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Mundo

Grécia e Israel: uma relação tranquila

O ministro da defesa grego, Panos Kammenos, e o seu colega israelense, Moshe Ya’alon.

A Grécia está mesmo decepcionando muitos de seus apoiadores mais recentes.

De mais ou menos um mês para cá, o Syriza, partido do governo, passou de guerrilheiro da resistência anti-austeridade na Europa a subserviente aos planos econômicos da UE. O resultado foi um desapontamento generalizado na esquerda do mundo inteiro – que até então celebrava a atitude dos gregos e a admirava.

Agora veio a notícia que sepulta de vez essa admiração: o acordo militar entre Grécia e Israel, celebrado em Tel Aviv no último dia 20 de julho. Seu teor inclui a organização de exercícios militares conjuntos e estabelece os marcos da cooperação industrial militar e da segurança marítima entre os dois países.

Somente um outro país em todo o mundo tem um acordo destes com Israel: seu inquebrantável parceiro, os Estados Unidos.

Assinaram o acordo o ministro da defesa israelense, Moshe Ya’alon, e o seu colega grego, Pannos Kamenos. Integrante do partido de extrema-direita Gregos Independentes, Kammenos já fez declarações antissemitas em mais de uma ocasião; mas parece ter deixado suas antipatias de lado, ao menos temporariamente: para ele, “o povo grego é muito próximo ao povo de Israel” e teme tanto quanto os israelenses a ação dos mísseis iranianos na região do Mediterrâneo.

Ya’lon, por sua vez, tem outros temores: classificou os palestinos como um “câncer” a ser extirpado. Os mesmos palestinos que Alexis Tsipras, o líder do Syriza, defendeu em mais de uma ocasião, reproduzindo a retórica pró-Palestina comum a quase todos os partidos da esquerda europeia.

Da retórica à ação há, como se sabe, alguma distância. E quem afirmou isso – ou mais ou menos isso – foi o embaixador grego em Israel, Spyridion Lampridis, quando o Syriza venceu as eleições. Os israelenses não costumam simpatizar com os partidos de esquerda nos governos europeus, por razões fáceis de se imaginar. Lampridis – que sabe cantar o hino nacional israelense em hebraico, e já o cantou mais de uma vez – fez questão de tranquiliza-los, lembrando que partidos radicais costumam assumir uma postura mais pragmática quando assumem o poder.

Os israelenses, se chegaram a ficar preocupados, agora seguramente estão bem tranquilos. Tranquilos como as águas do Mediterrâneo, uma das muitas coisas que compartilham com os seus aliados gregos.

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