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As eleições na Argentina e o (possível) fim do kirchnerismo

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Scioli e Macri: nem tão diferentes assim

O período eleitoral na Argentina terminou neste último fim de semana, com os candidatos Daniel Scioli e Mauricio Macri chegando ao segundo turno da disputa. Uma disputa que permanece em aberto: Scioli obteve 36,6% dos votos totais, contra 34, 5 de Macri. A temporada de formação de alianças teve seu início nesta segunda e prosseguirá até o dia 22 de novembro, data do segundo turno. No meio de várias indefinições, temos uma certeza: o modelo kirchnerista, que governa o país desde que seu iniciador, Néstor Kirchner, chegou ao poder, terá fim. Ao menos por enquanto.

Não que Cristina Kirchner, esposa de Néstor e sua sucessora no poder, não tenha seu candidato. Tem: é Scioli. Contra ele está Macri, um dos mais duros opositores do governo desde que Néstor Kirchner ocupava o cargo ocupado hoje por sua esposa. Scioli parece muito à vontade com Cristina no palanque, após tê-lo frequentado quando foi vice-presidente do país na primeira eleição de Néstor, em 2003, logo após a crise que quase destruiu a economia do país. Parece, contudo, ainda mais à vontade para concordar com seu opositor em pontos importantes.

Macri e Scioli rejeitam medidas de austeridade como as que o Brasil e outros países vêm adotando, e não são particularmente a favor de temas como privatizações. Na questão imigratória, extremamente importante para um país receptor massivo de imigrantes de todos os seus vizinhos (exceção feita ao Brasil), também concordam que é preciso cuidar mais das fronteiras – ao contrário de Cristina e Néstor, que se caracterizaram por facilitar a entrada e legalização de estrangeiros.

Na política externa, pode-se dizer que Scioli é levemente mais “latinoamericanista” do que Macri, que já declarou várias vezes a sua oposição aos governos bolivarianos. Mas analistas concordam que a lua-de-mel da Argentina com regimes como a Venezuela e o Irã chegará ao fim no próximo governo, não importa quem ganhe.

Prova disso foi a escolha de Mariano Caucino para assessorar Scioli em temas de política externa. Advogado e professor,, Caucino já foi um crítico feroz do kirchnerismo – que denominou certa vez de “capitalismo de amigos” -,  e deixou claro que a Argentina é, antes de tudo, um país do Ocidente e deve privilegiar a relação com países ocidentais. Além disso, chama Fidel Castro de “ditador” e admira a Julio Roca, presidente argentino tido como europeísta, acusado de massacrar os índios da Patagônia. Para completar, em eleições passadas pediu votos para – vejam só – Mauricio Macri e, na juventude, frequentou a casa  de Domingo Cavallo (ministro da Fazenda neoliberal de Carlos Menem) junto a grupos de jovens liberais insatisfeitos com o então iniciante governo Kirchner. É também um especialista na Rússia de Putin, país que, segundo ele, é mal entendido pelo Ocidente – aliás, sua interpretação da ação de Putin merece uma análise à parte.

Diante disto tudo, parece seguro falar que o kirchnerismo finalmente sai do poder na Argentina para dar lugar a outras correntes. Mas não é seguro falar em um fim definitivo: o vice de Scioli, Carlos Zannini, é um kirchnerista de quatro costados e amigo do casal há décadas, tendo ocupado posição central na articulação e organização do governo. Há quem diga que nenhum papel chega aos olhos de Cristina sem que ele tenha autorizado. As dúvidas começam a pipocar: Cristina voltará na próxima eleição? Se não voltar, apoiará Zannini numa espécie de retorno triunfal do “modelo K” – como os opositores o chamam – ao poder? Será Scioli apenas um tampão? Ou assumirá uma voz própria no decorrer do mandato? As poucas certezas desta eleição que está prestes a chegar ao fim encobrem as mil incertezas sobre o futuro da Argentina, país que se especializou em desafiar previsões e prognósticos.

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Fonte: Book felino 2017. #cats Feliz aniversário para o meu parceiro nos esportes. Te amo, pai. 💙  #newyeareve #newyear2017 De volta pra casa #borges #jorgeluisborges Desenho que fiz para ilustrar o texto "O homem que parou o tempo", sobre #FidelCastro ,  escrito pelo meu irmão Celso Augusto para o site www.perspectivaonline.com.br Desenho que ilustra matéria a respeito do filme sobre o jovem #KarlMarx no site www.perspectivaonline.com.br #draw #arts #marx #marxism #theyoungkarlmarx

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