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Literatura

130 anos de Ezra Pound

No dia 30 de outubro de 1885, em meio às montanhas nevadas de Idaho, vinha ao mundo Ezra Weston Loomis Pound.

Há muito o que dizer do ativista político, do crítico literário, do agitador cultural, do simpatizante de Thomas Jefferson e de Mussolini, de Confúcio e de John Quincy Adams; há, sobretudo, o que dizer do autor de um dos momentos mais altos da poesia do século XX, os Cantos, obra-experiência tecida a partir de leituras e releituras de tradições literárias, humanísticas e científicas de todas as épocas, lugares e línguas, desafiando corajosamente definições e limites.

De suas pretensões Pound disse o seguinte:

“Eu já sabia, aos quinze anos, o que eu queria fazer. Eu acreditava que o ‘impulso’ estava com os deuses, e que a técnica era a responsabilidade do homem. Resolvi que, aos trinta anos, eu viria a saber mais de poesia do que qualquer outro homem vivo”.

Décadas de estudo de idiomas vivos e mortos, de traduções e versões, de pesquisa e observação atenta deixam claro que levou esta empresa a sério.

Uma de suas grandes realizações é a tradução do poema anglo-saxônico “The Seafarer” para o inglês moderno. Deixamos aqui o seu trecho inicial, vertido para o nosso idioma por Augusto de Campos:

Possa eu contar em veros versos vários,
No jargão da jornada, como dias duros
Sofrendo suportei.
Terríveis sobressaltos me assaltaram
E em meu batel vivi muitos embates,
Duras marés, e ali, noites a fio,
Em vigílias sem fim fiquei, o barco
Rodopiando entre os recifes. Frio-aflitos
Os pés pela geada congelados.
Granizo – seus grilhões; suspiros muitos
Partiram do meu peito, e a fome fez
Feridas no meu brio. Para ver
Quanto vale viver em terra firme,
Ouçam como, danado, em mar de gelo,
Venci o inverno a vogar, pobre proscrito,
Privado de meus companheiros;
Gosma de gelo, granizo-grudado
Sem ouvir nada além do mar amargo,
A onda froco-fria e o grasnido do cisne
No meu ouvido como um gruir de ganso,
Riso de aves marinhas sobre mim,
Pés d’água, entre penhascos, contra a popa,
Plumas de gelo. E às vezes a águia guaia
Com borrifos nas guias.
Nenhum teto
Protege o navegante ao mar entregue.
É o que não sabe o que vai em vida mansa,
Rico e risonho, os pés na terra estável,
Enquanto, meio-morto, mourejando,
Eu moro em móvel mar.

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