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Cultura

A sobrevivência das livrarias tradicionais

O fechamento da tradicional Livraria Leonardo da Vinci, no Rio de Janeiro, acendeu a luz amarela para os que predizem o fim das livrarias e até mesmo do livro em papel. Afinal de contas, o ebooks, os PDFs e outras formas de ter acesso à leitura estão crescendo na preferência popular e as gigantescas megastores, ocupando quase meio andar de shopping centers, concentram o público que, em outros tempos, estaria nas livrarias de rua – isso, claro, sem contar as vendas pela Internet. As lojas de rua têm mesmo muitos inimigos. Sem suas próprias armas, não sobreviverão. Cabe perguntar quais armas serão essas.

Esta matéria da excelente revista americana Slate , assinada por Zachary Karabell, mostra algumas delas. Primeiro, aos fatos: entre 2009 e 2014, o número de livrarias independentes nos EUA cresceu mais de 20%. No mesmo período, as grandes redes perderam espaço: a Barnes and Noble, uma das mais famosas do mundo, reduziu seu faturamento, e a Borders, outra rede tradicional, pediu falência. As duas haviam incorporado o conceito de “megastore” nas últimas décadas, não só no tamanho como no foco dos produtos: a preferência recaiu sobre os livros novos e os best sellers, como qualquer megastore. 

A questão é que o comprador de livros não busca o mesmo que o comprador de videogames, DVDs ou tecnologias em geral. Este procura sempre o novo, aquele nem sempre: podem interessar-lhe tanto o último best-seller quanto o clássico empoeirado. Descartar o estoque mais antigo como quem descarta algo ultrapassado é um erro grave – e, segundo Karabell, foi este o erro cometido pelas grandes redes. Há leitores de vários tipos, que buscam livros de vários tipos. Todos têm seu valor.

As lojas independentes nunca esqueceram disso. E, com o crescimento das megastores, das lojas de shopping e das vendas virtuais, ganharam – sem precisar fazer nada – mais um grande atrativo: o da antiguidade. Num mundo onde o contato físico e pessoal está cada vez mais restrito, estas livrarias proporcionam ao leitor uma experiência social e cultural nem sempre fácil de se obter hoje em dia. Como disse Oren Teicher, CEO da American Booksellers Association, “o amálgama de conhecimento, inovação, paixão e sofisticação das vendas de livros independentes criou uma experiência de compras única”. E isto, esta experiência, jamais será substituída por uma megastore. Eis, portanto, a arma mais poderosa que uma livraria dessas pode ter. Cabe a cada uma delas saber usá-la para sobreviver nesta guerra contra a tecnologia.

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