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Entrevistas

Cedenir Almeida Machado, ex-jogador de futebol: “O futebol de hoje perdeu muito no aspecto técnico”

Neste feriado que antecede o Gre-Nal o Blog Perspectiva publica entrevista com Cedenir Almeida Machado, realizada em 2011. Ex-zagueiro do Internacional, do Botafogo, do Caxias, do Juventus da Mooca e agora treinador, Cedenir integrou o elenco vermelho nos anos 70, seguindo logo depois para o Rio de Janeiro e, por fim, compondo a excelente equipe do Caxias da segunda metade daquela década, da qual tomou parte ninguém menos do que Luís Felipe Scolari. Já dedicamos espaço para um gremista há alguns dias, o imortal Aírton Pavilhão. Agora é a vez dos colorados.  Boa leitura!

Por Celso Augusto Uequed Pitol

Cedenir Almeida Machado foi um dos zagueiros mais conhecidos do interior gaúcho em sua época. Começou no Internacional em 1971, transferiu-se para o Botafogo do Rio em 1975 e para o Caxias no ano seguinte, onde, ao lado de Luiz Felipe Scolari, Bebeto “Canhão da Serra”, Bagatini, Jorge Tabajara e outros, formou um dos esquadrões mais conhecidos e fortes do interior do RS, participante destacado da série A do campeonato brasileiro e bicampeão do interior do Estado em 1977 e 1978. Na época, Cedenir fazia dupla de zaga com ninguém menos do que Luis Felipe Scolari – aliás,  rejeita o rótulo de jogador limitado que deram ao amigo: “ele era um bom zagueiro e não dava balão por qualquer motivo, como dizem que dava”. Hoje, é treinador das categorias de base do Cruzeiro de Porto Alegre.

 

 

É natural de Canoas?

Cedenir Almeida Machado: Não, sou de São Jerônimo. Nasci em 1954 e vim para Canoas em 1969. Meu pai veio trabalhar aqui, como muitos faziam naquela época, e fomos morar na Igara.

Onde começou a jogar?

CAM:  Comecei  em  Esteio, com o  seu Adão Pereira. Ele  foi um dos grandes técnicos aqui de Canoas.

Canoas era um celeiro de jogadores naquela altura.

 CAM: Sim, era. Muitos foram formados aqui: eu, o Manuel, o Djair, o Luisinho Mochila, treinador do Canoas, que era dali da Mathias. Também tinha o Miguelzinho, o Joãozinho e muitos outros, que foram todos para o Inter. Isso para não falar de Falcão, Claudiomiro, Batista, Paulo César e muitos mais outros. Lembro do clube São Cristóvão, ali na Igara, onde o Luis Felipe Scolari começou.

Hoje o futebol de várzea praticamente acabou. Em vez de mandar olheiros para os jogos, os clubes montam escolinhas e preparam o jogador desde a infância.  Esse fim teve alguma conseqüência para o rumo que o futebol acabou tomando?  

CAM: A diferença é que o jogador que eles vêm olhar na várzea  vai para lá porque ele já tem a capacidade técnica. Se ele está jogando num time de várzea, é sinal que ele sabe jogar. Por outro lado, na escolinha, o cara entra com 8, 9 anos e ali vai crescendo e se formando como um jogador. Ali eles prevêem como ele será, até que altura poderá crescer, o peso certo, enfim, ele formam praticamente um jogador-robô. O talentoso mesmo é muito difícil surgir dali. Às vezes surge um Neymar, um Ganso, um Pato,mas é muito difícil pegar de oito, dez meninos e sair um com capacidade técnica apurada. Nesse sentido acho que houve uma perda.

 

O senhor é descoberto quando?

CAM: Eu fui levado para o Inter em 1970. Descoberto, eu acho que fui pelo seu Adão, que foi quem me levou para o Lansul,  onde joguei bem e fui visto pelo pessoal do Inter, mais precisamente pelo falecido Sr. Marcos Eugênio, que me levou para jogar lá.

Já jogava como zagueiro?

