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Esportes

Clapton F.C. contra o futebol moderno

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Localizado em Forest Gate, em meio às casas de tijolos vermelhos e aos terrenos baldios do East End de Londres, o pequeno Clapton F.C. tem uma história marcada pelo pioneirismo em dois campos: foi o primeiro clube britânico a disputar partidas na Europa Continental, em 1890, e o primeiro a ter um jogador mulato em seu elenco, o meio-campista Walter Tull, em 1908. A estas duas marcas importantes soma-se agora mais uma: a de ser a primeira equipe da ilha a incorporar o discurso anti-futebol moderno.

Um clube inglês com este discurso pode soar curioso. Afinal, trata-se do país onde, nos anos 90, os elementos associados ao futebol moderno começaram a aparecer: as arenas, os ingressos caríssimos, os jogadores milionários e os mega-investimentos de grupos estrangeiros, que compram marcas centenárias como quem compra um posto de gasolina. Mas, como nos mostra esta excelente reportagem de João Castelo-Branco, da ESPN, divulgada no twitter de MauroCezarESPN– possivelmente o jornalista mais crítico do futebol moderno no país – há uma insatisfação crescente com esta maneira de encarar o jogo mais popular do mundo. E é essa insatisfação   que está atraindo mais e mais torcedores para as acanhadas dependências do Old Spotted Dog Ground, o velho estádio do clube, em cujas arquibancadas cabem apenas 100 pessoas sentadas, restando aos demais a opção de permanecer em pé junto às muretas em torno do gramado. Ali podem cantar, pular, beber e divertir-se como querem, sem as amarras impostas pelas regras das divisões superiores do futebol profissional.

img_4205Outro diferencial importante é a relação dos adeptos com os jogadores. A torcida do Clapton cumprimenta os atletas logo após os jogos e, nas comemorações dos gols, estes fazem questão de correr até o lado do campo, onde são recebidos efusivamente pela assistência. É uma relação de cumplicidade e apoio mútuos. Diante disso, é impossível não lembrar das celebrações dos jogadores do Campeonato Brasileiro, apontando os dedos para o alto em sinal de agradecimento pela conquista individual – sem qualquer referência ao público. Duas atitudes diametralmente opostas.

Fenômenos como este vêm ocorrendo em outros países europeus, quase sempre envolvendo uma coloração política: além da oposição ao futebol moderno, os grupos de torcedores que optam por acompanhar clubes de divisões inferiores frequentemente adotam posições de esquerda.

Com o Clapton não é diferente. Nas palavras de um torcedor entrevistado a 00:40 na matéria e Castelo Branco, “Todo país tem um clube em que as pessoas que são contra a homofobia, contra o racismo, contra o sexismo, se juntam. Na Itália tem o Livorno, na Alemanha tem o Saint Pauli, na Espanha o Rayo Vallecano e aqui não tinha um time assim”. Agora tem.

O caso do Clapton e de outros clubes ao redor do mundo mostra bem quais são as verdadeiras prioridades dos amantes do futebol – e elas passam longe de muito do que se convencionou chamar de “modernização” do esporte. Pode-se debater se as “modernizações” no futebol são um avanço; o que não se pode debater é que a paixão do torcedor pelo seu clube não pode ser tolhida por conta destas mudanças. Elas devem acrescentar – e não retirar nada.

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