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Literatura, Livros

150 anos de Rudyard Kipling

RudyardKipling

No dia 30 de dezembro de 1865, no começo do que se entende por inverno em Bombaim, na Índia, vinha ao mundo Rudyard Kipling.

Filho de ingleses emigrados na então colônia, Kipling não partilhou do sofrimento que acomete o inglês quando desembarca nos trópicos. Ao contrário: sofreu quando voltou à Grã-Bretanha, ainda criança, e teve de encarar o inverno rigoroso, a neve, os ventos, a frieza do povo. Quando pôde, voltou à terra onde nasceu e dela fez seu mundo pessoal, de onde tirou inspiração para sua carreira literária. Um mundo que ele, no entanto, sempre enxergou com olhos indiscutivelmente britânicos.

Kipling escreveu muito: contos, romances, poemas. Venceu o Nobel de Literatura em 1907. As crianças do mundo todo até hoje se deliciam com as narrativas de “O Livro da Selva” e “Kim”;  Os adultos não cansam de ler e reler o seu poema mais famoso, “Se”, que um historiador indiano denominou certa vez “a essência do Baghavad Gita transposta em poesia”

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um homem, ó meu filho!

Tradução de Guilherme de Almeida

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