Já falamos aqui no Perspectiva sobre como o candidato à presidência do Partido Trabalhista inglês, Jeremy Corbyn, vem chamando a atenção pela sua retórica radical.
Os adversários de Corbyn qualificam seu discurso como setentista. É uma referência que só entenderá quem conhece algo da história do trabalhismo na Grã-Bretanha: diz respeito aos governos do Labour nos anos 70, marcados pela nacionalização de setores estratégicos da economia, impostos progressivos, forte intervenção estatal e retórica dúbia sobre a Guerra Fria (pairava sobre seus membros a suspeita de serem agentes de Moscou).
Corbyn propõe algo parecido se chegar ao poder; mas sua base de apoio não vem dos velhos trabalhistas, que viveram aquela época e gostariam de a ela retornar. Vem dos jovens – que do trabalhismo só conheceram Tony Blair e o seu “New Labour”, mais centrista do que esquerdista e mais capitalista do que qualquer outra coisa.
E por que os jovens preferem Corbyn? Há quem explique pela falta de representatividade dos novos políticos britânicos, que não conseguem chegar ao eleitorado mais novo. Outros falam no desinteresse destes mesmos políticos por medidas direcionadas à juventude. O fato é que o número de jovens filiados ao Labour cresceu enormemente desde o lançamento da candidatura Corbyn. E eles se fazem sentir: organizam passeatas, eventos, palestras.
E é bem provável que se façam sentir também a partir do dia 14 de agosto de 2015, quando terão início as votações para a presidência do Partido Trabalhista.