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Ciências Humanas, Resenhas

“A montanha que devemos conquistar”, de István Mészàros

Acaba de ser publicado no Brasil o mais recente livro de István Mészáros, “A montanha que devemos conquistar”. É um título que chama a atenção na livraria. Não é comum encontrar obras com um tom convocatório tão otimista e encorajador, exceto, talvez na prateleira de auto-ajuda, onde Mészáros não gostaria que suas obras fossem colocadas. E é natural; afinal, trata-se de um pensador de grande calibre, um dos nomes mais relevantes do pensamento progressista contemporâneo e, sendo discípulo e amigo de Lukács, marxista ortodoxo numa época em que eles não são mais comuns. O lugar de Mészaros é, portanto, na prateleira de ciências humanas.

Cumpre perguntar que montanha é esta que Mészáros tão entusiasticamente nos convida a conquistar. E ele nos responde logo nas primeiras páginas: “O Estado se afirma e se impõe como uma montanha que devemos escalar e conquistar”. Trata-se aqui, portanto, do Estado, que será, ao longo de sete capítulos, alvo de uma crítica radical sob o ponto de vista marxista. Fazendo o Estado, segundo ele, parte do mesmo sistema do capital e do trabalho e um dos elementos que o protegem, legitimam e reforçam, deverá sofrer o mesmo processo de “fenecimento” (termo usado nesta tradução) e ser, definitivamente, ultrapassado, dando espaço a novas formas de sociabilidade.

Podemos, é claro, impugnar o entendimento de Mészáros em vários pontos. Faremos mal, contudo, em deixar de apreciar os diálogos que estabelece com autores como Hobbes e, principalmente, com Hegel, pensador que ele conhece a fundo e por quem guarda grande estima. O percurso de Mészaros até a montanha a ser conquistada é, portanto, interessante mesmo para aqueles que não querem chegar até ela.

As pouco mais de cem páginas da obra (sucedidas por um longo apêndice e por uma entrevista com o autor) deixam muitas questões em aberto. Meszáros parece estar bem ciente disso: logo na introdução, anuncia a preparação de um novo livro, chamado “A Crítica do Estado”, que incorporará parte de “A Montanha que devemos conquistar”. Aguardemos, portanto. Enquanto isso, os apontamentos, leituras, alertas e provocações de Mészáros neste caminho até a montanha permanecem conosco.

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