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Tennis – Por que essa necessidade de envelhecer precocemente os atletas?

Chega a ser um pouco deprimente acompanhar alguns comentários emitidos durante as coberturas dos principais torneios de tênis disputados pelo mundo. Estamos em 2016 e ainda há quem insista em tratar atletas de mais de 30 anos como “velhos”.

Aliás, nem é preciso ter 30 anos. Passou dos 25 já é considerado veterano.  Já é constrangido a fazer comentários como se estivesse em fim de carreira. Inicia-se, por boa parte da imprensa, aquela contagem regressiva velada à espera do fim.

Quando Angelique Kerber (28 anos, recém completados em 18/01) venceu o Australian Open, sábado passado, ouviram-se comentários do tipo “ela é a prova de que não há idade para se ganhar um Grand Slam”. Oi? Isso mesmo depois de Flavia Penetta vencer seu primeiro Grand Slam aos 33 anos, superando Roberta Vinci na final (a qual, vale destacar, tinha 32 anos naquele momento).

O mesmo se dá em relação a Maria Sharapova. Aos 28 anos, é frequentemente tratada (há alguns anos, aliás) como “veterana”, no significado mais pejorativo que a palavra pode assumir. A partida disputada contra Belinda Bencic, nas oitavas de final do Australian Open, foi vencida pela russa, mas foi inexplicavelmente recheada de comentários feitos a partir da perspectiva de Belinda, cuja idade (18 anos) foi objeto de destaque umas 40 vezes durante a partida.

Questionada após a vitória sobre o futuro de Belinda no tênis, Sharapova sorriu e brincando (ou não), disse “ela é destas jogadoras que vai eventualmente tomar o nosso lugar…mas ainda não”. Vídeo aqui.

Os momentos acima citados são apenas alguns que deixam evidente este olhar constantemente voltado exclusivamente para o futuro. Uma espécie de ansiedade permanente, com constantes especulações. Não se vive plenamente o presente. “Qual vai ser a próxima geração?”, pergunta-se.  Ocorre que esse “futuro” nunca chega, na medida em que o presente é insistentemente tratado como passado.

É até um pouco triste, mas é comum os atletas “mais velhos” (dentro deste contexto, ou seja, pós 25 anos) serem praticamente compelidos a justificar a razão de sua permanência no circuito. Precisam explicar como, aos XX anos, conseguem manter o ritmo. Pior ainda quando o atleta cometeu o “erro” (ironia, obviamente) de começar a “aparecer” muito cedo.

Vou restringir a abordagem ao tênis, mas acredito que esta reflexão valha para todos os esportes, e – atrevo-me a dizer – a todas as situações da vida. É inexplicável esta insistência, essa mania muito chata de envelhecer precocemente as pessoas – e por “envelhecer” entenda-se a pior interpretação que possa ser conferida à palavra. Envelhecimento considerado (equivocadamente) como sinônimo absoluto e inafastável de decadência.

Não se ignora que a insistência em tratar o fator idade como um protagonista no cenário esportivo, em pleno 2016, é até certo ponto compreensível. Há não muitos anos atrás era comum que a aposentadoria dos atletas se desse antes dos 30 anos (ou pouco após esta idade), muitas vezes em razão de problemas físicos. Gustavo Kuerten é um bom exemplo dessa afirmativa, convivendo com dores que o acompanharam até o final de sua carreira – e certamente encurtaram a sua brilhante trajetória.

Quanto ao tênis feminino, as aposentadorias eram ainda mais precoces. Justine Henin se aposentou aos 25 anos, em 2008. Lindsay Davenport, aos 30 anos, em 2006. Amelie Mauresmo com a mesma idade, em 2009.

Isso, contudo, foi antes. Não pode ser visto como um padrão que se manterá eternamente. Mormente quando se vê Serena Williams reinando absoluta aos 34/35 anos, com mais de 15 anos de carreira e aparentando a mesma motivação e sede de vitórias que sempre teve. Ou Roger Federer, que segue jogando em alto nível (ainda que por vezes ofuscado pela estrela de Novak Djokovic – veteraníssimo aos 28 anos?). Ou mesmo a própria Sharapova, que apresenta a mesma garra de quando venceu Wimbledon, aos 17 anos, e cuja trajetória já lhe rendeu títulos no Australian Open e US Open, além de um bicampeonato em Roland Garros.

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Serena e Sharapova em 2004 e 2016 – longevidade que precisa ser constantemente justificada

É preciso, urgentemente, parar de analisar o atleta a partir de sua idade e, igualmente, parar com essas projeções infindáveis sobre o futuro pós aposentadoria deste(a) ou daquele(a) jogador(a). Um pouco de especulação é normal, obviamente. O tempo inteiro, contudo, ceifa a possibilidade de que se aproveite plenamente um presente no qual o atleta (“apesar” da idade), mantém-se em alto nível, e acaba gerando uma ansiedade desnecessária. Além de ser muito chato

 

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Sobre Yassmine Uequed Pitol

Yassmine Uequed Pitol nasceu em Porto Alegre em 30 de maio de 1984. Graduada em Direito em 2011 pela Uniritter. Pós graduada em Direito do Consumidor pela Ufrgs (2014). Cursou Artes Visuais na Ufrgs.Atualmente cursa Pós Graduação em Direito Processual Civil na Uniritter e mestrado em Direito no Unilasalle. Yassmine gosta de jogar futebol e de correr. Pintora e desenhista, acompanha futebol, filmes, seriados, música e tênis. No Perspectiva Onlina, escreve sobre tudo isso e muito mais.

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