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Literatura, Livros

“Das Booty”, de Simon Pringle

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A biografia do poeta Bruno Tolentino é, ainda hoje, um mistério para muita gente. Desde o seu retorno ao Brasil, em 1995, muito se especulou sobre as razões que o fizeram abandonar o país, nos anos 60, e quais atividades desempenhou na Europa. Apesar de reclamar da recorrência do tópico, ele próprio não parecia surpreso com o fenômeno: segundo ele mesmo, sua biografia era “interessante, meio cinematográfica”.  E completava: “Eu sou meio apalhaçado mesmo”.

Muitos devem ter se perguntado o que ele quis dizer com aquilo. E a resposta – ou parte dela – parece estar nas páginas de “Das Booty”, do inglês Simon Pringle . Definida por seu autor como uma “recriação imaginativa de fatos reais”, a narrativa centra-se no mirabolante plano de um grupo de sujeitos de Londres a fim de levar uma carga de drogas do Marrocos para a Grã-Bretanha; entre eles estão Bruno – chamado de “Lúcio” no romance, em referência ao seu segundo nome – e o próprio Pringle, que então mantinha um relacionamento com o brasileiro. A ideia era alugar um barco, navegar até o Marrocos comprar haxixe e vender na Inglaterra, onde moravam. O que parecia um plano ousado revelou-se apenas uma aventura de um bando de patetas inexperientes e quase levou ao afundamento do navio. A trama, que bem merece os adjetivos de cinematográfica, diverte e prende o leitor – e, mesmo com as recriações imaginativas de que fala Pringle, dá a conhecer algo daquele período da vida deste grande poeta brasileiro.

*           *            *              *

Obra: Das Booty

Autor: Simon Pringle

Editora: É Realizações

Preço: R$ 49,90

Onde encontrar: http://www.erealizacoes.com.br

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“Lúcio tinha o estranho dom de ler seus leitores. Isso queria dizer que à primeira vista ele conseguia intuir o que uma pessoa poderia desejar dele e, igualmente, qual uso ele próprio poderia fazer dela. Era um dom mágico, quase metafísico, essa capacidade de enxergar “os ossos atrás dos ossso”, como ele dizia. Você pode chamá-lo do que quiser: médium, vigarista, psicopata catalítico, mentalista, gênio, ele conseguia manejar qualquer pessoa segundo sua vontade, tamanha era sua força. Um Orfeu das profundezas sempre contra a parede e nunca olhando para trás. Um flautista que tinha conduzido muitos ratos de renome em estratagemas folgazões , muitas vezes sem que estes percebessem. Tudo isto reunido num pacote de bronze juvenil, graça e charme que tinha uma semelhança impressionante com Rimbaud, sem os piolhos mas com todo o veneno e o mesmo talento. Exu,Eleguá. Você o amava ou odiava, mas o mais comum era amar e odiar, e subestimava-o por sua conta e risco.”

 

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