Anúncios
Esportes, Nas quatro linhas, Reportagem

Reportagem: conheça o Estádio da ULBRA Canoas

por Celso Augusto Uequed Pitol e Fábio Uequed Pitol

.

.

O Perspectiva Online dá hoje início a uma série de matérias sobre estádios de futebol.

Alguns destes estádios ainda não chegaram sequer à maioridade; outros contam quase um século de existência. Em cada um deles – em suas paredes muitas vezes desgastadas, em suas arquibancadas de chão áspero, em seus gramados nem sempre perfeitos e nos seus entornos cheios de torcedores, comerciantes ocasionais e moradores – há muito das comunidades que os construíram, os frequentam e os perpetuamcomunidades que neles encontraram um espaço para viver as grandes e pequenas experiências que formam a memória social dos povos.

Esta é a nossa convicção. E com esta convicção deixamos aqui o nosso propósito: resgatar algo da história – e das histórias – de que cada um destes estádios foi palco, escrita pelos clubes, torcedores e comunidades que ali tomaram parte.

1. À sombra dos plátanos

IMG_20160112_152731556

 

As regiões da Zona Norte de Canoas ainda guardam largos espaços, os últimos resquícios dos antigos capões que outrora caracterizaram a cidade. É o caso das áreas que cercam o campus da Ulbra. Ali dentro, depois de passarmos pelos principais prédios das faculdades, avistamos, ao longe, o campo aberto, separado do resto por cercas frágeis e adornado com a visão do Morro do Chapéu, que ali já está próximo. É um recado: a Canoas urbana, de ferro e madeira, do ruído e da máquina, encontra ali seu fim.

Também encontra seu fim um conforto urbano que a maior parte das pessoas não percebe nem valoriza devidamente: a sombra. Há sombra na cidade, e não no campo; há sombra nas ruas, projetada pelas casas e prédios na calçada, proteção contra o calor abrasador, calor como o da tarde desta visita, o calor úmido de janeiro rio-grandense e metropolitano, que só se sente plenamente nas franjas de Porto Alegre. Ali, nos limites exteriores do campus da Ulbra, próxima do campo e longe da urbe,  a sombra é um presente raro e valioso de novos e insuspeitos amigos: os plátanos. Centenas, talvez milhares de plátanos. Plátanos cobrindo as avenidas, as travessas, os caminhos todos da universidade; fazendo companhia a alunos, professores e visitantes em seus passeios pelo campus; colorindo os prédios de tijolos à vista das faculdades da Ulbra com o tom entre  esverdeado e amarelo de suas folhas.

Sob a sombra destes plátanos está o estádio da Ulbra. Quase três quartos dele, para sermos mais exatos, são cercados por árvores, que nos recebem em nossa visita.

2. A visita

Nosso destino é a sala 10 do prédio 55, onde funciona o curso de Educação Física da Universidade. Somos recebidos com uma lufada de vento gelado proveniente do ar condicionado colocado defronte à porta e com um aperto de mão de Alex Bauer, diretor-geral do complexo esportivo da universidade. À frente de sua mesa está pendurado um quadro com o estádio visto de cima e adornado por um título impactante: “O Caldeirão de Lutero”. O apelido foi dado por Cláudio Duarte, ex-técnico e comentarista, proferida durante a final do Campeonato Gaúcho de 2004 contra o Inter. Naquela ocasião, o Estádio da Ulbra recebeu 9 mil pessoas – a maior lotação que alguma vez receberia.

IMG_20160112_134451630

Quando contatamos a ULBRA para marcar a visita, a atendente que nos atendeu indicou o nome de Alex e acrescentou: “se há alguém que conhece o estádio, é ele”. As quase três horas que passamos em sua companhia confirmaram as credenciais: trabalhando no setor desportivo da Ulbra desde 1999, Alex viu o futebol da universidade canoense nascer. Estava ali quando, naquele mesmo 1999, o estádio começou a ser construído; estava ali quando o clube chegou à final do campeonato gaúcho, em 2004, perdendo para o Internacional em uma decisão muito discutida; estava ali nos momentos bons e maus, assumindo quase todas as tarefas para o bom funcionamento dos jogos. Pedimos desculpas por retirá-lo do conforto do ar condicionado, quase uma crueldade num começo de tarde destes. Ele ri, desdenha da suposição – “estamos aqui para isso”, diz – toma seu molho de chaves e nos indica o caminho do estádio.

