Anúncios
Mundo

Uma nova centro-esquerda britânica?

1412167203580_wps_38_London_News_Pictures_01_0

O Perspectiva vem falando do fenômeno Jeremy Corbyn há já algum tempo, assim como da reação do Partido Conservador à sua eleição.

Recapitulando: Corbyn, de 66 anos, recém-eleito líder do Partido Trabalhista, é um socialista à antiga, que, por exemplo, defende a estatização de empresas privatizadas por Margareth Thatcher. Ou seja, é o tipo de político que raramente chega ao poder no “Labour”, como é chamado pelos ingleses.

Vale falar agora de outro fenômeno, ligado à ascensão de Corbyn, que Dan Hodges, colunista do Daily Telegraph, apontou há alguns dias: a crescente radicalização do discurso dos trabalhistas assustará uma parte significativa do eleitorado tradicional do partido. E faz a pergunta:

“David Cameron aproveitará ou não a oportunidade deixada pela eleição de Jeremy Corbyn para mover seu partido em direção ao espaço, tornado vago, da centro-esquerda”?

A pergunta é pertinente. O cidadão que costuma votar no Labour é, no máximo, um social-democrata light; não lhe interessa minimamente transformar a velha Albion numa versão brumosa de Cuba. É bem provável que este eleitor já não se sinta representado por Corbyn e seus companheiros. O partido, ou o grupo político, que souber canalizar os seus anseios e objetivos tem, na opinião de Hodges, uma chance única de crescer.

E, também segundo ele, os conservadores estão aproveitando essa chance:

“Reforma prisional. Direitos das minorias étnicas. Direitos dos homossexuais. Uma “cruzada” nacional pela moradia. Um ataque à ‘mobilidade social mais baixa de todo o Primeiro Mundo”. Estes foram os principais temas presentes no discurso do líder do Partido Conservador – vou repetir: o líder do Partido Conservador – na sua conferência anual”. 

Em suma, os Conservadores de hoje defendem pautas senão iguais, ao menos bastante semelhantes às que os trabalhistas vinham defendendo.

O fenômeno também foi captado pelo olhar arguto de Peter Hitchens, para quem “os Tories são hoje o New Labour”, fazendo referência à tendência reformista de Tony Blair que dominou o partido a partir dos anos 90, até a vitória de Corbyn neste ano.

As consequências deste movimento dos conservadores ainda não são claras. Se, por um lado, esse turning left  pode vir a enfraquecer eleitoralmente os trabalhistas, por outro pode vir reforçar o discurso esquerdista como um todo na Grã-Bretanha, jogando as pautas conservadores tradicionais para as franjas do debate político. Quem era até então considerado um “Tory” comum será, no futuro, visto como um extremista de direita, ao passo que um socialista revolucionário terá espaço nos centros de decisão do Labour. Também é possível que surjam alternativas fora do tradicional modelo bipartidário, como os Liberal Democrats ou UKIP, ou ainda os extremistas de direita do Partido Nacional Britânico. É cedo para dizer qualquer coisa. O fato é que a eleição de Corbyn continua a impactar, e forte, a política daquele país. 

Anúncios

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Anúncios

Apoio

INSTAGRAM DA ARTISTA YASSMINE PITOL

Falando um pouco sobre (contra o) marketing infantil durante o #IACL , evento incrível que ocorreu na Faculdade de Direito da #UFRGS. #workinprogress #watercolor 😊 🌞🌞 #skyline 😊😊 Essa aquarela foi finalizada neste final de semana, mas sempre acho interessante lembrar dos momentos em que a tinta estava secando :) #watercolor #aquarela #gaucho #arts #art

Mais recentes

Estatísticas do blog

  • 2,276,760 visitas
%d blogueiros gostam disto: