Livros, Mundo

“A política externa norte-americana e seus teóricos”, de Perry Anderson

“A política externa norte-americana e seus teóricos” (Boitempo, 199 páginas, tradução de Georges Kormikiaris) é o mais recente livro do historiador britânico Perry Anderson. Trata-se de uma coleção de artigos publicados na “New Left Review” sobre a história da política externa dos EUA através dos homens que a forjaram – isto é, os pensadores e os líderes políticos – desde o período de Independência até os nossos dias.

O livro divide-se em duas partes: na primeira, “Império”, Anderson nos oferece um longo panorama sobre a evolução da política externa americana, entendendo-a como um fluxo contínuo que inicia nos primeiros anos de vida independente do país e estende-se até os dias de hoje. Este fluxo é impulsionado por várias condições particulares, em particular aquelas que Anderson denomina “subjetivas”: a ideia de que os EUA eram uma nação privilegiada, “escolhida” por Deus, e a de que seu sistema político era uma realização perfeita, a ser imitada por todos os povos que aspirassem à liberdade. Estas condições subjetivas estão presentes, de uma forma ou de outra, modificadas aqui ou ali, em todos os atores analisados por Anderson nesta obra, estejam eles à esquerda ou à direita. Com isto posto, ele passa então a fazer uma análise da estratégia americana a partir do momento em que o país, já formado, começa a atuar na arena internacional.

Na segunda parte, “Conselho”, Anderson passa às leituras dos pensadores que vêm embasando as mais recentes ações do governo norte-americano. Esta parte tem momentos particularmente inspirados: Anderson empresta o seu olhar de excelente leitor ao trabalho de autores como Walter Russell Mead, John Ikenberry e Zbigniew Brzezinski, entre muitos outros. Destaca-se aqui a análise da obra de Robert Kagan, teórico neoconservative muito distante de Anderson no plano intelectual mas que merece-lhe respeito e admiração em muitos pontos (bem mais, diga-se,  do que dedica aos teóricos “de esquerda” ou liberals, no peculiar jargão político americano). Ao fim desta parte há um apêndice do autor sobre a obra de Francis Fukuyama, à qual Anderson já dedicou um livro, infelizmente ainda não publicado no Brasil.

Saímos da leitura com uma visão muito clara de quem é e o que pretende esta elite intelectual e política que comanda os destinos dos EUA : é uma elite plenamente autoconfiante, detentora de todas as respostas para todas as perguntas e com um plano de governo mundial que resiste a todo tipo de oposição interna ou externa. Uma elite que não ouve ninguém e crê ter Deus ao seu lado. E que sabe se fazer ouvir e realizar o que quer.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Apoio

http://www.rainhadasnoivas.com.br/

Curta o Perspectiva no Facebook

Mais recentes

Estatísticas do blog

  • 2,116,638 visitas
%d blogueiros gostam disto: