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Música

Queen triunfante na estreia do Rock In Rio

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Uma banda de rock veterana que retorne à ativa enfrenta todo tipo de desafios. O avançar dos anos lhes retira um pouco da antiga energia, o gosto do público muda com o tempo, as canções já não têm o frescor e o impacto da época em que foram lançadas, os fãs antigos estarão sempre a postos para avaliá-la com particular rigor e sempre pairará sobre ela a suspeita de ter deixado o lado puramente artístico de lado, em prol de ganhos – indiscutíveis – que toda reunião  deste tipo gera. No caso de uma banda cujo principal homem de frente – regra geral, o vocalista – já não está mais entre nós, este desafio, já duríssimo, torna-se ainda mais complexo: é preciso encontrar alguém que, se não pode substituir plenamente o antigo ídolo, ao menos não deixa os fãs totalmente insatisfeitos – e isto, desnecessário dizer,  é dificílimo. E, se esta banda, além de tudo, resolve se apresentar em um local onde realizou um de seus shows mais icônicos no passado, então temos aí a situação cujo resultado só pode ser um: o fracasso completo ou o triunfo pleno. There’s no third way.

Na madrugada desta sexta-feira para o sábado o Queen enfrentou todos estes obstáculos no máximo grau possível. Senão, vejamos: os integrantes da banda se aproximam dos 70 anos; as canções são ultra-conhecidas e já um tanto antigas; o fã do Queen é conhecido e reconhecido como particularmente exigente; e o homem de frente original era simplesmente o sr. Farrokh Bulsara, que o mundo conheceria como Freddy Mercury, a ser substituído pelo jovem Adam Lambert. Além disso, a apresentação seria no Rock In Rio, trinta anos depois do mítico show da primeira edição do evento, em 1985. Havia tudo para superar. E o Queen não apenas superou todos os obstáculos como deixou lições para bandas em condição semelhante à sua.

Primeiro, a escolha do vocalista e a maneira de tratá-lo dentro da banda. O anúncio do show foi “Queen + Adam Lambert”, e não apenas “Queen”. Com isto, o grupo  – formado agora apenas pelo guitarrista Brian May e pelo baterista Roger Taylor – desvinculou sua imagem original, onde Mercury aparecia, evidentemente, de maneira destacada, para deixar claro que Lambert é outro cantor, com seu próprio talento e que daria um novo sabor às canções originais. Com isto, o jovem cantor americano não foi abafado pela figura maior de Mercury e pôde desenvolver a sua própria interpretação. E o fez com brilhantismo, com excelente presença de palco, bom humor e uma voz poderosa.

Os outros dois integrantes da banda também demonstraram especial tato para lidar com a dificil situação de Lambert. Lá pelas tantas, Brian May chama o público e, com um sorriso e descontraidamente pergunta: “O que estão achando do nosso novo garoto?”. A resposta veio com milhares de aplausos, gritos em português e inglês e muita celebração. Mercury foi lembrado como provavelmente gostaria de sê-lo: com bom humor e alegria. Seu público certamente concorda.

Em segundo lugar, a escolha das canções. Um show com estas caraterísticas pediria, naturalmente, que todos os principais hits da banda estivessem presentes, e foi o que aconteceu. Com o bis terminando em “We will rock you” e “We are the Champions”, havia pouco que o fã apaixonado poderia pedir mais. Houve espaço até para a carreira solo de Lambert, presente na canção “Ghost Town”, que ganhou uma versão hard-rock nas mãos de May e Taylor.

Em terceiro lugar, o local. 30 anos atrás, no mesmo Rio de Janeiro, no mesmo festival, o Queen fez uma de suas apresentações mais importantes e icônicas. Fizeram questão de lembrar dela, é claro – Brian May fez referência a ela por duas vezes – mas tudo dentro de certos limites, sem exagerar no saudosismo. A lembrança da primeira edição do festival ficou concentrada na execução da canção “Love of my life”, elevada à categoria de “Best of” do Queen graças ao show de 1985, quando foi cantada apaixonadamente por todo o público – algo que, segundo os próprios integrantes da banda, jamais havia ocorrido.

O resto ficou por conta da competência de May, Taylor, Lambert e dos músicos de apoio.  No fim, o Queen e seu frontman Adam Lambert, que entraram no palco cheios de senões e arriscando muito, saíram como os grandes triunfantes da noite. E, tendo vencido todos os desafios, deixam outro, desta vez para as demais bandas escaladas para o Rock In Rio: fazer uma apresentação melhor do que a deles.

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