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A lição que vem da Premier League

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O rico campeonato inglês, dos grandes investidores estrangeiros, das médias de público formidáveis e dos robustos acordos publicitários dá nesta temporada mais uma lição de como deve ser a liga nacional de clubes: o líder da competição hoje é o surpreendente Leicester City, clube da região central da Inglaterra localizado em cidade homônima à equipe. Longe dos investimentos dos maiores clubes da Inglaterra e distante dos holofotes que cobrem Manchester United, Liverpool, Arsenal e Chelsea, o Leicester City hoje é o centro das atenções do futebol na Terra da Rainha e lidera a competição faltando treze rodadas para o fim.

O sucesso não veio por acaso. Assim como a maior parte dos clubes ingleses que participam da Premier League, o Leicerter City também recebeu investimento estrangeiro. O bilionário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, CEO da corporação King Power Group (especializada em free-shops mundo afora) adquiriu a maior parte das ações do clube, detém o comando do clube e investe no futebol. O projeto começou em 2010, com o Leicester ainda na segunda divisão da liga inglesa. Os investimentos da equipe chamam atenção não pelo volume de dinheiro investido, e sim pelo olhar técnico nos jogadores observados: os maiores destaques do time, Jaime Vardy (artilheiro do campeonato) e Ryad Mahrez, foram contratados por valores considerados irrisórios para os padrões europeus – o meia argelino foi adquirido por 500 mil euros, e o atacante inglês por € 1,3 milhão. Hoje, juntos, estão avaliados em quase 100 milhões de euros. O Manchester City gastou só no belga Kevin De Bruyne na última janela de verão européia o equivalente a 75 milhões de euros.

O que possibilita que um clube como o Leicester City atinja tal protagonismo em um campeonato com equipes tradicionais, fortes e ricas como a Premier League? A principal razão, é claro, passa pelo investimento. A chegada do bilionário tailandês ao clube foi crucial para a mudança de patamar dos “Foxes”, como são chamados os torcedores da equipe. Mas, acima de tudo, o modelo do próprio campeonato é a mola propulsora que permite a equipes como o Leicester a possibilidade de atingir objetivos impensáveis anos atrás. As cotas financeiras da Premier League seguem um formato igualitário e justo: 50% dos valores são distribuídos igualmente, 25% do valor é rateado de acordo com a posição da equipe no último campeonato e os outros 25% beneficiam as maiores audiências e público – o contrário do que ocorre no Brasil, aonde Corinthians e Flamengo recebem valores muito maiores que os demais por serem as maiores torcidas do país.

O modelo adotado pela Premier League estabelece um formato de torneio aonde grandes empresas podem apostar em equipes menores como o Leicester sem correrem grandes riscos do retorno dos valores investidos. O formato mais equitativo de distribuição do dinheiro permite uma razoável segurança financeira. A maior parte das equipes do campeonato inglês recebe investimento estrangeiro ou tem um “mecenas” por trás de suas contratações. Os grandes clubes com maiores torcidas beneficiam-se com competência própria de suas próprias qualidades: Manchester United, Chelsea, Liverpool, Arsenal e Tottenham ampliam suas receitas com vendas de camisetas e exploração de sua imagem mundo afora, como é natural que seja feito; as cotas de TV, no entanto, distribuem-se com equidade.

Ter uma liga nacional equilibrada beneficia o campeonato e os clubes. A Premier League do líder Leicester City é hoje o torneio nacional mais comentado e valorizado mundo afora. O Brasil pode seguir caminho parecido. Basta romper com o modelo vigente de distribuição de cotas televisivas (aonde Flamengo e Corinthians recebem 170 milhões de reais por ano e clubes como Grêmio, Inter, Cruzeiro e Atlético Mineiro faturam 60 milhões de reais anualmente) e permitir o equilíbrio financeiro das equipes. O Corinthians, desde a adoção dos novos valores televisivos, vive o melhor momento de sua história. A lição do Campeonato Inglês está aí. Equiparar os clubes financeiramente nos valores distribuídos pela competição é passo fundamental para um campeonato forte e valorizado.

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