3. O Estádio

Hoje sem uso para equipe de futebol profissional, o Estádio da Ulbra foi projetado para ser grande. Dezenas de salas administrativas circundam a edificação, servindo para todo tipo de aproveitamento. A construção foi feita propositalmente no modelo olímpico: diferentemente das idéias de “arenas” (comuns após a inauguração da Amsterdam Arena, do Ajax, em 1995), o Estádio da ULBRA foi criado seguindo o formato dos núcleos esportivos nas universidades dos Estados Unidos, isto é, como um local para a prática de múltiplos esportes. É justamente isso que se vê no local. Dentro das dependências do estádio convive o campo de futebol de dimensões de 105m x 68m com a pista de atletismo e espaços para prática de outros esportes olímpicos. Mais do que um espaço para prática do futebol, o Estádio da ULBRA é um templo desportivo e maior integrante do suntuoso e completo Complexo Esportivo da universidade.

A construção do estádio acompanhou o rápido crescimento da equipe de futebol. Criada na virada do século e motivada pelo sucesso das equipes de vôlei e de futebol de salão da instituição, o clube de futebol de campo da ULBRA alçou voos mais altos do que o esperado. Com uma rápida obra, a ala principal do estádio foi inaugurada no ano 2000 e seguiu a trajetória de ascensão da equipe: em 2001, o clube foi campeão estadual de juniores. Em 2002, foi 5º colocado na Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2003, venceu a Série B do Campeonato Gaúcho e classificou-se para a elite do futebol do Estado. Na primeira divisão do Rio Grande do Sul, a ULBRA em 2004 ampliou seu estádio criando o setor de visitantes atrás das goleiras. Foi o grande momento do futebol da instituição. Com o novo estádio com capacidade para 10.000 pessoas, a equipe chegou ao surpreendente vice-campeonato gaúcho de 2004, quando perdeu de virada por 2 x 1 para o forte Internacional de Muricy Ramalho e Nilmar. “Ainda acho que tivemos um pênalti não marcado a nosso favor quando vencíamos por 1 x 0”, diz Alex Bauer.

A área social do estádio, primeira a ser construída, é coberta, confortável e dá boa visão do campo. Nela, se localizam os principais estabelecimentos do estádio: o alojamento de atletas, os vestiários de atletas e árbitros e as cabines de rádio são todas localizadas no bonito prédio erguido no setor leste da construção.

IMG_20160112_135027360

A área social do estádio, na parte leste

Os vestiários têm grama sintética, a fim de adaptar melhor os atletas para os momentos que antecedem o jogo. Possuem também espaço para tradicional troca de passes dos jogadores. Há locais para o aquecimento dos profissionais, espaço para preleção do treinador com quadro para mostrar as táticas para a equipe e camas para atendimento muscular especializado. De uma pequena janela, se observa o campo verde do estádio. Banheiras de hidromassagem para recuperação pós-jogo e chuveiros elétricos em bom número se somam aos armários individuais dos jogadores. Uma instalação simples, mas completa e eficiente.

O acesso dos profissionais ao vestiário se dá de forma tranquila e segura. Os ônibus das delegações estacionam em local privativo em frente às portas que levam aos vestiários. Não há necessidade de cruzar em meio à aglomerações ou de envolver-se em congestionamentos. O estádio possui vias de acesso que garantem o ingresso, desembarque e saída.

O setor de alojamentos é um dos orgulhos do estádio. “Usamos esta expressão por ser prática comum, mas o conceito dos quartos é mais próximo de aparthotel”, diz Alex Bauer. Os quartos possuem ar-condicionado, TV, banheiro, guarda-roupas, geladeiras individuais e mesas para estudo e leitura. Há ainda no mesmo andar dos alojamentos um auditório para palestras ou reuniões de atletas.

IMG_20160112_135205105

Escadaria de acessos aos alojamentos e cabines de rádio. Abaixo, o setor de quartos “aparthotel”

IMG_20160112_144943352_HDR

As janelas do corredor de alojamentos do estádio

O setor social tem cobertura para os torcedores e lugares numerados por bancos em metade das arquibancadas. A visão é privilegiada. No centro do campo e em nível levemente superior ao gramado, o torcedor acompanha os detalhes de tudo que acontece no estádio. Acima, as cabines de rádio construídas individualmente são posicionadas com acesso elétrico pronto para facilitar a atividade profissional.

IMG_20160112_142453820

Portão principal da área social

IMG_20160112_142515429_HDR

Escadaria de acesso às arquibancadas sociais

IMG_20160112_144815297_HDR

Cabines de rádio, com visão privilegiada do gramado

Atrás de uma das goleiras e próxima ao setor Norte do estádio, está a caixa d’água que abastece a construção, erguida com capacidade para 500 mil litros e com privilegiada vista para o Morro do Chapéu, em Sapucaia do Sul.

IMG_20160112_144149724_HDR

A caixa d’água de 500 mil litros que abastece o estádio. Ao fundo, à direita, o Morro do Chapéu

No setor Norte se encontra ainda uma das arquibancadas laterais que atendem aos torcedores visitantes. O local tem acesso individualizado e separado da torcida mandante: paralelo ao terreno da ULBRA existe uma via de acesso por onde pode ser feito o escoamento de público, separando torcedores e garantindo mais segurança.

