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Grécia: sim ou não?

Alexis Tsipras no Parlamento grego

Como todos sabem, a Grécia já abandonou a sua condiçao de nação guerrilheira anti-capitalista, até recentemente saudada pela esquerda do mundo todo, e aceitou o acordo proposto pelo Banco Central Europeu estabelecendo uma série de metas fiscais e de outras naturezas a serem cumpridas. Seu primeiro-ministro, Alexis Tsipras, acabou de submetê-lo à aprovação do parlamento e defendeu-o perante os 300 deputados da casa, onde tem maioria.

O esforço de Tsipras foi bem sucedido: o Parlamento grego aprovou o plano da UE, com 229 votos. E é um plano duro: inclui a privatização da rede elétrica do país, aumento de impostos e cortes no sistema previdenciário. Tudo isto sem qualquer promessa de perdão da astronômica dívida dos gregos.

A questão é a seguinte: o Alexis Tsipras que agora aceitou as medidas de austeridade foi o mesmo que, há alguns dias, dizia-se contrário a ele. Mais: submeteu a referendo popular, no último dia 5 de julho,o acordo original proposto pela UE, muito parecido a este que acaba de aceitar. E o resultado foi uma esmagadora vitória do “não” – opção que ele próprio, Tsipras, defendia publicamente.

Nada menos do que 40 deputados do Syriza, partido de Tsipras, votaram contra o acordo. Há receio de racha interno no partido, de resto já evidenciado quando Yanis Varoufakis, então todo-poderoso ministro das Finanças grego, decidiu sair do governo sem explicações convincentes.

Sobre o acordo, Tsipras declarou o seguinte:

“O governo não acredita nestas medidas. Faremos o possível para proteger o nosso povo de medidas nas quais não acreditamos mas que nos forçam a implementar”

O que coloca a situação da seguinte forma:

– O povo grego, no referendo, disse não ao plano de austeridade;

– Os parlamentares gregos,  representantes deste mesmo povo, disseram um decidido sim a este plano;

– Tsipras, o chefe de governo, diz não acreditar no plano, mas o implementa e defende;

– Parte significativa dos partidários de Tsipras rejeita terminantemente o acordo que o seu líder aceitou.

A crise grega é econômica e política. A classe dirigente do país não tomou para si a responsabilidade pelo acordo que ela mesma aceitou; os apoiadores desta mesma classe não lhe dão sustentação; e a grande maioria do parlamento vota de maneira contrária ao que pensa o povo. Ao Executivo falta firmeza e o Parlamento não ecoa a voz popular. É uma situação complicadíssima.

Em momentos de crise profunda como esta, é necessário que a Grécia diga um decidido “sim” ou um decidido “não” a um tema tão importante para o futuro de seu país. Uma só voz, coerente e unificada, para um lado ou para o outro. E é tudo o que não está acontecendo.

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