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Dia de São Patrício – 17 de março

 

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Se houve algum cristão nestes últimos dois mil anos que mereceu ganhar o título de “santo”, esse alguém foi São Patrício. Duvida? Pois imagine-se na posição dele. Menino rico, filho da aristocracia na província romana da Bretanha, acostumado à boa comida, à cama quentinha, à paparicação e ao melhor que a civilização clássica tinha a oferecer, de repente vê-se privado de tudo isso por um fato inusitado: um sequestro por um grupo de bárbaros de uma ilha vizinha à sua, tão bárbara que nem o Império Romano teve coragem de nela penetrar. Davam a esta ilha o nome de Hibernia, isto é, a terra do eterno inverno, onde o número de dias de chuva superava os de sol por larga distância e o frio variava entre o desagradável e o congelante – bem diferente, portanto, da ensolarada Roma à beira do Mediterrâneo, vizinha da Grécia, do Egito, da Pérsia, da Fenícia, enfim, da civilização. A Hibérnia ficava longe de tudo isso, assim como seus habitantes. Os hibérnicos não sabiam o que era alfabeto, matemática ou conceitos abstratos, e nem queriam saber. Seu único interesse era a guerra, sua religião cheia de heróis sanguinários, muita comida e uma bebida feita a partir de malte capaz de encher os corações dos guerreiros hibérnicos de força e alegria. Era conhecida como “água da vida”- uisguey beatha no seu idioma original, o gaélico. Neste idioma os hibérnicos chamavam a sua terra natal de Eairann, “Verde”, em referência à cor predominante na paisagem. Um vasto campo entremeado por alguns bosques e montes aqui e ali, sem muitas flores para tingir a terra de outras cores. Alguns séculos depois, os anglo-saxões invadiriam a Hibérnia e usariam o termo dos hibérnicos para designar o lugar: Eireland, a terra do verde. Com o fim do Império Romano, a palavra Hibérnia caiu em desuso e o surgiu o nome pelo qual o país seria conhecido a partir de então: a Irlanda.

Sem saber nem da metade disto que foi dito acima – mais precisamente, só até a parte da “ilha tão bárbara que os romanos nem quiseram invadir -, o menino Patrício foi jogado num porão de navio, acorrentado, sem cobertores, conforto, comida ou carinho e levado até uma fazenda num canto daquela ilha para servir de escravo. Passou alguns anos ali cuidando de cabras e cães selvagens, já naquela época um dos mais conhecidos produtos de exportação da Irlanda. Um dia, quando foi para a Bretanha vender a mercadoria, seu navio foi atacado por uma horda de vikings que, como de costume, trucidaram toda a tripulação. Patrício conseguiu fugir e esconder-se num monastério, onde foi adotado pelos monges, educado e ordenado padre. Perguntaram a ele onde queria trabalhar. Talvez em algum lugar do continente, onde o Império Romano em ruínas ansiava pela conversão dos seus novos governantes, os bárbaros germânicos. Talvez na própria Bretanha, ainda presa aos costumes pagãos de origem celta. Patrício escolheu nada menos do que a Irlanda – sim, aquela mesma. Tarefa impossível? Não para ele, que sobrevivera a dois ataques bárbaros.

O ex-escravo Patrício conseguiu explicar aos irlandeses  – os mesmos que o haviam aprisionado e escravizado – que Deus poderia ser uno e trino ao mesmo tempo usando apenas um trevo, que não era mais preciso sacrificar velhos e crianças para salvar a tribo porque um homem chamado Jesus já se havia sacrificado por toda a humanidade e que ele próprio era o exemplo vivo da força santificadora do perdão e da caridade. Os irlandeses não esqueceram disso e até hoje chamam seus filhos de Patrick, põem trevos no peito de seus clubes de futebol e todos os anos, no dia 17 de março, reúnem-se nos bares em todo o mundo para comemorar a graça de terem conhecido a este homem extraordinário com muitas, muitas doses de uisgue beatha , belas canções, camaradagem, fé e a alegria sincera dos cristãos verdadeiros.

Versão da excelente banda sérvia The Orthodox Celts para a canção popular irlandesa Saint Patrick was a gentleman

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