Anúncios
Cinema

99 anos de Olivia de Havilland

Olivia_de_Havilland_as_Melanie_Hamilton_in_Gone_With_the_Wind_trailer

Impossível deixar passar em branco a  data em que uma lenda viva, estrela de um dos filmes mais inesquecíveis de todos os tempos, completa 99 anos.

Olivia de Havilland, atriz que deu vida à doce Melanie Hamilton, de “…E o vento levou”, nasceu em Tóquio, no Japão, em 1º de julho de 1916, onde seu pai trabalhava como advogado. A veia artística provém da mãe de Olivia, que era atriz de teatro, e usava o nome artístico de Lillian Fontaine, sobrenome posteriormente usado pela irmã de Olivia, a também atriz (e musa de Hitchcock) Joan Fontaine.

Sua carreira teve início no teatro, trabalhando com o diretor austríaco Max Reinhardt, que a oportunizou a chance de interpretar a personagem  Hermia, de Sonho de uma noite de verão. Foi ele quem a levou a Hollywood quando, convidado pela Warner Bros para dirigir a versão cinematográfica da peça, convidou a Olivia para viver nos cinemas a personagem que até então havia interpretado no teatro.

Olivia chamou a atenção por sua delicadeza natural, e sua atuação neste filme ensejou a celebração de um contrato de sete anos com a Warner Bros. Nestes primeiros anos, atuou em filmes ao lado do então jovem Errol Flyin, formando um dos casais mais queridos da história do cinema. Fizeram oito filmes juntos, quais sejam:  Capitão Blood, A carga da brigada ligeira (“The Charge of the Light Brigade”, 1936), As aventuras de Robin Hood (“The Adventures of Robin Hood”, 1938), Amando sem saber (“Four’s a Crowd”, 1938), Uma cidade que surge (“Dodge City”, 1939), Meu reino por um amor (“The Private Lives of Elizabeth and Essex”, 1939), A estrada de Santa Fé (“Santa Fe Trail”, 1940) e O intrépido general Custer (“They died with their boots on”, 1941).

olivia e errol em dodge city

Olivia e Errol em “Dodge City”

I was called for a test, simply a silent test, just to see how the two of us in costume would look together, and that’s when I first met him. And I walked onto the set, and they said, “Would you please stand next to Mr. Flynn?” and I saw him. Oh my! Oh my! Struck dumb. I knew it was what the French call acoup de foudre. So I took my position next to him, and I was very, very formal with him because that is the way you were in those days. We had never met. We had never met, and we just stood there next to each other. Oh! (Olívia, sobre seu primeiro encontro com Errol)

 Jack Warner não gostou muito da ideia de permitir que Olivia atuasse pela “Selznick International Pictures” na versão cinematográfica do best seller de Margaret Mitchell (para quem não sabe, autora do livro “Gone with the Wind). Reza a lenda que Olivia precisou socorrer-se junto à esposa de Jack para conseguir o consentimento. Aliás, esse foi o primeiro de muitos embates travados entre Olivia e a Warner Bros.

Desnecessário dizer o impacto causado por “…E o vento levou” na carreira – e vida – de Olivia. Quem leu o livro pode atestar o quão perfeita foi a escolha da atriz para interpretar o papel de Melanie. Como uma luva.

“Vivien was just a marvel. She was a hard worker, highly professional, a marvel, and between scenes, she had this other capacity. It took a long time to light up the sets as you can well imagine Technicolor in those days. Three cameras, all of these strips of film, three-strip cameras, and all of that required quite special lighting and a lot of time to set the scenes in that way. So Vivien, in between, would find a little quiet place on the set, and she and [Clark] Gable would play a game called Battleship, and occasionally, they would invite me to join them, and I would play. The assistant director would come and give us warning. He would say, “Ten minutes,” something like that, and I would excuse myself to go back to my dressing room, not only to check the makeup, but also try to recapture the character of Melanie, which often, just looking in the mirror — because the costumes, and the hair and all of that did express her so well — I would need that time. Not Vivien. She would leave. They would say, “We’re ready to shoot or ready to rehearse,” and she would get up from the game of Battleship, go straight into the scene, and play it brilliantly. She was fabulous, fabulous.” (Olívia, sobre Vivien Leigh).

Entrevista com ela .

imagem

Foi indicada ao Oscar por “…E o vento levou”, disputando o prêmio de melhor atriz coadjuvante, o qual foi vencido por Hattie McDaniel, a memorável Mammy, do filme.

Após o sucesso de …E o vento levou, Olivia retornou à Warner. Os desentendimentos continuaram, sendo conferido à Olivia papeis não condizentes com o seu novo status de estrela. Em um destes papeis (um papel secundário em Meu reino por um amor), conheceu Bette Davis, de quem se tornou amiga, e com a qual estrelou outros filmes, dentre eles Com a maldade na alma (“Hush… Hush, Sweet Charlotte”, 1964).

Em 1941 atuou no filme “Hold Back the Dawn”, pelo qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar, na categoria de Melhor atriz principal, sendo derrotada por sua irmã (e desafeta), Joan Fontaine, premiada por”Suspicion”, de Alfred Hitchcock.

Com sua ascensão, seja em popularidade, seja em termos de crítica, Olivia começou a se insubordinar contra o tratamento de certa forma tirânico conferido pelas produtoras a seus atores. Isso porque, à época, os atores não detinham muita autonomia em suas escolhas. Cumpria-lhes, apenas, submeterem-se às decisões profissionais do estúdio ao qual estavam vinculados.

Nesse contexto – e dado o sucesso de Olívia no papel da doce Melanie – para ela, por óbvio, eram escolhidos os papeis de moças indefesas e ingênuas. Irritada com esse tratamento que, a seu ver, ceifava-lhe a possibilidade de desenvolver todo o seu potencial, Olivia se rebelou. Revelando uma personalidade rebelde, passou a recusar papeis que não lhe interessavam, o que lhe acarretou uma suspensão em seu contrato.

 Quando seu vínculo com a Warner findou, em 1943, a produtora ainda pretendia que Olivia trabalhasse por seis meses, sem receber, em virtude do período em que esteve suspensa. Foi a gota d’água: Olivia ajuizou uma ação contra a Warner, litígio que durou durante dois anos, durante os quais a atriz esteve afastada do cinema. A decisão que sobreveio neste processo foi revolucionária: o poder dos estúdios sobre os atores foi reduzido e Olivia pôde, enfim, encerrar seu vínculo junto a Warner. A decisão ficou conhecida como  “Decisão De Havilland”. Olivia passou a ser conhecida como grande defensora dos direitos dos atores, o que lhe rendeu elogios inclusive de sua irmã, Joan Fontaine.

A partir de então, passou a ser destinatária de uma série de papeis mais variados. Fez três filmes com a Paramount, dentre eles o famoso  Tarde demais (“The Heiress”, 1949), pelo qual recebeu seu segundo Oscar e célebre elogio da maior vencedora da história da premiação: Katherine Hepburn: “Não exagere; observe Spencer Tracy, Humphrey Bogart… ou melhor, observe Olivia de Havilland em Tarde demais, e verá o que é uma atuação superior a tudo.”

Aliás, os elogios eram uma constante na carreira de Olivia. Em “A cova da serpente” interpretou uma pessoa com problemas mentais, papel para o qual estudou com afinco, com o fito de alcançar a excelência na interpretação. E teve sucesso, sendo indicada novamente ao Oscar.

Nos anos 50, cabe destacar o convite recebido para interpretar Blanche Dubois em “Uma rua chamada pecado”. A recusa de Olivia ao papel ensejou o convite à Vivien Leigh, que recebeu o seu segundo Oscar pelo papel.

Já nos anos 60, contracenou pela última vez com a amiga Bette Davis. Bette havia filmado, anos antes, “O que terá acontecido com Baby Jane”, filme no qual atuou com sua histórica desafeta, Joan Crawford. O sucesso foi gigantesco, e trouxe novamente para os holofotes algumas das gloriosas atrizes dos anos 30/40, dentre elas,Olivia. A ideia inicial era que, novamente, Bette e Joan contracenassem em Com a maldade na alma. Joan recusou o papel. A saída foi chamar Olivia de Havilland, amiga de Bette. As filmagens foram tranquilas, e o filme, um sucesso de bilheteria, com sete indicações ao Oscar.

tumblr_static_otps

Bette Davis, Leslie Howard (o Ashley Wilkes, de …E o vento levou) e Olivia de Havilland

tumblr_nj0gliOx721qg8r34o1_500

Olívia de Havilland com sua filha Gisele Broida

Olivia seguiu atuando até a década de 80, em filmes e séries de televisão. Hoje, reside em Paris e segue participando de eventos, sendo constantemente homenageada – justamente – por sua inestimável contribuição ao cinema. Em 1962,publicou livro de memórias intitulado “Every Frenchman has one” sobre sua experiência em Paris após o casamento com o editor da revista francesa “Paris Match”, Pierre Galante.

1353384_orig

Olivia e Angelina Jolie, em 2004, no Premiere Women in Hollywood Awards.Olivia venceu o Premiere Legend Award.

Para nós, amantes da sétime arte, cumpre celebrar a vida, a rica e fantástica vida de Olivia, tão fantástica quanto suas atuações inesquecíveis. Uma vida que, até hoje – assim com a interpretação da eterna Melanie Hamilton – é marcada por um misto de força e doçura. Feliz aniversário, Miss De Havilland!

Anúncios

Sobre Yassmine Uequed Pitol

Yassmine Uequed Pitol nasceu em Porto Alegre em 30 de maio de 1984. Graduada em Direito em 2011 pela Uniritter. Pós graduada em Direito do Consumidor pela Ufrgs (2014). Cursou Artes Visuais na Ufrgs.Atualmente cursa Pós Graduação em Direito Processual Civil na Uniritter e mestrado em Direito no Unilasalle. Yassmine gosta de jogar futebol e de correr. Pintora e desenhista, acompanha futebol, filmes, seriados, música e tênis. No Perspectiva Onlina, escreve sobre tudo isso e muito mais.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Anúncios

Apoio

INSTAGRAM DA ARTISTA YASSMINE PITOL

Greta é fã de "...E o vento levou" #gonewiththewind #cats #art 💙 Um processo (MUITO) demorado #oilpaint #art #arts #draw Antes e depois de pintar. #watercolor #art 💙💙💙 #cats

Mais recentes

Estatísticas do blog

  • 2,303,226 visitas
%d blogueiros gostam disto: