Política

Obama e Raul Castro com os olhos no futuro

O Blog Perspectiva acompanha o sr. Barack Obama há muito tempo. Durante um certo período, o presidente americano chegou a ser um dos nossos temas favoritos: seguimos com muita atenção o período de sua primeira eleição, os seus primeiros anos de governo e alguns episódios pontuais do segundo. Fomos, à nossa maneira, tomados pela Obamania do fim da década passada – e, também à nossa maneira, ajudamos, modestamente, a documentá-. Obamaníacos, mas não necessariamente, como diremos, “obamófilos”. Nosso interesse era o personagem.

Por diversas razões, temos deixado o sr. Obama de lado nos últimos tempos. Outros interesses, outros focos, outras preocupações: acontece com todos, e conosco, bem ou mal, certo ou errado, também aconteceu.

Pois bem. Hoje, avisados por um amável leitor, fomos conferir a foto do encontro entre Obama e Raul Castro, na reunião da Cúpula das Américas, que ilustrou a maior parte dos portais de Internet. Ela está aí, ilustrando, também, o nosso texto. Dois homens educados apertando sobriamente as mãos, como convém a dois líderes. Sem sorrisos, sem olhares entusiasmados:  momentos históricos como este exige moderação daqueles que os protagonizam.

Longe das câmeras e com o microfone na mão, o espírito parecia ser outro – ao menos de um dos lados envolvidos. Quem acompanhou o discurso do presidente de Cuba viu que Castro, o revolucionário Castro, o anti-capitalista Castro, o anti-imperialista Castro, estava, ao que parece, bastante contente com o que estava acontecendo. Disse que Obama era um homem honesto e isentou-o de toda a culpa pelos problemas entre seu país e os EUA; disse, também, que apreciava imensamente a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo – algo que o presidente americano prometeu analisar- e que era enfim, um grande momento. Coisa de quem está contente. E Castro estava muito contente.

Quanto a Obama, que manteve a mesma sobriedade da foto, falou pouco e finalizou com uma frase que resume, em pouquíssimas palavras, qual a auto-imposta missão dos Estados Unidos da América no mundo e que poderia muito bem aparecer em alguma das frases presentes nas cédulas de dólar, junto a “Novus Ordo Seclorum” e “In God We Trust”:

– Os EUA olham para o futuro.

Diante disso, não pudemos resistir, caro leitor, ao ímpeto de fazer o caminho contrário: olhar para o passado. Fomos então consultar alguns de nossos escritos antigos – de 2008, de 2009, de 2010 – e encontramos esta análise de um artigo de Obama publicado no Times, de Londres. Destacamos o seguinte trecho:

Minha mensagem é clara: os Estados Unidos estão prontos para liderar e  convocamos nossos parceiros a juntarem-se a nós, munidos de senso de urgência e propósitos comuns.”

O título do artigo era “Nós estamos prontos para liderar. Você está pronto para juntar-se a nós?”

Em 2008, como agora, os EUA olhavam para o futuro. A diferença, ao que parece, é que em 2008 era mais claros nos seus propósitos últimos.

Raul Castro, como vimos,  está contente. Afinal, ele é um homem que olha para o futuro. Ele e os EUA.

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