Cinema

…E o vento levou (…Gone with the wind)

Como parte das homenagens à incrível atriz Olívia de Havilland, que completou 99 anos ontem, dia 01/07/2015, publicamos resenha sobre um dos maiores filmes da história do cinema e de sua carreira.

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Quadro de cena do filme (obra de Yassmine Uequed Pitol)

Filmes que são vistos e revistos. Filmes que inspiram comportamentos. Filmes cujas cenas são repetidas, muitas vezes praticamente sem variantes em outros filmes. Filmes cujas trilhas sonoras são imediatamente reconhecidas. Enfim, filmes inesquecíveis. Esta a proposta destes amantes de cinema para uma nova Série neste blog. E começamos com “…E o vento levou”, o típico filme para o qual é válido o epíteto “eterno”. O início do filme, o som, a música e as cores já seduzem o espectador. Legítimo caso de amor à primeira vista.

O diretor Victor Fleming estava em um momento de grande inspiração naquele ano de 1939, já que , além de “…E o vento levou” dirigiu “O mágico de Oz”. Não foi por acaso que a Academia de Hollywood distinguiu o filme com dez Oscars, um deles para Hattie McDaniel, a inesquecível Mammy e a primeira atriz negra a receber o prêmio. Além disso, ganhou de melhor filme, sendo o primeiro feito originalmente a cores – e convenhamos que cores – melhor diretor, melhor atriz (Vivien Leight), melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor edição e melhor roteiro. Tudo isso quer dizer alguma coisa.A abertura já nos coloca no clima proposto. Impossível não se emocionar com a frase inicial, uma prévia do que estava por vir: a destruição do mundo de cavalheiros e damas apresentado no início do filme.

There was a land of Cavaliers and Cotton Fields called the Old South. Here in this pretty world, Gallantry took its last bow. Here was the last ever to be seen of Knights and their Ladies Fair, of Master and of Slave. Look for it only in books, for it is no more than a dream remembered, a Civilization Gone with the Wind…”

Curiosamente, foi a destruição deste mundo que proporcionou a Scarlett se tornar a mulher forte e decidida, que inspirou gerações mundo afora. Antes da guerra, era uma menina sulista mimada, infantil e irresponsável, cujo único interesse era flertar com os rapazes da região e tentar conquistar o coração de Ashley Wilkes. A partir do momento em que o mundo a sua volta começa a ruir, Scarlett se vê forçada a abandonar  seus antigos hábitos em nome de sua sobrevivência e daqueles ao seu redor, que mesmo a criticando dependem de sua força e determinação. Assume a responsabilidade de gerenciar o que restou de sua família. Gradativamente, a menina mimada vai dando lugar à Scharlett O’Hara, que não se abate em momentos de dificuldade e que sempre encontra solução para os ( muitos) problemas que surgem.

Seu novo padrão comportamental se faz notar em cenas como a que ela confeciona um vestido a partir de uma cortina. Ouquando ela atira, sem dó, no ianque que invade Tara.Fria, inconformada e destemida: esta é Scarlett O’ Hara.A cena na qual afirma que jamais passará fome novamente é uma das mais impactantes do filme. Passa a assumir a postura que vinha sendo moldada desde o início da guerra: o abandono das atitude da mimada sulista e aceitação de sua verdadeira personalidade.

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Comovente também o relacionamento de Scarlett com Melanie. Inicialmente, a personagem de Olívia de Havilland era, por assim dizer, a rival de Scarlett, pois era noiva de Ashley Wilkes.  Todavia, Melanie não tinha noção de que Scarlett a via desta maneira, pelo contrário: a futura Sra. Wilkes gostava do jeito de Scarlett, tão diferente do seu. Scarlett, por outro lado, tinha desprezo pelo jeito calmo e pacífico de Melanie. No desenrolar da trama, Melanie, já casada com Ashley, passa a ter problemas de saúde, devido à gravidez e Scarlett passa, gradualmente, a se tornar sua companheira. Começa a cuidar de Melanie, a zelar por sua segurança e saúde, colocando, muitas vezes, sua própria vida em risco. Mas engana-se quem pensa que Scarlett passou a gostar de Melanie: muito pelo contrário. Apesar do companheirismo, a filha do Sr. O’hara seguia desprezando a fraqueza da “rival”, apenas se dando conta do valor de sua amizade quando Melanie estava prestes a falecer.