IMG_20160112_145912498

Rua que liga o estádio até a Avenida Farroupilha: atrás do estádio, facilita a entrada e saída de torcedores visitantes

IMG_20160112_150051570_HDR

Escadaria de acesso à arquibancada visitante. Abaixo, acesso e visão do campo atrás do gol do setor norte

No setor Oeste fica o lado que não foi concluído na construção do estádio. “A idéia era fechar o estádio em um anel completo, mas não foi possível. Aliás, começaríamos por ali a construção do setor social até mesmo pela orientação solar, mas seria mais difícil pois envolveria modificações na rua de acesso aos ginásios do Complexo Esportivo. Assim, preferimos iniciar as obras pelo outro lado”, diz Alex Bauer. Sem arquibancadas, ali ficam as cabines de televisão e as casamatas dos times. “Os bancos de reservas eram do outro lado junto ao pavilhão social, mas modificamos para tranquilidade dos profissionais. O torcedor às vezes é passional demais”, diverte-se Bauer.

IMG_20160112_140451006_HDR

Vista do campo em direção ao setor oeste, sem arquibancadas. No centro, a torre aonde ficam as cabines de televisão. Abaixo, imagens do interior das salas de transmissão

No setor sul localizam-se arquibancadas similares às do setor Norte, para torcida visitante. A vista delas é um espetáculo à parte: ali os plátanos crescem belos e verdejantes atrás do setor e embelezam o local. Bauer adverte: “Em caso de realização de partidas com grande público, precisaremos realizar podas ali. Dos plátanos brotam pequenas bolinhas que podem ser arremessados ao campo”. Como se vê, os plátanos também podem trazer problemas.

IMG_20160112_143109776

A linda imagem do setor sul com os plátanos atrás. Abaixo, o fruto  que exige a poda dos galhos próximos ao estádio

frutoplatan

A vista externa do setor sul encanta. Localizado na rua principal do campus, é embelezado pelas árvores e pela paisagem ao seu redor.

A iluminação do estádio também merece referência. Segundo Alex Bauer, o estádio tem plenas condições de sediar jogos noturnos, sem áreas de sombra que atrapalham profissionais e público. E também é apto para receber shows musicais e grandes eventos. “Temos saídas de ambulâncias e possibilidade de colocar o palco em mais de um local. A capacidade de público para um show musical seria maior do que a de um dia de jogo”, diz Bauer.

4. “Um aperto no coração”

Quando nos aproximamos do fim da visita e passeamos pelo entorno sul das arquibancadas, em direção ao prédio da Educação Física, Alex confessa que, às vezes, evita olhar muito para o estádio. “Dá um aperto no coração ver isso aqui vazio”, diz ele. Lembra-se dos momentos de ascensão do clube,  dos torcedores circulando pelas imediações, dos treinamentos, das preleções que assistiu e dos mil problemas que, às pressas, teve de resolver para que o espetáculo saísse perfeito. É normal: quem viveu momentos como estes não costuma esquecer.

A casa da Ulbra não está totalmente fechada: ainda sedia torneios acadêmicos, como os Jogos Luteranos, e algumas partidas específicas. Mas é inegável que os tempos do “Caldeirão de Lutero” já passaram. No retorno à sala de Alex para nos despedirmos, passamos por um longo corredor onde o visitante pode contemplar os vários esquadrões formados pela Ulbra ao longo do tempo. Alex pára e discorre em detalhes sobre cada um deles: como foi o jogo, contra quem foi, onde estão aqueles jogadores. De tudo o que já passou dos momentos bons vividos no estádio da Ulbra, ficou, e bem viva, a memória das conquistas. Que ela sirva de inspiração daqui para frente.

IMG_20160112_150930536

Especificações:

– Nome oficial do estádio: Estádio da ULBRA
– Capacidade atual: 6425 pessoas;
– Ano de inauguração: 2002
– Quando começaram as obras: 2000
– O que motivou a construção: Modelo de Universidade USA com equipes de ponta.
– Maior público do estádio: aproximadamente 9000 pessoas, na final do Campeonato Gaúcho de 2004 entre ULBRA 1 x 2 Internacional
– Dimensões do gramado: 105 x 60

 

Veja mais fotos abaixo:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Anúncios

Apoio

http://www.rainhadasnoivas.com.br/

INSTAGRAM DA ARTISTA YASSMINE PITOL

#workinprogress #watercolor Uma brincadeira #watercolor Rabiscos #sketch #draw #wip #watercolor #art #workinprogress #Sketch #draw #art Uns riscos. #skech #quicksketch

Mais recentes

Estatísticas do blog

  • 2,244,068 visitas
%d blogueiros gostam disto: