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Cultura, Música

A volta do Guns N’Roses e o quanto foi perdido

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A composição de uma música em uma banda de rock n’roll é, geralmente, um trabalho conjunto. Reúnem-se os integrantes, harmonizam-se os acordes, apresenta-se a letra da música e no meio de todo este trabalho aparece uma canção – muitas vezes, bastante diferente da idéia inicial apresentada. As músicas nas grandes bandas são inspirações coletivas e a mais bela amostragem do que significa fazer parte de um conjunto musical: mais do que uma exposição individual de talento, uma música assinada e composta por diversos componentes é a expressão máxima do sentido de coletividade e união que significa ser parte de uma banda.

No meio deste cenário de muita inspiração e criatividade é comum a discórdia e a batalha de egos e vaidades. A música é uma arte e o músico é um artista, e poucas coisas são tão características de um artista quanto a força de sua personalidade – a mesma personalidade que o impulsiona a compor e produzir produções memoráveis é também, muitas vezes, sua pior característica no que tange sua capacidade de convivência em coletividade e tolerância à opiniões opostas.  Não raro, divergências entre os integrantes de uma banda sepultam o caminho do grupo, e o sonho antigo de atingir o estrelato na visão pura do artista de rock iniciante é desconstruído. Dessa cisão surgem, por vezes, carreiras solo que enriquecem o cenário musical e cultural de uma forma que só é possível com a liberdade criativa da carreira individual: é o caso dos discos lançados por John Lennon, George Harrison e Paul McCartney após o fim dos Beatles. Mas há o outro lado. Algumas mentes brilhantes por vezes só atingem o máximo de seu brilho trabalhando juntas; sozinhas, ainda que geniais em alguns casos, esmaecem. É o caso do Guns N’Roses.

Da metade final dos anos 80 até o início dos anos 90 o Guns N’Roses foi a maior banda de hard rock do mundo. O sucesso de Appetite for Destruction catapultou a banda ao sucesso e ao estrelato, e os discos posteriores consolidaram a liderança da banda no rico cenário musical e do rock do período. O Guns foi grande. As turnês mundiais esgotavam ingressos com antecedência e os discos quebravam recordes de vendas a todo momento em todos lugares do mundo. Quando Use Your Illusion – a grande obra da banda – foi lançado, o Guns N’Roses viveu seu ápice. Depois do apogeu, veio a queda: na metade final da década de 90 a banda se separou. Axl Rose ficou com o nome e os direitos da banda; Slash e os outros, apenas com royalties de suas participações nos discos. Apenas um legado foi geral: a perda da riqueza musical que juntos produziam.

Do surgimento meteórico até a separação da banda foram cerca de dez anos. A intensidade, o brilho e a qualidade do que foi produzido fizeram aparentar que o tempo de sucesso do grupo foi muito maior. Separada a banda, os caminhos trilhados foram bastante distintos. Slash, Duff e os demais integrantes produziram álbuns e fizeram algumas participações interessantes junto a outros artistas. Axl Rose, símbolo maior gunner, entrou em reclusão por anos, até o reaparecimento em 2001, no Rock in Rio III. Depois do “fim” do Guns N’Roses, apenas um álbum foi lançado, o eternamente adiado Chinese Democracy. 

Em abril, cerca de 20 anos depois da separação da banda, acontecerá o que todo fã de Guns N’Roses sempre sonhou: a reunião de Axl Rose, Slash e Duff McKagan nos palcos, em shows que acontecerão em Las Vegas. A expectativa é grande. A reconciliação dos principais integrantes significa para a gigantesca e fiel legião de gunners mundo afora a concretização de um sonho em que se guardava expectativas, mas com cada vez menos convicção – como a esperança de resgatar uma antiga paixão que vai minguando com o passar do tempo. Por um lado, é incrível presenciar a tão sonhada reunião daquela que já foi a maior banda de rock do mundo; por outro, é impossível não olhar para trás e lamentar todo o tempo perdido ocasionado pelas dificuldades de convivência, geradas pelas idiossincrasias dos integrantes. Axl, Slash e o mundo perderam 20 anos de produções musicais e de momentos e criações atemporais. Para onde terão ido as músicas que poderiam ter sido criadas pelo Guns N’Roses original por todo esse tempo? O quanto foi perdido por conta dessa separação? Jamais será possível mensurar. Em abril, retornam juntos aos palcos os principais nomes da banda de rock que revolucionou e cativou o mundo no final do último século. Que seja em tempo de recuperar uma parte do que deixou de ser criado.

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3 comentários sobre “A volta do Guns N’Roses e o quanto foi perdido

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    Publicado por AntimidiaBlog | 28 de janeiro de 2016, 08:37

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