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O pequeno hincha de Racing que ganhou o mundo

Na noite de quarta-feira, dia 10 de fevereiro de 2016, jogavam em Avellaneda, pela Copa Libertadores da América, Racing-Arg x Puebla-Mex. O jogo tinha contornos decisivos. O vencedor do duelo classificaria-se para a fase de grupos do maior torneio de clubes da América. O tradicional Racing enfrentava um dos representantes do sempre rico futebol mexicano pelo sonho da conquista da América, que não acontece desde 1967 – por sinal, o primeiro título argentino no torneio continental. “La Acade”, como o clube é chamado carinhosamente por seus torcedores, vive um momento especial de sua história. O clube, liderado por seu capitão e torcedor Diego Milito, voltou a disputar a Copa Libertadores da América no ano passado após 12 anos distante do torneio e conquistou o Campeonato Argentino em 2014 depois de 13 anos. “El Primer Grande”, alcunha criada pelo fato de o Racing ter sido o primeiro clube argentino a ser campeão da Libertadores da América, o primeiro a ser campeão do mundo, o primeiro a ser tricampeão nacional na Argentina e o primeiro e até hoje único a ganhar um heptacampeonato, criou uma geração de torcedores angustiados nestes anos de vacas magras. A angústia pela falta de conquistas, no entanto, não impediu que a paixão incondicional pela instituição fosse desenvolvida por seus “hinchas”.

Na virada do século, o Racing quase fechou. Afundado em dívidas, pediu falência e foi ajudado pelo maior investidor que um clube pode ter: o seu torcedor. Apoiado pela Blanquiceleste S/A, criada para administrar a instituição no momento de crise, o Racing teve em sua torcida a engenharia financeira para financiar a empresa e pagar suas dívidas. O quadro social, a média de público e a venda de cadeiras cativas mais do que dobraram quando o clube lançou campanha para angariar fundos e vencer o caos financeiro. A empreitada foi um sucesso e inspirou uma das mais conhecidas músicas da torcida:

De pendejo te sigo (Desde moleque te sigo)
Junto a racing siempre a todos lados (Junto ao Racing sempre em todos os lugares)
Nos bancamos una quiebra (Nós bancamos uma falência)
El descenso y fuimos alquilados (O descenso e fomos alugados)
No me olvido ese día (Não me esqueço desse dia)
Que una vieja chiflada decía (Que uma velha maluca dizia)
Que racing no existía que tenía que ser liquidado (Que o Racing não existia e que tinha que ser vendido)
Si llenamos nuestra cancha y no jugamos (Sim, enchemos nosso estádio e não jogamos)
Defendimos del remate nuestra sede (Defendemos a nossa sede de um leilão)

O Racing é reconhecido como um dos clubes que possuem uma das mais fanáticas torcidas de futebol. Em “El Cilindro”, pulsa atrás dos gols La Guardia Imperial, a barra com nome mais carismático do mundo: é a mesma nomenclatura do exército que defende o lado Negro da Força, em Star Wars. A torcida é influente na Argentina e na América Latina: foi a principal inspiração para a criação da Geral do Grêmio, a primeira “barra” do país e que mudou o estilo de torcer nos estádios brasileiros. A paixão dos torcedores foi percebida no momento de crise na virada do século e também da maneira mais espontânea e verdadeiro do mundo: no sentimento de uma criança. Logo após o gol de Gustavo Bou, na partida que terminou em 1 x 0 para o Racing e resultou na classificação do clube para a fase de grupos da Libertadores, o estádio El Cilindro explodiu em festa em uma atmosfera que só é vista nos campos sul-americanos. A reação do pequeno torcedor não precisa ser descrita. Basta visualizá-la no vídeo abaixo, popularizado no Brasil através do twitter do jornalista Mauro Cezar Pereira, maior torcedor brasileiro do Racing:

A alegria e a euforia do pequeno torcedor ao comemorar cantando com sua torcida depois do gol mostra que o sentimento e a paixão persistem mesmo nos tempos atuais de futebol-negócio ou modelos de clubes-empresa vigentes mundo afora. Longe da figura de simpatizante e a antítese de “cliente”, termo que os dirigentes atuais adoram utilizar para denominar seus torcedores, o menino sente apenas a paixão e o amor por seu clube aquecer seu sangue quando o estádio canta em uníssono. O verdadeiro sentido do futebol resiste nos campos sul-americanos. O vídeo do pequeno hincha rodou o mundo e é exibido como exemplo de que o futebol é “mais que um jogo”. É verdade. A alegria contagiante do menino se contrapõe aos espectadores de jogos no Santiago Bernabéu, em Madri, e no Camp Nou, em Barcelona. A reação do menino mostra o verdadeiro sentido da existência do futebol: a paixão e o amor por um clube.

 

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