes proporcionou o apelo em voga”. Quer dizer: eles têm interesse apesar de serem esquerdistas.

Scruton refere-se em particular à Nova Esquerda – “New Left”, no original. O termo é frequentemente usado para definir o grupo de pensadores de esquerda que, a partir dos anos 60 e 70 – mais precisamente, a partir do relatório Kruschev, de 1956, sobre os crimes do stalinismo – passou a reconsiderar certos pontos de vista do marxismo-leninismo e a aproximar-se do ativismo social em prol de minorias étnicas, sexuais e laborais. Por isso, a muitos causará estranheza a presença de Lukács no conjunto da Nova Esquerda, conceito que ele, Lukács, marxista ortodoxo, criticaria com vigor. Em outros provocará sentimento semelhante a simples caracterização de Dworkin e Galbraith como esquerdistas. Scruton não ignora estas objeções – ele tem uma capacidade única de antecipar-se a seus detratores – e a elas responde, ressaltando que alguns nomes foram escolhidos pela sua influência decisiva no pensamento da Nova Esquerda.

Os autores que Scruton estudou pertencem a diversas áreas: Direito, Economia, História, Ciência Política e, claro, Filosofia. Esgrimir contra cada um deles em seu próprio terreno, com suas próprias regras, é um desafio dos mais duros para qualquer um, mesmo para eruditos como ele. Scruton aceita o desafio e se sai muito bem: circula à vontade pelo Direito Comercial comparado e pela história intelectual alemã, pelas ciências naturais e pela economia política marxista, pela filosofia idealista e pela sociologia francesa, expondo as mais complexas discussões e os mais áridos assuntos com clareza, elegância e, não raro, um toque de humor tipicamente inglês.

É bem verdade que, no afã de provar o seu ponto de vista – e este é, definitivamente, um livro com um ponto de vista ,- ele acaba por fazer uma ou outra avaliação injusta: exemplo disto se vê no ensaio sobre Lukács, que lamentavelmente omite o período pré-marxista de sua produção intelectual e acaba por deixar de fora um de seus mais lidos e influentes livros, “Teoria do Romance”, apresentando-o como pouco mais do que um apologista do stalinismo. Mas estes são problemas menores diante do tamanho do trabalho de Scruton, que proporciona a muitos de nós – em grande parte formados a partir da leitura dos autores abordados nesta obra – uma oportunidade de estabelecer um saudável, desejável e qualificadíssimo contraponto crítico.

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