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Mundo, Política

Oskar Lafontaine: “O socialismo é um cristianismo secularizado”

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“A mensagem do cristianismo tem muitas semelhanças com os princípios do socialismo. O cristianismo fala de caridade, enquanto o socialismo fala de solidariedade”. São as palavras germanicamente diretas de Oscar Lafontaine, uma das figuras mais importantes da esquerda alemã e líder do partido Die Linke (“A Esquerda”, em alemão). Palavras que apontam para uma conclusão: “O socialismo é um cristianismo secularizado”.

Tenhamos em mente que “socialismo”, para Lafontaine, não é a versão amigável defendida pela maioria dos social-democratas e socialistas europeus de hoje. Seu partido, fruto da reunião de dissidentes do velho Partido Social-Democrata e ex-comunistas da Alemanha Oriental, não quer apenas “reformar” o atual sistema econômico: quer superá-lo. “Nós, do Die Linke”, diz ele, “queremos derrubar o capitalismo”. São socialistas alemães de verdade.

A relação do socialismo alemão, e do socialismo europeu em geral, com a mensagem cristã oscila entre o rechaço mútuo e tentativas de diálogo mais ou menos bem sucedidas. Se por um lado temos as críticas Marx no “Manifesto Comunista” ao que chama de “socialismo cristão”, para ele inerentemente reacionário, por outro temos o ponto de vista comparativamente mais simpático de Rosa Luxemburgo, para quem os apóstolos cristãos eram ardentes comunistas (como ela). É uma situação diferente da que temos na América Latina, onde a Teologia da Libertação abriu um caminho de colaboração e entendimento com os partidos de esquerda.

Nascido no Saarland, região do sul da Alemanha que esteve por muito tempo em litígio com a França, Lafontaine vem de uma família católica de classe operária. “Fui muito influenciado pelo ensino social católico. Afastei-me porque vi a Igreja aliar-se aos poderosos”. Quem mudou isso, disse ele, foi o papa Francisco, a quem denomina de “o maior líder de nosso tempo”. O Sumo pontífice é frequentemente citado em seus discursos e entrevistas, ao lado de Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e, claro, Karl Marx.

“O programa do nosso partido”, assegura ele, “é muito próximo do da Doutrina Social da Igreja”.E vai além: “Somos o único partido da Alemanha que pode concordar com o papa quando ele diz: acabem com esse sistema econômico!”.

São palavras de um homem de fé. Mas a religião não era o “ópio do povo”, nas palavras do seu tão admirado Marx? “É o que está nas ‘Teses sobre Feuerbach'”, responde ele. “A religião hoje cumpre um papel diferente. Hoje, a questão é: quem será o responsável por guardar os valores de uma sociedade? O supermercado não pode tomar o lugar das catedrais”. 

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