Entrevistas, Esportes

Entrevista: Tarciso, o “Flecha Negra”, ex-jogador do Grêmio

vlcsnap-2015-09-03-09h35m06s628

por  Celso Augusto Uequed Pitol  e Fábio Uequed Pitol 

Era uma tarde nublada de sábado no estádio Olímpico. Um passe é dado na direção da linha de fundo e Tarciso, o ponta-direita do Grêmio, corre para buscar a bola. Dá uma arrancada impressionante num espaço de menos de 30 metros, deixa o marcador para trás e consegue completar a jogada, contrariando todas as expectativas dos torcedores – inclusive as minhas, que ocupava uma das  cadeiras azuis cobertas pela fina garoa que caía em Porto Alegre naquela tarde.

Milhões de gremistas viram essa cena, ou cenas parecidas a esta, muitas e muitas vezes. Alguns deles, sabendo da minha idade, objetarão que eu, nascido, em 1983, não poderia ter visto Tarciso, o Flecha Negra, disparar pela ponta-direita tricolor: tinha apenas três anos quando ele deixou o clube. De fato, não o assisti nessa época. O Tarciso que vi voar pela lateral do gramado do velho Olímpico abandonara o futebol havia muito e fazia parte do time master do Grêmio que participava da despedida de Danrlei. Tinha então 59 anos de idade. Era, de longe,o jogador mais rápido de todos os que estavam em campo – e, mesmo no elenco profissional do Grêmio de então, ninguém era capaz de escapar pelo lado do campo como ele havia acabado de fazer. E isto não é um exagero. 

Contei esta história ao próprio Tarciso na quinta-feira da semana passada, em seu gabinete na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, onde ele nos concedeu esta entrevista que segue abaixo. Perguntei se ele lembrava do lance. Ele riu e disse: “É, essa jogada impressionou muita gente….”

Tarciso responde a esta e outras indagações nossas com a fala tranquila dos mineiros, temperada com algo de assertividade gaúcha quando o tema se torna mais sério e adornada, aqui e ali, por um “tchê” no final das frases. O que é natural: em 2015, ele completa nada menos do que quarenta e dois anos residindo em solo rio-grandense. Destes, treze foram dedicados ao Grêmio, onde disputou nada menos do que 721 partidas, sendo o atleta que mais vezes vestiu a camiseta tricolor.

Chegou ao clube em 1973, quando o Inter ganhava tudo e o Grêmio limitava-se a formar bons times que não ganhavam nada. Viu o clube amargar um lugar secundário por anos; ajudou a preparar reação, em 1977, quando, atuando na ponta-direita pela primeira vez por obra de Telê Santana, transformou a sua camiseta 7 em um daqueles números icônicos de mitos esportivos, repassando-a depois a Renato quando este subiu para o profissional como um rei passa um cetro ao seu sucessor. Suas arrancadas, produto de um físico privilegiado de corredor de 100 metros rasos – que ele completava em 10 segundos cravados -, terror de zagueiros e laterais do Rio Grande, país e do mundo, levaram-no à seleção brasileira em 1978. A partir daí vieram as conquistas do Campeonato Brasileiro em 1981, da Libertadores de 1983 e do Mundial do mesmo ano. Foi o único jogador a participar de todo o processo de ascensão do Grêmio de clube regional a potência do futebol mundial, iniciado na vitória épica de 1977 e culminado com os dois gols de Portaluppi naquela madrugada de dezembro de 1983.

Tamanha identificação com o clube parecia ser uma obra do destino. Afinal, José Tarciso de Souza, filho de um ferroviário e irmão de oito,  nasceu na cidade de São Geraldo, em meio às montanhas de Minas Gerais no dia 15 de setembro de 1951. O mesmo dia em que o seu amado clube faz aniversário. E, quando lembramos isso a ele, responde naquela mesma voz calma de mineiro tranquilo entre as bravatas altissonantes de gaúchos:

– É, foi o destino.

Tarciso nos fala disso, e de muito mais, na entrevista que segue. 

*       *          *         *

Onde nasceste?

Minha cidade, São Geraldo, fica pouco depois de Juiz de Fora, a cidade onde nasceu Itamar Franco. Uns cento e poucos quilômetros, com duas horas de viagem. A cidade fica num vale, e há muito minério de ferro nas montanhas em volta. Meu pai e meus irmãos eram da Companhia Ferroviária e trabalhavam nessas montanhas, puxando minério no trem. Os trens puxavam 80, 100 vagões para Volta Redonda, a chamada “cidade do aço”. Eu convivi com isso até os meus 13 anos.

Depois, quando comecei a jogar, passei a viajar para outras cidades. Joguei com o Reinaldo, que viria a ser centroavante do Atlético. Aliás, eu iria para o Atlético, mas ele acabou indo para lá e eu acabei indo para o Rio. Tentei no Vasco, no Fluminense, no Flamengo, no Botafogo, no América.Eu amava o futebol! Eu dormia com a bola. Naquela época a bola de couro era muito rara e eu dormia com ela, engraxava como se engraxa um sapato….e mesmo assim, quando molhava, ficava com uns 2kg de peso (risos).

Torcia para quem?

Eu torcia para o Vasco. A região de Minas de onde eu venho é muito influenciada pelo Rio e lá as pessoas, em geral, torcem para os clubes cariocas. Peguei a época de gente como Ademir Queixada (centroavante da Seleção Brasileira na copa de 1950) no ataque do Vasco. Tinha meu time de botão com todos os nomes dos jogadores, era uma paixão imensa. Eu vivia pensando em futebol.

Lá em Minas nossa televisão pegava mal. Mal se via os detalhes dos jogadores. E, naquela época os 3 maiores times do país formavam o chamado “Triângulo”: eram Cruzeiro, Santos e Botafogo. Quando um jogava com o outro parava qualquer cidade.

Como conciliava isso com a escola?

Ia para o colégio porque meu pai obrigava, dizia que só poderia jogar se eu fizesse o dever. Eu fiz até o quarto ano primário. E, naquela época, o ensino público era muito bom. Eu sabia quase toda a geografia do Brasil, a maior lagoa, onde ficava a Lagoa dos Patos, a matemática…… o ensino era muito mais forte. Mas o que eu queria era futebol. Queria entrar no Maracanã de qualquer forma, queria só bater bola, não precisava ser jogador, só queria entrar lá. Na televisão, eu assistia os jogos à noite, e não acreditava que o estádio teria luz suficiente para iluminar todo o campo. Na minha cidade natal, só havia umas lâmpadas bem fraquinhas, mal e mal poderia iluminar…. Eu pensava nisso tudo. Aquilo me dominava. Eu era apaixonado pelo futebol, pelo Maracanã.

Como foi a tua ida para o Rio?

Foi um momento difícil. No Rio andei, andei, levei tombo, chorei, sorri, ia num clube, não passava….nas horas vagas trabalhava em lanternagem, aqui se chama de chapeação, trabalhei de office boy…..E aí surgiu o América. Fui fazer um teste lá. E o que chamou a atenção de todos foi a minha velocidade. Nisso eu sempre me destaquei, desde o colégio. Em São Geraldo, na minha escola, eu não disputava porque era hors concours: a professora não me deixava participar das corridas. Eu não entendia porque não me deixavam. Eu dizia que queria correr e não me deixavam porque eu corria muito acima dos demais (risos). Era muito rápido. Aí, quando dei meus 3 ou 4 piques no treino, o treinador já disse que me queria. Nem viu se eu sabia dominar a bola (risos).

Entrou no juvenil do América?

Entrei. Fui artilheiro do campeonato juvenil, onde ganhamos do Flamengo, e passei para o profissional. No final de 69 levei o contrato para o meu pai assinar, porque era menor, e virei profissional. Joguei num bom time do América, com o zagueiro Alex, Dejair, o goleiro Alberto, que foi ídolo do Grêmio e a gente apelidava de “vovô” (risos), Tadeu Ricci….uma época boa.

11911596_891618330886106_1637755401_n

Tarciso recebendo um presente de Yassmine Uequed Pitol, integrante do Perspectiva e autora do quadro “Aqui vivi Loucuras”

E como foi a vinda para o Grêmio?

Isso começou em 1972. Viemos jogar aqui e empatamos em 2 x 2 com o Grêmio. Depois jogamos com o Inter, vencemos por 1 a 0. E em janeiro de 1973 eu recebi uma proposta do Grêmio.

Existe a história de que tu deixaste a zaga do Inter para trás…..

(Risos) Foi assim: eu estava no auge da minha velocidade, no auge da mocidade, da garra, da vontade. Naquela época o futebol brasileiro era basicamente Rio e São Paulo. O antigo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (competição nacional precursora do Brasileirão) era dominado por clubes desses estados. Quase não se ouvia falar do futebol do Sul. Eu lembro que uma vez, na Revista do Esporte, saiu o retrato do Alcindo ,do Grêmio, porque tinha sido convocado. Mas era algo muito raro. Aí ficamos no hotel Everest, e o pessoal dizia que o Figueroa e o Pontes (dupla de zaga do Inter naquela época) iam acabar comigo, e eu olhava para o Jeremias, meu colega do América, e dizia “quem são esses caras?”

Não conhecia?

Não sabia nada (risos). Quem são eles?, eu perguntei. Aí me disseram que eram duas feras na zaga, que ninguém passava por eles. Aí pensei: será que são melhores que os do Botafogo, do Vasco, do Cruzeiro? No jogo, me puseram cinco vezes na cara do goleiro e uma eu guardei. Nosso time era muito bom. Jogávamos com Renato, Edu (que era irmão do Zico), Reis e Badeco, mais eu e o Jeremias na frente. Na época, já jogávamos no 4-4-2. Depois entrou o Tadeu Ricci no lugar do Reis. Quem me deu esse lançamento foi justamente o Tadeu Ricci, que depois veio jogar no Grêmio. Passou um tempo, chegaram as férias e eu recebi um telefonema, me dizendo que um pessoal do Sul queria me contratar. E eu perguntei: “do Sul? Que lugar”. “Porto Alegre”. E eu disse: “Não é aquele lugar frio pra caramba, perto da Argentina?”.

Um lugar não muito convidativo…

(Risos). Havíamos jogado aqui em agosto, num dia de muito frio. Depois do jogo nos serviram conhaque com café, porque as pontas dos dedos estavam congeladas! Aí eu fiquei meio receoso. Mas um cara me disse que o Grêmio era um clube grande, que pagava direitinho, pagava bem. Falei depois com o diretor Cléber Furtado, que foi me buscar. No fim, eu ganharia o triplo do que ganhava no América. Era um sonho que estava se realizando. Arrumei a mala e meio-dia pegamos o voo. Chegamos a Porto Alegre em duas horas.

E aí a história começou.

Começou lenta. Lenta, porque perdi em sequência quatro campeonatos: 73, 74, 75 e 76. Quase fui embora para o Fluminense. Aí, em 1977, o Telê Santana chegou e disse que queria ficar comigo. Pediu que eu renovasse o contrato e disse: tu vai ganhar a camiseta 7. Até então, eu era o 9, centroavante. Não acreditei: “vou tirar o lugar do Zequinha?” (ponta-direita do Grêmio da época). “O Zequinha é o meu ídolo, fazia parte do ataque do Botafogo com o Jairzinho”. Mas ele me disse que o Zequinha iria embora para o São Paulo. Aí eu aceitei. Entrei contra o Cruzeiro ganhamos de 4 a 1, fiz dois gols, dei passe para um, cruzamento para outro e acabei com o jogo. Aí a camisa 7 começou a fazer história.

Queria falar um pouco dessa época. O Grêmio ficou anos sem ganhar um só campeonato, apesar de formar bons times, com craques, jogadores de seleção…

Sim, tínhamos Ancheta, Everaldo, Alcindo….joguei com todos eles. Mas em 1977, mudou tudo. O Telê foi buscar o Eurico para a lateral direita, foi ao Santos buscar o Oberdan, o Corbo para o gol e o André Catimba, que estava fazendo muito gol no Guarani. Trouxe também o Éder, revelação do América-MG, que ele conhecia e de quem gostava muito, e o Tadeu Ricci, de quem ele também gostava. Pegou então os jogadores que já estavam no grupo – eu, o Ancheta e outros – e assim formou um time.

Como era o Telê treinador?

Ele trabalhava muito as jogadas. Sabia quem deveria entrar no primeiro pau, quem deveria sair para o jogo e tudo isso era orientado. Telê era excelente. Como ele e como o Ênio Andrade, com quem trabalhei em 1981, nunca vi. A diferença é que o seu Ênio era mais brincalhão, parceirão dos jogadores, enquanto o Telê era muito sério, te cobrava muito durante a semana para dar certo no domingo.

Ele trabalhava muito durante a semana e, no fim de semana, no dia dos jogos, dizia: “é com vocês agora. Quem achar que não pode, levanta a mão”. Ele não ficava à beira do campo, pois todos estávamos bem orientados. Você sabia quando errava. Se a gente errasse, olhávamos para o banco e dizíamos “desculpa”. Depois do coletivo, treinávamos pênalti, escanteio, faltas, jogada ensaiada, tudo isso por 40 minutos.

Eu era um centroavante que gostava de cair para um lado, cair para o outro e foi o Telê que me descobriu ponta. Eu tinha velocidade, mas não sabia usá-la e foi isso que me levou para a Seleção. Ganhei duas Bolas de Prata sendo ponta, em 77 e 78. E isso numa época em que jogavam Natal, Jairzinho, Valdomiro, Zé Sérgio, Palhinha e muitos outros.

Na palestra dele, ele dizia quem deveria voltar, quem ficava na barreira, quem deveria disparar quando o Tadeu Ricci pegava na bola, tudo muito bem trabalhado. A partir daí começamos a apresentar um outro tipo de jogo. O torcedor começou a se encantar. Quem viveu aquela época não esquece mais do Grêmio de 1977.

Até eu, que nasci seis anos depois, sei a escalação de cor: Corbo, Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Iura; Tarciso, André Catimba e Éder.

Isso mesmo. O Grêmio de 1977 marcou a virada do Grêmio. Foi o começo de tudo isso que temos aí. Trouxe um novo tipo de tipo de futebol para dentro do Olímpico. Até então, o time tinha muita valentia, mas pouca organização de jogo, e não adianta ser valente se tu não és organizado. Isso é como se fosse uma obra de arte. Tu vai lá para dentro do campo e tem que saber dar um passe certo, saber a hora de bater forte, etc, etc. Esse Grêmio começou a fazer as coisas assim e o Telê merece esse crédito.

vlcsnap-2015-09-03-15h00m11s205

Na seleção brasileira, em 1978. O primeiro à esquerda da fila de baixo.

Naquela época era muito mais difícil para um jogador do Sul do país ganhar espaço nacional, não?

Muito mais. Tu fazias gol, estavas bem, mas pouca gente no país tinha notícia de ti. Que eu lembre, o único jornalista do RS que tinha alguma relevância nacional era o Ruy Carlos Ostermann.

