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Ciências Humanas, Livros

Reflexões sobre o ódio

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Do ódio”, de Gabriel Liiceanu, é uma leitura especialmente importante para este início de 2016.

Explico: 2015 foi um ano marcado pelo ódio no Brasil. E não falo aqui da quantidade de pessoas que se odiaram umas às outras no país, o que não se pode medir, e sim de quão discutido foi o tema por aqui. Falou-se e debateu-se longamente acerca daqueles que odeiam na política, nas redes sociais, nas relações humanas; também falou-se daqueles que odeiam os estrangeiros, as minorias, o diferente e o próximo; e buscou-se armar estratégias para combater o ódio, mitigá-lo ou mesmo de eliminá-lo, apostando na possibilidade de moldar a natureza humana à imagem do que dela querem fazer as utopias. E, ao que tudo indica, continuaremos a discutir o ódio em 2016. Por isso, vale dedicar um tempo às 136 páginas deste pequeno ensaio do filósofo romeno, uma das mais destacadas figuras da intelectualidade de seu país.

Liiceanu concentra seu estudo num tipo particular de ódio, próprio do mundo moderno e desconhecido do mundo antigo: o ódio instrumentalizado a serviço das ideologias. Para isso, parte da análise de Julien Benda em um seu clássico “A traição dos intelectuais”, para quem o século XX se caracterizou pela organização intelectual dos ódios. Para Liiceanu, trata-se de um fenômeno novo na História. O ódio antigo, o ódio bíblico de Caim, é pessoal: direciona-se a Abel, seu irmão objeto de sua inveja, e se satisfaz com o crime cometido – o assassinato – e recebe a reprimenda moral de Deus. Já o ódio moderno, o ódio a serviço das ideologias, é por natureza impessoal: aquele que é odiado, o é por ser parte de uma categoria, grupo ou coletividade que a ideologia fundamentadora do ódio entende como inimiga. É um ódio organizado; e quem o organiza é o intelectual, o traidor de que falava Benda, que recusou-se a assumir a sua missão em busca do bem e da verdade e empregou seus talentos para servir às contingências políticas. Diante do ódio moderno, o ódio cainita é insignificante.

As reflexões de Liiceanu tomam a realidade romena como base e suas conclusões são, sobretudo, direcionadas ao destino de seu país. Mas não é preciso pensar muito para perceber que muito do que ele aponta serve para o Brasil. Em especial para o Brasil deste ano que agora inicia.

*         *         *         *        

DO ÓDIO, de Gabriel Liiceanu

EDITORA: Vide Editorial

TRADUÇÃO: Elpídio Mário Dantas Fonseca

Nº de PÁGINAS: 136

ONDE ENCONTRAR: http://www.videeditorial.com.br

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