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Ronaldinho e o cumprimento que não foi bem-vindo

Na tarde de terça-feira, dia 15 de setembro, o jogador Ronaldinho postou em sua conta oficial do Twitter mensagem parabenizando o Grêmio pela passagem do seu 112º aniversário. É prática comum de atletas e ex-atletas em suas redes sociais parabenizarem jogadores amigos e clubes com os quais tem algum tipo de ligação nas suas datas festivas. Ronaldinho, nascido, criado e formado sob azul, preto e branco decidiu homenagear o clube que o revelou para o futebol. A repercussão foi instantânea. Dezenas de comentários raivosos foram enviados por torcedores e direcionados ao jogador, recusando os cumprimentos e proferindo ofensas. O mais brilhante dos filhos gremistas não é querido pela torcida.

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Foi um fato isolado o cumprimento de Ronaldinho ao Grêmio. De sua saída até hoje, o jogador evitou na maior parte das vezes ser associado ao clube gaúcho e se distanciou da relação torcedor-jogador que envolve alguns dos maiores nomes do esporte. Em sua carreira na Europa, chegou inclusive a ser apresentado algumas vezes como jogador formado pelo Paris Saint-Germain.

Jogador mais talentoso já formado pelas categorias de base do clube, Ronaldinho viveu com o Grêmio capítulos inacreditáveis da virada do século para cá. O primeiro episódio foi em 2001. Ronaldinho era referência técnica e amado pelos torcedores gremistas, quando deixou o clube após meses de negociações enroladas a respeito de sua renovação de contrato. Na imprensa, o jogador prometia à torcida ficar. Quando a oportunidade chegou, foi embora sem deixar um centavo sequer aos cofres do clube. Foi o começo de tudo. No decorrer da década Ronaldinho encantou e ganhou o mundo, fazendo fama e dinheiro. Na sua terra natal, jamais for perdoado pelos torcedores da equipe que um dia jurou que “jogava até de graça, o importante é o amor à camisa”. Durante quase dez anos os torcedores do Grêmio se acostumaram a, de nariz torcido, vê-lo brilhar com as camisas de PSG, Barcelona, Seleção Brasileira e (com menor intensidade) Milan.

O tempo passou. Desgastado por suas condutas extra-campo e irregularidade, Ronaldinho e seu staff decidiram que era a hora de retornar ao futebol brasileiro. Na ocasião, Assis, seu irmão e empresário, procurou o Grêmio para que contratasse o jogador: era o momento da reconciliação e redenção do “Melhor Jogador da Década” com o clube que o revelou para o mundo. No início da negociação, enquetes apontavam rejeição à volta do jogador; no decorrer dos dias, os que desejavam sua contratação já eram maioria. “Acho que vamos conseguir contratar o Ronaldinho”, disse Paulo Odone, à época recém eleito presidente gremista em uma das manchetes mais impactantes do futebol gaúcho dos últimos anos. Mas com Ronaldinho e Assis as coisas não se encaminham com tanta facilidade.

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Manifestações de torcedores em 2011: a torcida não perdoa as duas “traições” de Ronaldinho

Enquanto acertava as bases de seu contrato com o Grêmio, o jogador e seu irmão negociavam simultaneamente com Palmeiras e Flamengo. A novela durou dois meses e culminou no famoso episódio das “caixas de som” no sagrado gramado do Estádio Olímpico. Ronaldinho assinou contrato com o Flamengo e sepultou de vez qualquer possibilidade de reconciliação com o clube que o fez nascer para o futebol. Da saída traumática em 2001 para o leilão na virada de 2010 para 2011, Ronaldinho deixou o gosto amargo por duas vezes de sensação de traição à torcida que jamais será esquecido.

Ronaldinho deixou o Grêmio para trás por duas vezes e ganhou fama, dinheiro, projeção e uma carreira de sucesso. Suas escolhas, no entanto, não contemplaram o pilar mais básico do futebol e raiz do esporte que move mais emoções ao redor do mundo: o carinho e ligação pelo clube de seu coração. O sentimento que fez com que Riquelme e Tevez, no auge de suas carreiras, deixassem o rico futebol europeu para retornarem ao Boca Juniors, que demonstrou Cristiano Ronaldo ao não comemorar o gol que marcou contra o Sporting Lisboa, que faz Lionel Messi vestir seu filho com as cores do Newell’s Old Boys mesmo sem nunca ter jogado lá profissionalmente, ou que fez Juan Sebastian Verón deixar os gramados europeus para cumprir o desejo de seu pai para ser campeão da Libertadores pelo Estudiantes de La Plata, Ronaldinho jamais demonstrou pelo Grêmio. As escolhas do “R10” fizeram com que ele e Grêmio protagonizassem algumas das mais folclóricas páginas da história do futebol, mas uma das mais tristes também: a de um filho que jamais mostrou gratidão, respeito e carinho ao seu formador.

Por isso as reações da torcida ante um aparentemente cortês cumprimento pela passagem do 112º aniversário do Grêmio são esperadas e não surpreendem. Toda manifestação do jogador em relação ao clube parecerá sempre um deboche. A Ronaldinho, os gremistas não concedem mais qualquer presunção de inocência.

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