Vamos para o Brasileiro de 1981, Tarciso. Fala um pouco dele.

No início do campeonato o Grêmio patinou um pouco. Lembro que nos complicamos um pouco contra o Operário do Mato Grosso do Sul, por exemplo. Na verdade, só começamos a convencer os críticos quando vencemos a Ponte Preta em Campinas por 3 x 2. Era um time muito bom, com Osvaldo, Polozzi, Carlos, Dicá, que muitos achavam que seria campeão. Quando vencemos, ficou claro que o Grêmio tinha chances.

No jogo de volta contra a Ponte tivemos o maior público da história do Olímpico. Os jogadores sentiam uma carga diferente ou só foram perceber isso depois?

Só depois. Para nós era a sensação de um clássico como o Gre-Nal, totalmente lotado. Na verdade, eu ainda tenho dúvidas se esse foi o jogo mais lotado da história do Olímpico. Para mim, o ambiente da final da Libertadores de 1983 dava a impressão de que havia mais gente. De dentro do campo víamos gente em cima da marquise, os torcedores todos amontoados….dava uma impressão de lotação maior. Então eu tenho as minhas dúvidas. Pode ser que, por ser a grande final, a animação fosse diferente também.

E o São Paulo era o favorito, não?

Sim, eles tinham um super time. Era o melhor time brasileiro. Tinham Valdir Peres, Renato, Zé Sérgio, Serginho Chulapa, vários jogadores de seleção. Mas nós tínhamos do nosso lado um Leão, um De León, um Paulo Isidoro, o Baltazar e eu na frente puxando os ataques. Aqui, fizemos 2 x 1. No começo do jogo, o Oscar, do São Paulo, me fez um pênalti e o Baltazar foi cobrar e errou. Mas conseguimos vencer com muita garra.

No jogo de volta, eles diziam que iam nos golear. Aí o “seu” Ênio Andrade, na preleção, disse: “vamos armar uma arapuca para eles. E eles não vão conseguir sair dela”.

Ele era famoso por isso.

Exato! Aí ele chamou o Odair, que ele chamava de “chupetinha” e disse: “Ô chupetinha, vem cá. Sei que tu é pequenininho para ser centroavante, mas vai só fingir que é lá na frente. Vai ficar tu e o Tarciso lá na frente, mas só até o meio-campo”. Aí virou para o Isidoro e disse: “Isidoro, se tu pegares na bola, toca lá para frente e os dois correm”. Ele queria usar a nossa velocidade contra o São Paulo no contra-ataque. E deu certo. Fizemos um a zero e o De León chamou todo mundo para trás, comandando a defesa toda. Exatamente como ele fez no Mundial, dois anos depois.

E teve o célebre momento em que o Serginho Chulapa chutou o Leão….

Sim, o Serginho se irritou, mas também o Leão fez um pouco de cena (risos). Mas claro, foi uma agressão e o Serginho foi bem expulso. Com um jogador a mais, o jogo ficou ainda mais garantido.

O Grêmio disputou a Libertadores de 1982, mas não foi nada bem. Qual a razão para isso, no teu entender?

É que de 1981 para 1982 muitas coisas foram desfeitas. Aquele trabalho parece que foi só para a conquista de 1981. Não se enxergava a Libertadores como uma possibilidade, tudo era muito distante para nós. Ganhar na Argentina, jogar em La Paz. É como o cara que está acomodado com sua situação e tem receio de mudanças. Aí começa a se encolher. Então jogamos em 82 e fomos eliminados pelo Defensor do Uruguai. E em 1982 também fomos para a final do Brasileirão, perdendo para o Flamengo. E isso nos colocou de novo na Libertadores, a de 1983.

Vamos falar um pouco dela, Tarciso. Como aquele time foi formado?

Naquela época, o Leão estava indo embora, voltando para o Palmeiras. Eu tinha uma amizade muito grande com ele, que me chamava de “Garrincha”. Dizia: “Garrincha, vou te levar para o Palmeiras. Lá em São Paulo, em dois toques você está na seleção”. E eu falava: “Olha, acho difícil”. Aí eu estava para ir para o Palmeiras, chega o Espinosa, ele me visita em casa. A gente já havia jogado juntos em 1974, no Grêmio, nos conhecíamos. E ele diz: “Preciso de ti”. Eu então lembrei a ele que o Renato estava subindo, o Paulo Sant’Ana me dando pau para caramba, dizendo que eu estava velho, que não sei o quê…..mas ele insistiu. Eu respondi que o Palmeiras iria me pagar um valor X, e que o Grêmio não precisava cobrir, bastava pagar igual que eu ficava. Afinal, eu já tinha criado raízes aqui, jogava havia dez anos no Grêmio, gostava daqui, meus filhos estudavam aqui….. eu já amava o Grêmio que representava quase tudo pra mim. No outro dia, acertamos, eu, ele e o presidente Fábio Koff, o meu novo contrato.

Aí falei para o Espinosa: “sabe que o Renato agora é o titular, como eu vou jogar nesse time?”. Ele disse que eu ia ficar na reserva, mas teria chance. E a chance veio no jogo Estudiantes de la Plata x Grêmio, aqui, à noite, com uma garoazinha caindo, o gramado pesado….estávamos empatando em 1 a 1, resultado que nos eliminava. No segundo tempo, com 25 minutos,o Espinosa me chama e diz: “vai encarar?”. E eu respondi: ” claro, estou aqui para isso. Se chamar de burro, vão chamar os dois”. Aí apareci lá em cima para aquecer e a vaia pegou. Começaram a gritar “burro, burro”….e eu pensei: “para mim? Mas eu nem joguei…..” (risos). Aí eu vou ao banco e pergunto “quem sai?” e dizem que é o Renato. Pergunto se tem certeza, e a resposta é sim. Vou assinar a súmula, os repórteres me cercam perguntando que ia sair e eu pensei: “vou ter que falar agora”. Respondi e os repórteres gritam no microfone: “Saaaaai Renato!”. E o estádio vem abaixo!

Que ambiente para entrar!

É. Mas logo depois o Caio faz um cruzamento a meia altura, como eu sempre pedia a ele, e eu ponho o pé na bola,  e desempato. 2 x 1! Aí voltamos para a Libertadores.

E o famoso jogo contra o Estudiantes lá na Argentina, a famosa “Batalha de La Plata”?

O de lá foi assim. Na Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra, um avião inglês desce na Base Aérea de Canoas, e isso é noticiado em Buenos Aires. Pronto: fomos chamados de traidores. No estádio até a polícia queria bater na gente. Um dos jogadores do Estudiantes  ganhou um amarelo antes do jogo começar. O juiz, na verdade, quis mostrar a sua autoridade. Era um uruguaio, um cara corajoso, o De León havia nos dito que era corajoso. Aí o Renato vai à linha de fundo e o Osvaldo faz um gol. O bandeira anulou, porque o bandeira já havia tomado uma pedrada e tinha um talho na cabeça, que o Alarico tinha costurado. O Caio nem voltou. No intervalo do jogo, um jogador do Estudiantes deu um bico no tornozelo do Caio. Eu gritei antes de descermos para todos irmos juntos, mas ele foi na frente e acabou sendo atingido. Aí entrou o César no lugar dele. No jogo, tocamos 3 neles, poderia ter sido 4 ou 5, até o momento em que o juiz  chega para nós e diz: “gente , não dá mais”. Fomos praticamente obrigados a ceder o empate. Depois do jogo, ficamos uma hora dentro do vestiário e só depois pudemos sair. O motorista do ônibus era de Buenos Aires, viu o nosso sofrimento, e disse: “no me gusta venir acá, acá son todos índios”. A guerra não era nossa, de nenhum jogador. Era uma guerra política e nós quem pagamos. O comandante da Base Aérea que permitiu aquela aterrissagem é que tinha de responder por isso.

A Libertadores era mesmo mais dura naquela época?

Era. Não existia doping naquela época, e aí tudo podia acontecer. As agressões fora do lance eram comuns. Hoje tem dez câmeras, tem a FIFA, mudou o cenário. Hoje, para jogar uma Libertadores, tu precisas só de futebol, vontade e organização.

Passando pelo Estudiantes, o Grêmio vai jogar a final contra o Peñarol, o então campeão do torneio. O clima do jogo foi diferente?

Sim, bem diferente. O Grêmio tinha uma história muito boa com os uruguaios, cultivava uma política de boa vizinhança. Aí ninguém atirava pedra em ninguém (risos). Então, o jogo contra o Peñarol foi duro, mas leal.

Eu assisti ao jogo da final recentemente – não pude assistir ao vivo, pois eu nasci justamente em 1983…

Um ano maravilhoso! (risos)

Sem dúvida! Então, assisti ao jogo final disputado no Olímpico e achei uma partida muito dura….

Sim, mas dentro do futebol. Nada como o jogo contra o Estudiantes.

Me chamou a atenção que, na final, o Renato e tu estavam recuados

Sim, ele jogou recuado para fechar o lado direito junto com o Paulo Roberto, e eu joguei do lado esquerdo, também recuado, para fechar o lado esquerdo junto com o Casemiro. E o Caio era centroavante. Com isso, podíamos explorar muito o contra-ataque. Éramos três jogadores de muita velocidade na frente, e um camisa 10 com bom lançamento, o Tita. Então, íamos e voltávamos muito, e conosco ia o time todo. O Grêmio encolhia e soltava como uma sanfona.

Os dois gols foram em jogadas pelo lado do campo

Sim, o primeiro gol foi um cruzamento do Osvaldo e o Caio entrou de carrinho. O Peñarol empatou com um gol do Fernando Morena, um grande matador, que metia gol para dedéu, e o César desempata no finalzinho com um gol histórico, heróico mesmo. Sabes que eu só fui ouvir a narração do gol no dia seguinte, aquela famosa narração do gol feita pelo Armindo Antônio Ranzolin, e quando ele narrou o gol do César e disse “eu disse, que acreditasse, eu pedi que acreditassem, eu nunca deixei de acreditar que o Grêmio ia ser campeão da América” eu me emocionei. Até hoje agradeço ao César porque, sem ele, eu não teria sido campeão. O Oliveira metendo a chuteira na bola e ele botando a cabeça, e ainda saiu da trave. Um ato heroico, de bravura.

