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Games, Videogames

Mídia física, Mídia digital e o hábito de colecionar

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Uma das grandes características de um jogador de videogame sempre foi o carinho dedicado aos seus jogos. Não raro, o singelo hábito de desfrutar de seus games fazia do jogador mais do que um possuidor de aparelhos eletrônicos: criou-se a figura do colecionador. Em suas casas são exibidas com orgulho as suas coleções, com seus consoles, seus acessórios e, sobretudo, seus jogos perfilados lado a lado em prateleiras ou armários, guardados carinhosamente mesmo que não fossem mais jogados. Para o dono dos itens, seus jogos representam mais do que a aparência da embalagem e a mídia que ela armazena. A caixa do jogo é a representação física dos momentos desfrutados e do período vivido quando aquele jogo foi jogado. Não à toa, jogos que marcaram época são guardados, via de regra, com lugar especial nas estantes daqueles que um dia os jogaram – Super Mario World, Sonic the Hedgehog, Metal Gear Solid, Final Fantasy, The Legend of Zelda, 007: GoldenEye, Halo e Grand Theft Auto, como exemplos, são itens valiosos e exibidos com orgulho por seus donos. Esta tradição da coleção de jogos começa a dar sinais de que está com seus dias contados.

Tática extremamente bem-sucedida que foi utilizada nos jogos de computadores, a venda de jogos em mídia digital passou a ser comercializada também nos jogos de videogame na geração passada, quando Xbox 360 e Playstation 3 começaram a se tornar centrais multimídia com capacidade maior de armazenamento. Foi uma excelente novidade. Jogos com pouco mercado que dificilmente seriam encontrados ficaram ao alcance de poucos cliques com o controle e uma boa conexão com a internet. Para quem quer evitar ir a alguma loja pela comodidade também foi uma conquista. Basta um download e o jogo está disponível.

A novidade movimentou o mercado na geração de consoles anterior mas não foi o suficiente para destronar a mídia física. As capacidades de armazenamento dos consoles era consideravelmente inferior e o jogo em mídia digital exige, obviamente, que o console tenha espaço disponível de memória para ser guardado. O jogo em formato física, por outro lado, permitia que o jogador colocasse o disco dentro do aparelho e jogasse a partir dele, sem necessidade de instalações, downloads ou autenticações junto a servidores. O salto de verdade veio na geração atual, com Playstation 4 e Xbox One.

Preparados para reproduzir discos em BluRay, os novos consoles são beneficiados pelo amplo espaço de armazenamento desta tecnologia e, simultaneamente, prejudicados por sua dificuldade de leitura: o BluRay lê os discos até dez vezes mais devagar do que o DVD. A instalação de jogos passou a se tornar obrigatória nos consoles de nova geração, e com isso perdeu-se uma das vantagens do disco físico: a mídia passou a ser um mero instalador e autenticador de inicialização dos jogos, nada diferente do que o que oferece o formato digital.

Os HDs dos novos consoles se mostram insuficientes para a necessidade de armazenamento dos novos lançamentos. As versões padrões dos consoles Xbox One e Playstation 4 vêm com 500gb de armazenamento. Na prática, menos de 400gb estão disponíveis com o espaço exigido pelos aparelhos para seus sistemas operacionais funcionarem. Os jogos tem em média 40gb de tamanho. Uma instalação em disco chega a levar mais de uma hora para ficar pronta; um download terá duração variada de acordo com a velocidade da conexão. O armazenamento de jogos se tornou uma dor de cabeça para os jogadores.

Para os jogadores de longa data a mídia física era aparentemente obrigatória. A sensação de comprar seu novo jogo, desfrutar dos manuais incluídos com conteúdos interessantes e ter exposto em sua casa a caixa com a bonita capa impressa de um jogo original seria insubstituível. Na nova geração, antigos adeptos do jogo físico vêm mudando de idéia. Seja por política das produtoras de jogos para promover os jogos no formato digital ou por mera economia na produção das embalagens, os jogos não são mais comercializados com os robustos manuais e encartes que encantaram gerações de jogadores ao longo da história dos videogames – as caixas vêm, via de regra, com o disco para instalação do jogo e um encarte promocional de algum outro produto. Por trás do plástico translúcido da parte interna, as recomendações obrigatória e telefones de contato. O foco é reduzir ao máximo o conteúdo de dentro da embalagem.

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Conflito de gerações: Halo: Reach, de Xbox 360 com seu encarte robusto e completo na foto acima e Halo 5: Guardians, de Xbox One, na foto abaixo – o novo jogo não oferece ao jogador manuais ou encartes complementares ao game

Com todas estas mudanças, por que comprar um jogo em mídia física nos dias de hoje? O que ainda mantém o hábito de alguns jogadores é justamente o hábito de colecionar. Resistem, especialmente os gamers mais velhos, a abrirem mão de suas prateleiras repletas de seus jogos favoritos. Para alguns, menos apegados, é mais fácil de comercializar o jogo depois de um tempo – o famoso “passar para frente”. Com o jogo em mãos, o usuário não fica refém de uma boa internet ou um servidor confiável. O jogo é seu, não dependendo de intermediários. Mas a tendência é de queda desse formato. Grande número de jogadores já prefere a comodidade da mídia digital, que não exige trajeto até a loja ou cobrança de frete para entrega a domicílio. Os jogos via download ainda tem outra vantagem: são impossíveis de serem danificados, ao contrário dos discos que podem arranhar ou quebrar.

O crescimento da mídia digital na atual geração simboliza a praticidade e comodidade que o comércio online criou no século XXI. Mas, como a maior parte das inovações trazidas pela internet, também gera uma cisão em uma antiga tradição – a de colecionar. Levando em consideração às mudanças nos conteúdos das embalagens dos jogos, parece ser um objetivo das produtoras e fabricantes. As gerações futuras talvez enxergarão o hábito das prateleiras e armários cheios como algo ligado ao passado. As bibliotecas digitais com grandes HDs parecem ser o caminho do mercado de videogames.

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Discussão

Um comentário sobre “Mídia física, Mídia digital e o hábito de colecionar

  1. Baita matéria. A contradição das empresas em querer vender o jogo digital e ao mesmo tempo comercializar um console com pouco espaço para armazenamento é algo realmente incompreensível. Outro fato interessante é a de que vendendo o jogo em mídia digital não há “atravessadores”. O jogador compra diretamente da fabricante que acaba lucrando mais, só que por outro lado – na contramão da lógica – o comprador não acaba pagando menos…

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    Publicado por Maicon Vicente | 4 de novembro de 2015, 10:02

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