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Esportes

Aguirre e a falta de convicção no Internacional

A chegada de Diego Aguirre ao Internacional não foi com pompa e circunstância. O clube gaúcho tentou Tite e sondou mais meia dúzia de profissionais até a surpreendente contratação do técnico uruguaio, vice-campeão da América em 2011 com um bravo Peñarol. O próprio técnico, à época, anunciou em publicação de seu país: “Fui a sétima opção”. Ou seja: sua chegada ao Inter ficou marcada mais pelo esgotamento de outras opções do que pela convicção de diretoria, fundamental para bancar e dar seqüência ao trabalho de um técnico estrangeiro em um país com cultura de futebol com tanta dificuldade em aceitar e adaptar o trabalho de profissionais de fora do país.

Em pouco mais de 7 meses, Aguirre conquistou o campeonato estadual, não perdeu nenhum clássico Gre-Nal e obteve 60% de aproveitamento nas suas 48 partidas à frente do Inter (24 vitórias, 15 empates e 9 derrotas). No principal objetivo do clube no ano, a Copa Libertadores da América, foi até a fase semifinal, com alguns momentos marcantes durante a campanha.

Sua demissão nesse momento, às vésperas de um clássico pelo Campeonato Brasileiro, mostra o que já se sabia desde o início: a diretoria do Internacional nunca teve convicção absoluta no trabalho do treinador. Além da contratação emergente, o treinador esteve a perigo dezenas de vezes em sua curta trajetória no clube gaúcho. A cada atuação mediana ou resultado ruim, o boato de uma possível demissão emergia. A eliminação no torneio continental foi a última gota em um copo que sempre esteve pronto para derramar. Aguirre foi apenas tolerado por clube e imprensa na maior parte dos momentos.

A direção do Inter fala em “fato novo” e que o time “podia mais” para justificar a demissão do treinador. Será que podia? Nilmar e Aránguiz jogaram com a cabeça longe do time, desejando transferências. As laterais eram problemáticas – e mais problemáticas ficaram quando o problemático Fabricio criou problemas. Creditar apenas a Aguirre o fracasso na competição e impedir a seqüência do trabalho é um caminho mais simples para uma diretoria que tenta se eximir de responsabilidade. Aguirre é mais uma vítima da falta de convicção clássica dos clubes brasileiros com treinadores, ainda mais com os estrangeiros.

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