Logo depois, na disputa do Mundial Interclubes, vocês iriam enfrentar o Hamburgo. Era um adversário que vocês conheciam?

Não, nunca tínhamos visto jogar.

Ao contrário do Peñarol, por exemplo.

Claro. Conhecíamos muito melhor. E o De León conhecia bem, por ter vindo do Nacional. Conhecíamos o Fernando Morena, o Olivera, o Saralegui….do Hamburgo, nada. Eu só sabia que o clube existia porque estive na cidade para jogar uma partida pela Seleção Brasileira contra a Alemanha. Fiquei lá uns dois dias e meio e percebi que se falava muito do clube, era comentado como um clube forte. Sei que eles tinham, na época, três jogadores na seleção alemã, se não me engano o goleiro, o lateral-direito e o Magath, o camisa 10 deles, que também era camisa 10 da Alemanha. Lembro que viajamos sete dias antes do jogo para Tóquio e eles chegaram 48 horas antes do jogo. É muito pouco, mesmo sendo uma distância bem menor para percorrer do que a nossa.

Eles aparentemente tinham o jogo como ganho.

Lembro que a gente estava no saguão do hotel, o mesmo em que eles estavam, e eles olharam para nós e começaram a rir. Do nada. Nós não entendemos porquê, mas eles começaram a rir, e falaram algumas coisas entre eles. Aí o Caju (Paulo César, meia), que estava do meu lado e jogou alguns anos da Europa, entendeu o que eles disseram e foi lá falar algumas coisas para eles. Na volta eu pergunto para o saber o que é e ele diz: “esses babacas estão rindo de nós, dizendo que vão jogar contra time de anão, e eu disse que eles vão ver só o chocolate que vão levar”. E de fato, o nosso time, tirando alguns, como o Baidek, o Renato , o De León, o China, não era muito alto. O deles era muito mais.

O Renato conta que o Ernst Happel, treinador do Hamburgo, não quis cumprimentar o Espinosa.

É verdade.

Também assisti a esse jogo da final – também por vídeo, naturalmente – e achei a final da Libertadores muito mais difícil e dura. O Grêmio jogou muito bem no primeiro tempo e até a primeira metade da segunda etapa, e só no final parece que dormiu em campo.

É que são situações muito diferentes. Primeiro, numa delas tu estás disputando um título em casa, o que é totalmente diferente de disputar fora. Em casa, contra o Peñarol, tu tinhas uma torcida contigo inflamadíssima e tudo se torna momento de explosão para o jogador: qualquer chute dado tem uma correspondência na arquibancada. Agora, jogar no Japão, onde foi a disputa…..o que é o torcedor japonês? Digamos que houvesse uns 700 gremistas lá – vamos pôr uns 100, 150 do Hamburgo e o resto eram japoneses. É um povo educado, como a gente sabe. Um povo que não xinga, que aplaude se acha que é bonito e não vaia se acha que é feio. O calor do jogo só o jogador sentia e não vinha nada da arquibancada. Jogar em casa faz uma diferença imensa. Tu inflamas com mais facilidade. Tua adrenalina sobe com mais facilidade. Lá tu tens o tempo da adrenalina, o tempo de refletir, tudo é estudado, porque a torcida é neutra. A adrenalina é boa, ajuda, mas não pode passar pela altura dos teus olhos (colocando as mãos na altura dos olhos), tem que ficar embaixo deles.

Acha mesmo que a final contra o Peñarol foi o maior público que viste no estádio?

Não sei se foi. Mas eu acho que foi o jogo com a torcida mais inflamada. A energia foi completamente diferente de tudo o que eu tinha vivido.

Mesmo assim, a entrega que nós tivemos naquela final foi algo impressionante. Na prorrogação, o China teve câimbras, o Renato teve câimbras, tudo isso devido ao desgaste mental e muscular. O Renato saiu para cuidar da câimbra e voltou. Isso é algo que normalmente não acontece. Quando dá câimbra, acabou o assunto, não tem como voltar: o músculo encurta, endurece e acabou, o jogador está fora. Com ele, não. Ele voltou, e isso mostra como o jogador está dedicado. O subconsciente e a energia dele eram muito fortes. Quando a gente faz o gol na prorrogação eu olho pra cima e rogo a Deus que nos ajude. E nos ajudou.

O Hamburgo ganhava no físico?

Ganhava, claro. Eram uns cavalos, eles passavam por cima da gente. Tinham um grande preparo. Mas ainda não tinham aquele domínio de bola que eles têm hoje. A Europa melhorou quando mandou observadores para cá, levou jogadores, estudou o Brasil e uniram a parte tática, que eles já tinham, com a habilidade.

