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Everybody hates Jeremy

“Why do they hate me?”

Pedimos desculpas aos leitores do Perspectiva por voltarmos a este tema, mas é inevitável. A eleição para a presidência do Partido Trabalhista britânico está ficando hilariante.

Relembrando: Jeremy Corbyn, representante da ala à esquerda do Labour, lidera as pesquisas de intenção de voto por larguíssima margem: 53%, muito à frente do segundo colocado. Admirador de Karl Marx e defensor da estatização de importantes setores da economia, Corbyn era, há até uns dois meses, uma quase excentricidade na disputa pela liderança do partido. Hoje é uma realidade. E uma realidade incômoda.

Os conservadores britânicos, seus adversários, começaram a agir a partir do seu crescimento. Os Tories, como são chamados na Inglaterra, já prepararam um dossiê contra Corbyn ressaltando suas supostas ligações com o IRA, o Hamas e o Hezbollah, além de criticar as soluções socialistas que ele oferece para a economia britânica.

Até aí, nada de anormal e inesperado. Mas a oposição a Corbyn não se resume aos tradicionais adversários: está também dentro do seu próprio partido.

Tony Blair, o ex-primeiro ministro britânico que representa o exato oposto de Corbyn dentro de seu partido – isto é, a quase-aproximação com a direita – está desesperado. Há um mês, disse que não se envolveria na disputa pela presidência do partido, o que seria de se esperar de um líder do seu tamanho. Há uma semana, porém, mudou de idéia e sugeriu aos que têm Corbyn no coração que “realizassem um transplante”. Agora veio a público dar um ultimato: “mesmo que você me odeie, não vote nele”.

Alastair Campbell, ex-braço-direito de Blair, não está mais tranquilo do que ele. Em artigo publicado recentemente, enumerou cinco pontos segundo os quais o filiado trabalhista deve votar em qualquer candidato exceto Corbyn. Nenhum deles parece mostrar-se particularmente convincente, tendo em vista o crescimento de sua candidatura.

A retórica catastrofista contra Corbyn é partilhada pelos seus adversários na disputa pela Presidência, que ao menos têm a desculpa de estarem atacando o seu oponente. Yvette Cooper, pro exemplo, diz que sua política econômica não pode ser posta em prática: ele não é radical, ele simplesmente não é confiável, diz ela.

Corbyn é antiquado, é radical, é um retorno à “dark age”, é um atraso, é feio, é bobo. A direita o odeia por ser de esquerda; a esquerda o odeia por ser demasiado de esquerda. Todos os elegíveis, todos os principais nomes, todos os bambambãs da política britânica estão contra ele. Uma trajetória com tons kafkianos.

Eis aí uma boa matéria para roteiristas e ficcionistas: um líder odiado por todo o establishment que é o político mais popular do país.

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