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O homem mais perigoso da Europa

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Oskar Lafontaine é um outsider no morno panorama político alemão, dividido entre a centro-direita light da CDU (União Democrática Cristã) e a centro-esquerda ainda mais light do SPD (Partido Social-Democrata). Suas posições soam um pouco extremadas até mesmo para os seus companheiros esquerdistas do Die Linke, que volta e meia chamam-lhe à atenção: Lafontaine é a favor do fim da moeda única na União Europeia ,  ataca o plano de austeridade proposto por Angela Merkel para a Grécia e defende um aprofundamento de relações com a Rússia. No que respeita ao Oriente Médio e a Israel – região sensível para a política externa alemã, por razões óbvias – Lafontaine não segue o padrão de moderação da esquerda germânica: qualifica o Hezbollah como um movimento de libertação colonial e o direito de o Irã possuir armas nucleares “enquanto Israel as possuir”.

Na América Latina, seus preferidos são, é claro, os bolivarianos: defendeu Hugo Chávez como uma alternativa ao neoliberalismo, assim como defende até hoje Evo Morales e Rafael Correa; e chegou a mesmo a se encontrar com Lula para pedir “moderação” ao Brasil no episódio da nacionalização forçada das refinarias da Petrobrás na Bolívia.

É também conhecido por algumas frases incendiárias, raras de se ouvir não só na Alemanha como em toda a Europa. Uma delas é: “Onde há bilionários, não há democracia”. A outra, mais recente e mais explícita, foi um “Fuck the US Imperialism”, em resposta a uma declaração do secretário de Defesa dos EUA.

Estas e outras declarações pouco comuns fizeram um jornal inglês dar-lhe o título de “o homem mais perigoso da Europa”.

Entre as referências intelectuais de Lafontaine está Karl Liebknecht, líder marxista alemão e opositor ferrenho da Primeira Guerra Mundial, assassinado pelos Freikorps em 1919. E tem uma admiração particular pouco frequente em esquerdistas: o Papa Francisco. Lafontaine foi formado no movimento social católico de sua terra natal, o Sarre, na região sul da Alemanha, e se autodenomina um “católico socialista”. “O cristianismo” – diz ele – “sempre foi, para mim, uma religião de caridade. E a caridade não combina com a injustiça”  E citou outra de suas referências, o político socialista Adolf Grimme: “Um socialista pode ser cristão; um cristão tem de ser socialista”.

Sua esposa, Sahra Wagenknecht, não fica atrás. Economista com tese sobre os escritos de juventude de Karl Marx e filha de um refugiado iraniano, em um de seus mais polêmicos discursos no parlamento alemão, atacou o partido de Angela Merkel, a CDU (União Democrática Cristã) e sua orientação liberal:“Vocês não são cristãos. Vocês são inumanos e brutais”. No mesmo discurso, sugeriu aos líderes alemães a leitura das encíclicas papais, de quem se diz admiradora. O cristianismo, diz ela, pode encorajar a resistência aos poderosos.

Hoje, Lafontaine está envolvido em outro projeto: junto ao líder socialista francês Jean Luc Melenchon, o economista grego Yanis Varoufakis, o deputado italiano Stefano Fassina e o deputado grego Zoe Konstantopoulou assinou o manifestado “Por um plano B na Europa”, que ataca as medidas de austeridade no continente e propõe uma alternativa de esquerda para os países em crise.

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