E daqui a uns anos tu vais ver que o futuro é a África. Quando alguns países africanos verem que eles podem, como nós podemos – e nós, brasileiros, temos muita influência africana – eles vão crescer. Eles já viram, por exemplo, que eles são bons em atletismo. No futebol, estão percebendo isso, e te digo uma coisa, eles ganham num ponto de nós: são responsáveis. O jogador brasileiro ás vezes peca nisso. Isso serve para tudo na vida. Se tu fores um grande médico mas não estudar, não pegar um livro, não te preparares antes de fazer uma cirurgia, tu erras. O jogador é igual.

Nota muita diferença do futebol da tua época para o futebol de hoje?

Noto. O campo ficou pequeno. Há uns anos atrás eu ouvi falar em tirar um jogador, ficar com dez em campo e ganhar espaço para o jogo fluir. Não há mais tempo para se fazer o chamado 1-2, só fica no 1, quando chega no 2 já perdeu a bola (risos).

É comum se falar hoje na desatualização dos treinadores brasileiros. Há quem diga que poucos treinadores qualificados vêm aparecendo e que a decadência do nosso futebol está relacionada a isso. Concorda?

Concordo. Inclusive eu estive num debate por esses dias junto com o Falcão, organizado pelo ministro do Trabalho, Guilherme Caputo. E ali eu disse: “ ministro, peço desculpas, mas o Brasil para avançar no esporte precisa do que têm a Inglaterra, a Alemanha, a França: centros de treinamento pagos pelo governo. O treinador famoso tem dinheiro para tirar férias e ir para a Europa conversar com o Mourinho, com o Ancelotti, ir no Barcelona…agora, o treinador que trabalha num clube pequeno, será que tem condições?”

vlcsnap-2015-09-03-14h28m31s343

Tarciso com suas duas Bolas de Prata, ganhas em 1977 e 1978

E esses são a maioria.

Exato. É muito fácil para um treinador grande sair do país e visitar centros de treinamento, mas, e os demais? Nós temos um continente na mão, ganhamos meia dúzia de medalhas e ficamos contentes. Aí uma França, que tem o tamanho de um Estado nosso, ganha muito mais medalhas. Eu pergunto: quando essa criança demonstra aptidão e habilidade, porque não tem um centro de treinamento em que ela se desenvolva? Tanto na formação do cidadão quanto na do atleta? Primeiro, sempre, o cidadão e depois o atleta. No Brasil é um cada um por si e Deus por todos.  Os treinadores da série C, da série D, teriam de ganhar passagem para ir uma semana na Europa e estudarem, filmarem tudo e depois prestarem contas aqui. Aí, sim, o país estará trabalhando. Mas não é o que acontece. O treinador que forma o jogador, que trabalha na escolinha, faz porque gosta e por sua conta. É como um que eu conheço, que é cadeirante, vende bala no metrô e depois vai para a zona norte da cidade treinar a gurizada. Pega o apito e treina o time. É muito difícil.  Às vezes, a gente ajuda com bola, com leite…. A verdade é que o Brasil só quer ver pronto.

É impossível colher aquilo que não se plantou.

Exato. A verdade é: o Brasil tem uma fábrica fechada com 200 vitrines. Cadê o sapato bonito que tinha antes? O terno bonito? Aquele campinho de várzea, onde eu ia e jogava, onde anda? Aquele campinho de várzea desapareceu. Para eu jogar bola preciso pagar 100 reais, e eu não tenho 100 reais. A família pobre não pode jogar bola. Eu queria que se olhasse para essa categoria. Nós poderíamos ser como EUA e Rússia para ganhar medalhas e até mesmo liderarmos o ranking de medalhas.

Basta ver que muitos dos nossos melhores atletas precisam treinar lá fora. Um César Cielo, por exemplo, precisou ir para os EUA.

Sim, ele é um exemplo. Estamos cheios de água aqui, banhados por uma praia imensa, pelo mar, rios e não podemos desenvolver isso?

Esse aspecto “formador” do esporte é algo que tens enfocado muito no teu mandato. É uma bandeira tua?

Sim, exatamente. Não é uma demagogia de político. Se eu amanhã sair da política, sigo pensando o mesmo. Na minha vida tudo foi difícil, mas eu tive, como eu disse, um colégio bom. Aí fui ver a realidade trabalhando atual com crianças carentes, filhos de faxineiras, diaristas. E vi uma realidade completamente diferente. Há três coisas básicas para o cidadão: educação, saúde e segurança. Mas que educação? O que quer dizer educação? Como um aluno vai para a sala de aula? A primeira coisa que eu falei para a minha esposa foi o seguinte: se eu entrar como vereador, meu primeiro projeto vai ser o kit escolar gratuito para os colégios municipais. Toda criança tem de ter direito ao lazer, de subir cada degrau da escada, passar por todas as fases.

E não é uma tarefa só do Estado. Os empresários, que têm 4, 5 mil empregados nas suas fábricas, precisam saber como estão os filhos deles, se estão estudando, se alimentando direito…é uma preocupação de todos nós. Se queremos um mundo melhor para mim, para meu filho, para os netos, temos de nos preocupar com isso, pois somos passageiros. Que mundo nós vamos largar?

