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Esportes, Nas quatro linhas

Os dois argentinos que mudaram o futebol espanhol e mundial

Confunde-se com a história do futebol espanhol as histórias de Real Madrid e Barcelona. Os dois maiores clubes do país, compradores e formadores de craques, são também dois dos maiores clubes do mundo. A grandeza de um é a angústia do outro. A rivalidade entre os dois clubes transcende o futebol. Mais do que um duelo dentro de campo, é um duelo de filosofias de clubes e de cidades – na capital, o apreço e o orgulho de ser espanhol; em Barcelona, o desejo separatista e a afirmação catalã.

Em 1953, Alfredo Di Stefano aterrissou em Madri e mudou para sempre a história do Real Madrid Club de Fútbol. O clube da capital espanhola trouxe o jogador que era destaque absoluto na América do Sul. Di Stéfano fez parte do River Plate que seria apelidado de “La Maquina” nos anos 40, bicampeão argentino e uma das primeiras das várias grandes escolas de jogo bonito já criadas pelos millonarios. Antes de ser negociado com o futebol espanhol, Di Stéfano atuou no futebol colombiano pelo, vejam só, Millonarios de Bogotá: a Liga Colombiana era a que melhor pagava no futebol sul-americano da época. Foi pelo Millonarios que “La Saeta Rubia” – “A Flecha Loira”, seu apelido – chamou a atenção do futebol espanhol. Em 1952 o clube foi convidado a participar de um torneio amistoso comemorativo ao cinquentenário do Real Madrid. O que seria uma oportunidade para o clube, se tornou o grande momento da vida de Di Stéfano: sob olhares de Santiago Bernabéu – o presidente que daria nome ao atual e mítico estádio do clube madrilenho -, Di Stéfano marcou duas vezes na vitória por 4 x 2 dos colombianos sobre os espanhóis. 

di-stefano

Alfredo Di Stéfano, no Real Madrid

A vitória sobre o Real Madrid com atuação brilhante catapultou Di Stéfano ao estrelato, despertando o interesse do….Barcelona. Os catalães contrataram o jogador junto ao River Plate e o apresentaram com a camisa do clube. Nesse momento houve a grande mudança do futebol espanhol e o desenvolvimento da raiz da rivalidade de “El Clásico”: o Real Madrid, em manobra de bastidores que envolvia o Governo Espanhol (à época liderado pelo ditador General Franco), intrometeu-se na negociação e acabou levando o jogador para Madri. “A traição de Di Stéfano” foi o evento chave na rivalidade vista até hoje no futebol espanhol. Após a ida do atleta para a capital espanhola, tudo mudou. Os jogos entre Real Madrid x Barcelona se tornaram mais acirrados e os merengues começaram sua caminhada rumo ao topo. Até a estréia de Di Stéfano, Barcelona, Athletic Bilbao, Atletico de Madrid e Valencia eram os maiores campeões espanhóis. O Real Madrid havia vencido apenas duas vezes. Com o jogador, o clube conquistou 8 campeonatos nacionais em dez anos e 5 Liga dos Campeões da Europa consecutivas.

A passagem de Alfredo Di Stéfano pelo Real Madrid mudou o clube e o futebol do país. A grandeza do clube foi definida, a rivalidade com o Barcelona alimentada e o ponto de referência do futebol espanhol foi estabelecida no lado merengue de Madri. Até que, pouco mais de 50 anos depois, outro argentino chegaria para mudar o futebol.

Em 2005 estreava Lionel Messi com a camisa do Barcelona, até então liderado pelo brasileiro Ronaldinho. Até aquele momento, o clube havia vencido apenas uma vez a UEFA Champions League. É verdade que o Barcelona estava longe de ser um clube pequeno ou mero coadjuvante no futebol, mas a história do clube após Messi registrou uma mudança de patamar. Em 10 anos foram 26 títulos conquistados, 4 UEFA Champions League, três Mundiais de Clubes e 10 Campeonatos Espanhóis. O domínio madridista do século passado deu lugar a uma nova era do futebol. O Barcelona é, desde 2005, a equipe a ser batida no futebol europeu e mundial e Messi a principal referência do esporte.

Em um intervalo de 50 anos, dois argentinos mudaram o mapa do futebol espanhol e europeu. Desde a estréia de Di Stéfano, a glória do Real Madrid é o desespero do Barcelona, e as vitórias do Barcelona são o horror do Real Madrid. Na última semana Lionel Messi venceu pela 5ª vez o prêmio de melhor jogador do mundo. Como foto comemorativa pela premiação, o Barcelona exibiu o craque com suas cinco taças perfiladas e uma pose extremamente parecida com uma vista décadas atrás. Alfredo Di Stéfano posou após o pentacampeonato europeu consecutivo conquistado pelo Real Madrid junto às taças conquistadas em um símbolo de pujança e grandeza do clube. Décadas depois, o Barcelona responde à imagem com Messi, cria do clube e símbolo do “pensamento Barcelona” de jogar futebol, exibindo seu 5º prêmio como maior jogador do mundo. Décadas depois, a transferência de Di Stéfano para o Real Madrid ainda não foi aceita pelo Barcelona. Os catalães levaram 50 anos para terem o craque argentino que os catapultasse a um novo patamar – por ironia do destino, igualmente argentino. A rivalidade entre as instituições alimenta os clubes e o futebol mundial, e os dois principais nomes da história dos clubes nasceram na Argentina: Alfredo Di Stéfano e Lionel Messi, que mudaram para sempre as histórias de Real Madrid e Barcelona.

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