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Esportes

Alexandre Kalil é voz corajosa contra a espanholização do futebol brasileiro

Negociação ocorrida entre o final de 2010 e o início de 2011, as cotas de TV negociadas diretamente com os clubes marcaram um divisor de águas no futebol brasileiro. Antes representados pelo Clube dos 13, os clubes passaram a gerir seus contratos de direitos televisivos individualmente com a Rede Globo, sem intermediários, e de acordo com o valor comercial que a emissora estabeleceu para cada um. Quem encabeçou a derrubada da entidade foi o Corinthians de Andrés Sanches, sob a alegação de que Corinthians e Flamengo mereciam receber mais da televisão do que os demais clubes. O processo gerou uma cisão de clubes no Brasil. De um lado, defensores do acordo individual dos clubes com a Rede Globo, com Corinthians, Grêmio, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Cruzeiro e Coritiba; de outro, clubes que defendiam a manutenção do Clube dos 13 como intermediador dos acordos de TV, como Atlético Mineiro, Internacional, Atlético Paranaense e Bahia. O corinthiano é um politico habilidoso. Como se sabe, a Rede Globo venceu a disputa e hoje firma cotas de TV com cada um dos clubes individualmente.

À época, dirigentes defensores do atual acordo vigente alegavam que seria um passo importante para o enriquecimento do futebol brasileiro. Por um lado é verdade. Todos clubes passaram a receber valores muito maiores que até então: por exemplo, o Grêmio saltou de menos de R$ 20 milhões ao ano para R$ 45 milhões; Flamengo  e Corinthians passaram a receber R$ 110 milhões de reais ao ano, ante os menos de R$ 30 milhões anteriores; Fluminense, Botafogo e Vasco, que recebiam em torno de R$ 20 milhões ao ano, passaram a receber R$ 44 milhões, R$ 43 milhões e R$ 60 milhões anuais, respectivamente. Os clubes do Rio, aliás, uniram-se durante o anúncio do rompimento com o Clube dos 13, como que representassem um novo e mais próspero momento do futebol carioca.

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Dirigentes dos clubes do Rio unem-se em 2011 para afirmar sua ruptura com o Clube dos 13

Na prática, no entanto, não foi bem assim. Com o sucesso da negociação diretamente com a Rede Globo que Corinthians e Flamengo defenderam, a realidade mostrou algo que deveria ser óbvio mas de alguma forma não foi percebido pelos dirigentes dos outros clubes: a diferença de arrecadação com televisão de Flamengo e Corinthians com os demais clubes aumentou exponencialmente. Os dois clubes de maiores torcidas passaram a receber em determinados casos de duas a três vezes mais do que os demais participantes da Série A do Campeonato Brasileiro. Voz forte contra o acordo diretamente com a maior emissora do país, Alexandre Kalil, então dirigente do Atlético Mineiro, afirmou à época: ” – Fiz minha obrigação. Tô decepcionado com a cara de pau de alguns dirigentes, não confio em nenhum deles. Não sei como chegam em casa e olham pra cara da mulher e dos filhos. Pro torcedor, não, que eles estão cagando pro torcedor.” . O Atlético Mineiro foi um dos maiores resistentes ao acordo.

Os últimos 5 anos marcaram as maiores conquistas do Corinthians em toda sua história e coube ao Flamengo a possibilidade de investir e reestruturar a si próprio – a gestão atual de Eduardo Bandeira de Mello é sinônimo de responsabilidade e austeridade. Com (muito) mais dinheiro, é mais fácil investir em futebol e ter sucesso. Bandeira de Mello tem o mérito de equilibrar o caixa financeiro do clube carioca, mas é impossível ignorar a vantagem que é administrar com o volume de dinheiro que o Flamengo recebe – a partir de 2016, receberá, junto com o Corinthians, 170 milhões de reais ao ano, um acréscimo de mais de 500% em relação ao que recebiam até 2010. Isso explica porque o Corinthians pôde pagar 40 milhões de reais por Alexandre Pato em 2013 e o Flamengo teve condições de fazer a milionária contratação de Paolo Guerrero em meio a crise econômica do Brasil.

Durante o período Alexandre Kalil manteve-se firme na crítica ao acordo televisivo em defesa da “paridade de armas” no futebol brasileiro e de seu Atlético Mineiro. Hoje, com a formação da Liga Sul-Minas-Rio, Kalil foi escolhido uma espécie de CEO da competição e tem intenção de revolucionar o futebol no país. A Liga Sul-Minas-Rio tem potencial de ser o embrião de algo maior para o futebol brasileiro. Se usada apenas com a intenção de criar mais um torneio envolvendo grandes clubes, será uma idéia correta aplicada do jeito errado. Se criada para interferir e lutar para uma implementação de uma nova Liga de clubes no país, pode ser a solução para a organização do esporte brasileiro.

Kalil mantém seu discurso de necessidade de equiparação das cotas de televisão para os clubes: ” – É uma aberração o que acontece no futebol brasileiro. Podemos aceitar que Corinthians é um pouco acima de Inter, Grêmio, Atlético e Cruzeiro, mas não o que acontece com clubes paulistas, que recebem mais que o dobro. Inter e Grêmio recebem R$ 80 a R$ 90 milhões. O Corinthians recebe R$ 200 milhões. Na tabela, são só cinco pontos, mas no dinheiro, R$ 100 milhões”, afirmou, ao comparar o Corinthians com o Galo, líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro.

O dirigente mineiro tem um discurso forte e coerente, e pode ser a referência que faltava para auxiliar na organização do futebol do país. Não há campeonato sem a disputa de todos os clubes, ainda que Corinthians e Flamengo sejam os mais numerosos em volume de torcedores. Uma divisão desigual jamais permitirá o real desenvolvimento do campeonato nacional. Como colocar Grêmio, Inter, Atlético Mineiro e Cruzeiro para competir com Corinthians e Flamengo se o primeiro grupo de clubes receberá quase um terço do outro? Não há engenharia financeira ou criatividade que equilibre uma diferença assim. A bola está com Alexandre Kalil e seus companheiros da “Sul-Minas-Rio”. Que usem da pressão e força política de seus clubes para que façam da nova “Liga” um instrumento eficaz em prol do futebol brasileiro. O calendário não precisa, meramente, de uma nova competição.

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Discussão

3 comentários sobre “Alexandre Kalil é voz corajosa contra a espanholização do futebol brasileiro

  1. E o Odone apoiou tudo isso pra acabar com o Koff, na melhor tradição caranguejeira gaudéria de boicotar o progresso alheio em caso de fracasso próprio. Pergunta: teria feito isso se o presidente do Clube dos 13 fosse outro? É claro que não.

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    Publicado por Diogo Terra | 7 de outubro de 2015, 08:34
  2. Sou palmeirense e estou do lado do Calil. Acho um absurdo a cota de televisão da forma que está.

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    Publicado por thyago | 11 de janeiro de 2016, 19:22

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  1. Pingback: Grêmio, Santos e Atlético-MG abrem guerra contra cotas de TV | PERSPECTIVA ONLINE - 19 de novembro de 2015

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