CAM:  Jogava já de zagueiro, como sempre joguei. Só quando me mandaram jogar de lateral, porque era mais baixo e diziam que zagueiro não podia ter a minha altura. Mas eu sempre dizia que não, que era a minha posição e que não jogaria ali a não ser quando era para quebrar  galho. Eu me sentia autorizado a dizer isso porque tinha vindo de uma seleção amadora, a que hoje chama sub20, tri-campeã em Cannes, e o capitão da seleção era eu, e jogando de zagueiro. Era uma seleção muito boa, lá jogaram comigo o Vanderlei Luxemburgo, o Joãozinho do Cruzeiro e outros. No Inter, na minha posição tinha o Figueroa como zagueiro, que era um titular incontestável, mas eu podia jogar com ele. Só que o Rubens Minelli, que estava chegando para treinar o Inter vindo do América de Rio Preto, achou por bem não mudar nada. Jogavam Figueroa e Pontes e o Pontes era um cara grandão, forte, que corria muito, e ele não quis modificar nada. Antes dele o treinador era o Dino Sani, um grande revelador de jogadores e foi quem me mandou subir. Até que me emprestaram para o Botafogo em 1975, onde disputei campeonato brasileiro daquele ano e eles queriam me comprar, porque joguei muito bem.

Notou alguma diferença entre  o futebol de lá e o de cá?

CAM: Olha, lá no Rio o meu treinador foi o Zagalo. O Rio de Janeiro tinha muito treino de toque de bola. Os caras vinham jogar contra Grêmio e Inter e tinham muito cuidado, porque diziam que nós, gaúchos, tínhamos muito preparo físico e muita força. Só que lá valorizavam muito jogadores técnicos como eu, que tinham boa saída de bola, boa saída de jogo. E aí eu me dei bem.O problema que eu tive no Inter foi a altura. O Minelli dizia era que eu era baixo e que o jogador tinha que ser alto e forte. E essa é uma mentalidade que existe muito no futebol de hoje, de que jogador tem que ser alto e forte. Eu discordo. Eu acho que tem é que saber jogar.

O aspecto técnico caiu?

CAM:  Muito. O futebol de hoje perdeu muito no aspecto técnico. Hoje,  que prevalece é força. Muitos jogadores não têm os fundamentos básicos. Sou técnico e o critério técnico para mim é o principal. O cara tem que saber dominar e passar, que são os dois fundamentos básicos do futebol. Se não souber fazer isso, não pode jogar futebol e tem de ir buscar outro emprego. Eu acho que a parte física precisa ser desenvolvida e acho que é importante, mas não pode ser apenas isso. No RJ, eu fui titular no Botafogo. Lá se valoriza mais a técnica e a habilidade, aqui é a força. A prova de que isso é bobagem é que o Beckenbauer não era um jogador alto. O Passarela tinha 1m76, o Mauro Galvão media a também isso e eram excepcionais zagueiros.

Em que zagueiros que tu te inspiravas quando começaste a jogar?

CAM:  Não acho que eu tivesse bem uma inspiração . Eu tive alguém que me ensinou muito, que foi o Figueroa, porque ele me via jogar nos juniores e via os defeitos que eu tinha e onde podia aprimorar. Figueroa foi um mestre.

Depois do Botafogo, foste para onde?

CAM: Fiquei no Botafogo o ano inteiro de 1975. Depois eu voltei para o inter , porque sabiam que eu ia estourar e tinham a  esperança que eu isso acontecesse no Inter. Aí disseram que o Figueroa ia sair, eu fiquei, mas ele não saiu e então eu é que quis sair e fui para o Caxias. Sou muito lembrado aqui no RS pela época de Caxias e muito pouco pela de Inter. Joguei com Luiz Felipe Scolari na zaga, era minha dupla. Joguei com Jorge Tabajara, Bagatini no gol, que depois jogou no inter, Clovis, Osmar e Paulo Cesar Tatu no meio campo e no ataque Bebeto Canhão da Serra. O Felipão é meu amigo, meu padrinho de casamento. Mas eu discordo quando dizem que ele era grosso. Ele aprendeu muito com o tempo, sabia dar o primeiro passe, não era tão grosso quanto dizem hoje. O time todo era muito bom tecnicamente, tanto que chegava a  complicar para a dupla Grenal. O Caxias disputava campeonato brasileiro da série A, para termos uma idéia. . Em 1977 fui vendido para o São Paulo. O treinador era o Poy e o Samuel, zagueiro do SP, já ia encerrar carreira, e então me contrataram e eu tive azar, contrataram o Rubens Minelli e ele não me quis de novo porque eu era muito baixo.

Além do Inter e do Botafogo, onde jogou?

CAM: Joguei oito anos no Juventus da Mocca. A torcida deles é muito apaixonada, mas não muito grande. Um clube de italianos, é um clube social enorme. Uma torcida muito fiel. Depois de parar, fiquei um tempo afastado do futebol e depois retornei como treinador.

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