Eu estou fazendo a minha parte, como um beija-flor: se tem incêndio, eu estou jogando um pingo d’água. Muitos jogadores profissionais passaram na minha escolinha, como Michel Bastos, Cláudio Pitbull, alguns jornalistas. E hoje eles me dizem: “valeu, Tarciso”. Se em cem eu consigo ajudar 6 ou 7, eu já fiz bastante. Se em cem tu consegues ajudar 6 ou 7, também. Com isso nós não vamos acabar com a violência. Mas com certeza vamos ter um mundo bem mais pacífico.

Discussão

5 comentários sobre “Entrevista: Tarciso, o “Flecha Negra”, ex-jogador do Grêmio

  1. Minha admiração por esta figura, grande Tarciso. Se for candidato terá meu voto, sem dúvida alguma. Muito bom ver o relato de tempos antigos do meu Grêmio.

    Curtir

    Publicado por Laurete | 3 de setembro de 2015, 13:20
  2. Eterno ídolo TRICOLOR…orgulho poder ter visto Tarciso jogar.

    Curtir

    Publicado por J. Pereira | 3 de setembro de 2015, 18:05
  3. Tarciso , foi na época , o que o GRÊMIO , mais precisava ,jogador veloz e com paradas rapidas deixavam os adversarios , sem ter o que fazer .. Enfim , o verdadeiro ,[ ponta direita ] na epoca ,pois agora ocupam o lugar ,com deslocamentos e fica=se ,para quem não entende de esquemas , indo onde esta a jogada mais facil de ser jogada ..Claro treinadores , no momento o Roger ,e que fique por aqui , davam as dicas de jogadas , mas dependendo da habilidade do jogador , cabia a ele ir ao encontro da jogada , na época ,não muito comum . Pois este Tarciso ,na época tinha uma velocidade tão incrivel que quando menos se esperava , estava centralizado ,na frente , onde não pedoava …..Uma vez em Passo Fundo [ campeonato Gaucho , estavam no hotel ,, se não me engano ;Charrua ] eu pretava um serviço de publicidade ao clube ,União de emprendimentos promocionais …., e passando em Cruz Alta , a telefonista me falou que me deixaram o recado para encontrar a delegação …Fui , como andava com abrigo e carro com emblema tricolor ,subi passando pela segurança do hotel , até onde estavam as feras Tarciso deve lembrar , o goleiro da época era Picasso ,,e ele {tarciso ] não deixava ninguem quieto ,alem de otimo jogador .ótima pessoa …..Apos o jogo com o Gaucho de passo fundo [na época era o nome do clube .. fui para outros lados ,pois andava metade do estado .. Apos isto ainda no Olimpico encontrei ele , sempre ligeirinho ,Um grande jogador e grande pessoa , na é poca teve um acidente com um do clube , Paulo Sergio , que faleceu em um acidente em uma colheitadeira de seu pai , em uma fazenda deles .. Tarciso deve lembrar . Mas hoje ficou a lembrança , deste grande craque que ja teve lojas em um shoping na Cristovão Colombo , com a Cel, Bordini ….Mas a saudade ficou , do craque e da pessoa …..Parabens hoje vereador tarciso ….o qual vi foto com umamigo meu que mora na casa do Grêmio ,assim chamada pela pintura tricolor , em sua campanha politica ,,, e eu morando a uns 50 mts do local …..Abração grande homem publico e laureado atleta do nosso clube …

    Curtir

    Publicado por Dário Bender | 4 de setembro de 2015, 16:42
  4. Mi7o! Dinastia 7 só trás orgulho pra nação imortal tricolor. Tarcísio, pessoa, homem, dá muito orgulho para quem o acompanhou ou acompanha. Sem palavras. Baita cara. Baita gremista. Baita cidadão.

    Curtir

    Publicado por Gabriel Scaranto | 23 de setembro de 2015, 21:16
  5. Tarciso (Flecha Negra), André Catimba e Éder (Canhão do Olímpico), jogaram juntos de 1977 até 1979, e formaram um dos maiores ataques do futebol brasileiro. No Campeonato Gaúcho de 1979 o Grêmio com Nardela, Paulo Cézar Caju, Baltazar e o trio, acima citado, marcou mais de 100 gols e terminou o campeonato com dez pontos a mais que o Internacional.

    Curtir

    Publicado por Marco Antonio | 1 de outubro de 2015, 11:07

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Apoio

http://www.rainhadasnoivas.com.br/

Curta o Perspectiva no Facebook

INSTAGRAM DA ARTISTA YASSMINE PITOL

8 anos se passaram desde que essa coisinha foi resgatada ❤ #blackcat Feliz aniversário. Eu amo amo amo (10000x) você. 💙 Fonte: Book felino 2017. #cats Feliz aniversário para o meu parceiro nos esportes. Te amo, pai. 💙  #newyeareve #newyear2017 De volta pra casa #borges #jorgeluisborges

Mais recentes

Estatísticas do blog

  • 2,210,761 visitas
%d blogueiros gostam disto: