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A escola francesa em defesa da República

O ano escolar recomeçou na França com novidades importantes.

A partir de amanhã, dia 1º de setembro, o currículo dos alunos franceses incluirá temas como Educação Moral e Cívica, Comemorações Patrióticas e Reserva Cidadã. Também incluirá aulas contra o radicalismo religioso e “jornadas da laicidade”.

O objetivo, segundo a ministra da educação, Najat Vallaud-Belkacem, é recolocar a escola “no coração da República”.

O termo “a República” tem um significado particular no discurso público francês. É frequentemente invocado em situações de crise como um conjunto de valores políticos e sociais a ser defendido; valores sobre os quais a nação francesa se estrutura. Portanto, recolocar a escola no coração da República, como quer a ministra, é, em grande medida, “afrancesá-la”. Daí as “comemorações patrióticas” ao lado das “jornadas de laicidade” e a inclusão da Educação Moral e Cívica no currículo – disciplina que, sob este exato nome, fazia parte da escola brasileira durante o regime militar.

Que valores são estes? O artigo primeiro de sua Constituição já deixa claro: “La France est une République indivisible, laïque, démocratique et sociale “. Daí decorrem o pontos fundantes do Estado francês, que a garantia da escola pública, a submissão da lei à vontade geral, a distribuição social de recursos e, claro, o laicismo.

Quando François Hollande fala em organizar uma “grande mobilização da escola pela defesa dos valores republicanos”, é disto que ele está falando.

Não há, entretanto, defesa sem ataque. Se Holland e seus ministros acham que algo precisa ser defendido é sinal de que acham que está sob ataque. A pergunta se impõe: quem ataca ou ameaça a República francesa, com seus elevados e perenes valores? Quem organiza um programa que inclui “jornadas pela laicidade” parece responder: é o radicalismo religioso. É, portanto, uma resposta, algo tardia, aos atentados à revista Charlie Hebdo executados por islamistas radicais. São eles os inimigos da República francesa.

A mobilização de que fala Hollande exige um elemento básico comum a todas as mobilizações: os mobilizados. Deve-se buscar apoio popular para que a campanha surta efeito. “É preciso que as instituições falem com os pais, entendam suas dúvidas e questões e as levem em conta”, diz o sociólogo francês Jean Baubérot, especialista no tema da laicidade. “Se não há um movimento dialético entre a rue de Grenelle (endereço do Ministério da Educação francês) e as famílias, entre a educação nacional e os jovens que ela abarca, o risco de despertar crispações existe”. De outra forma, esta será apenas mais uma das muitas intenções falhadas dos governos ditos progressistas mundo afora, mera criação de elites bem pensantes e iluminadas que não ressoam nem influenciam o pensar, o agir e o sentir das populações que dizem representar.

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