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Esportes

Negociação individual dos direitos de TV continua

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A partir de 2012, quando a negociação de direitos de transmissão foi feita individualmente por cada um dos clubes brasileiros passou a haver uma enorme discrepância entre os valores recebidos pelas equipes brasileiras. Os clubes de maiores torcida, como Corinthians e Flamengo, passaram a receber montantes imensamente maiores que os demais – de 2016 até 2019, os dois clubes receberão quase três vezes mais do que Grêmio, Inter, Cruzeiro e Atlético Mineiro, por exemplo, e quatro vezes mais do que clubes como Coritiba e Atlético Paranaense. A negociação individual é defendida sob o argumento da exposição na TV, esquecendo-se do fato de que não existe um campeonato interessante sem a força de todos os participantes.

Apesar dos anos de críticas ao modelo atual, os contratos individuais persistem no futebol brasileiro. O duelo entre Globo e Turner Sports é o maior exemplo disso.

As negociações envolvendo os direitos televisivos do futebol brasileiro a partir de 2019 seguem aquecendo o mercado nacional. O Grupo Turner, dono do canal Esporte Interativo, bate de frente com a Rede Globo, atual detentora dos direitos, e se consolida como força alternativa à emissora brasileira. O grupo americano lançou uma carta de intenções com um posicionamento oficial a respeito das negociações dos direitos de transmissão nas TVs por assinatura, no qual se compromete a uma divisão igualitária dos valores nos moldes do campeonato inglês, ao pronunciamento de naming rights de estádios, exibição de marcas dos clubes e transmissão de um número mínimo de jogos de cada equipe – justamente as maiores críticas feitas ao sistema atual da Rede Globo.

O maior trunfo da Rede Globo é a sua reconhecida exposição. Os clubes que assinam com a emissora têm a garantia de que suas camisetas serão difundidas nos canais mais assistidos e populares do país. Isso facilita negociações de publicidades na camiseta.

Na última semana a emissora brasileira ganhou um importante aliado: o São Paulo Futebol Clube, que vinha flertando com a Turner Sports. A proposta inicial da Rede Globo era idêntica a feita aos outros clubes que já assinaram com a empresa: um empréstimo instantâneo de 40 milhões de reais a ser pago em longas parcelas, redução dos contratos atuais em 25% e renovação por prazo de três anos. Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Vasco, Botafogo, Vitoria e Sport Recife fecharam acordos assim. O clube paulista endureceu e manteve negociações com a Turner, que lhe enviou proposta de luvas adiantadas de 40 milhões de reais, divisão igualitária do montante investido (560 milhões de reais) e indenização por eventuais “boicotes” da Rede Globo em seus canais de transmissão. Uma proposta superior, portanto.

A Globo, no entanto, reagiu: ofereceu proposta de luvas de R$ 60 milhões ao São Paulo, permitiu comercialização de publicidades estáticas no estádio e alterou suas formas de distribuição do dinheiro: agora, 40% será distribuído igualitariamente, 30% será de acordo com a classificação do clube no último campeonato e 30% será distribuído conforme o número de transmissões. O clube paulista aceitou. A possibilidade de ter 60 milhões de reais disponíveis desde já encantou os dirigentes do São Paulo. Mas e os demais clubes que assinaram com a emissora brasileira? “Essa proposta foi apenas para o São Paulo”, disse o vice-presidente do clube Ataíde Gil Guerreiro.

No jogo de xadrez disputando os direitos televisivos do futebol, a Globo tem levado a melhor. Apenas o Santos anunciou acordo com o Esporte Interativo. A emissora brasileira, por outro lado, já tem acordo com 9 clubes. Vencer o monopólio da Rede Globo no futebol brasileiro não será tarefa fácil para o Grupo Turner, que já surpreendeu o mercado levando a exclusividade da UEFA Champions League. O ponto negativo é que o sistema de negociação individual persiste no futebol brasileiro, 5 anos depois do final do Clube dos 13. É lamentável. O modelo atual fez dos últimos anos os mais vitoriosos da história do Corinthians, enquanto o Flamengo é visto como modelo de gestão por administrar melhor seu dinheiro pagando dívidas antigas. Recebendo mais dinheiro que os outros tudo se torna mais fácil. A negociação do São Paulo, que indica uma mudança de distribuição de valores, é um alento aos demais clubes. O inusitado é constatar que tudo isso só foi possível pela concorrência de mercado, e não pela união dos clubes: não fosse a entrada da Turner Sports, nada disso seria possível.

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