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Rhett Butler, personagem de Clark Gable, era compatível com Scarlett, seu parceiro, companheiro de trapaças e de idéias. Não tinha vergonha de fazer o que fosse necessário  para sobreviver em tempos como aqueles. Scarlett o  criticava por ser desta maneira. O criticava hipocritamente, visto que ela, em condições semelhantes, agiria da mesma forma que ele.  Rhett era apaixonado por Scarlett e conseguiu casar-se com ela através de uma proposta que seria, financeiramente, vantajosa para ambos. Entretanto, Scarlett negava-se a aceitar que aquela vida com Rhett poderia vir a lhe proporcionar felicidade (felicidade esta que, que de fato, estava acontecendo). Não se deixava libertar da figura presente de Ashley Wilkes, que ela conservava em mente como símbolo de perfeição. O relacionamento de Scarlett e Rhett é arrebatador, o amor negado, do permanente desencontro, que acaba por desaguar em ressentimento e mágoa.

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Ao longo do filme Scarlett seguia acreditando que seu lugar era ao lado de Ashley. Rhett Butler, o canalha encantador vivido por Clark Gable, tentava, de todas as formas, abrir os seus olhos. Ashley jamais seria o que ela precisava: ela estava apaixonada por uma idéia, por um sonho, não pelo homem de verdade. Ashley também sabia que Scarlett nunca seria a mulher certa para ela. Ashley assevera, no início do filme:

 ” How could help loving you- you who have all the passion for life that I lack? But that kind of love   isn´t enought to make a successful marriage for two people who are as different as we are”.

Ashley sabia que incompatibilidade não gera felicidade. Talvez este tenha sido o grande erro de Scarlett ao longo do filme: idealizar a felicidade em um homem que não existia, em um personagem perfeito que ela mesma criara, personificado na figura de Ashley Wilkes. Apenas ao vislumbrar um momento de fraqueza de Ashely (já no final do filme) é que Scarlett parece se dar conta de que jamais o conhecera de verdade. Parece perceber que, esse tempo todo, endeusava um homem que, de fato, não existia. 

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O relacionamento dos personagens tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana, retratada com maestria. É difícil acreditar que tenha sido possível tamanha perfeição de cenário em 1939, quando nem se imaginava a existência dos recursos digitais que tanto auxiliam o cinema atual. 

“E o Vento Levou…” segue influenciando os cineastas. Basta prestar um pouco de atenção para visualizar cenas claramente inspiradas no clássico em diversos filmes. Até mesmo em filmes infantis. Como exemplo, a cena de Aristogatas, em que o cachorro Napoleão orgulhosamente afirma ser o chefe e determinar o momento em que ele e seu companheiro deveriam atacar com a que o feitor Big Sam diz para outro escravo que havia mandado o serviço parar: “Eu sou o feitor, eu digo quando é hora de parar”. 

Inspirado no romance homônimo de Margarethe Mitchel, “…E o vento levou” é uma experiência cinematográfica inesquecível. Embalado pelo som maravilhoso de “Tara`s Theme” o filme que parou o mundo em 1939 permanece sendo referência quando o assunto gira em torno da magia do cinema. Passam os anos, mudam os costumes e os valores e a história de Scarlett O’Hara e Rhett Butler segue atual, encantando e influenciando.

Sobre Yassmine Uequed Pitol

Yassmine Uequed Pitol nasceu em Porto Alegre em 30 de maio de 1984. Graduada em Direito em 2011 pela Uniritter. Pós graduada em Direito do Consumidor pela Ufrgs (2014). Cursou Artes Visuais na Ufrgs.Atualmente cursa Pós Graduação em Direito Processual Civil na Uniritter e mestrado em Direito no Unilasalle. Yassmine gosta de jogar futebol e de correr. Pintora e desenhista, acompanha futebol, filmes, seriados, música e tênis. No Perspectiva Onlina, escreve sobre tudo isso e muito mais.

Discussão

Um comentário sobre “…E o vento levou (…Gone with the wind)

  1. Parabéns! Filmes clássicos e ótimos como este, merecem também uma resenha a altura. Aguardo ansiosamente por mais.

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    Publicado por Eder Vicente | 2 de julho de 2015, 09:08

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