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“Uma pipa de breve sentimento”, de Paulo Ritter

Sem título

 

Conheci Paulo Ritter em fins de 2009. Era uma tarde quente de verão metropolitano e eu havia sido designado para entrevistá-lo em seu gabinete no Conjunto Comercial, onde ele comandava a secretaria de Educação de Canoas. Fui anunciado pela secretária e entrei, munido de algumas perguntas prontas e o indispensável bloco de anotações. O ar condicionado, felizmente, estava ligado. Ritter me recebeu atrás de sua mesa, recém-finalizando uma ligação telefônica e arrumando papéis. Enquanto me cumprimentava, dava orientações à secretária, pedindo que fizesse algumas ligações importantes, confirmasse um ou outro ponto e nos trouxesse um café. Não parava um minuto. Pensei: com um interlocutor tão ocupado, essa entrevista será curtíssima..

O instante seguinte já provaria que eu estava errado. Com o café servido e o convidado devidamente acomodado, Paulo Ritter falou que conhecia minha família  – pais, tios e avós – havia muito tempo, desde quando frequentavam, nos anos 70, um armazém localizado no Bairro Mathias Velho comandado por um senhor de origem alemã muito sério, conservador e trabalhador, que levantava antes do sol nascer e tinha preocupações quanto às preferências políticas dos filhos naqueles duros tempos. Este senhor era seu pai.

A entrevista começou, e vieram outras lembranças: da vivência na Canoas em que cresceu e fez carreira política, dos seus lugares, personagens e memórias.

No fim, o bloco de anotações nem foi necessário. A entrevista planejada transformou-se numa produtiva e interessante conversa. E longa: fiquei ali por ali mais de duas horas, aproveitando o café e o ar condicionado do secretário.

Lembro deste momento particular depois de terminar a leitura de “Uma pipa de breve sentimento”, livro que Paulo Ritter lançou há poucos dias. São trinta e um capítulos de crônicas, artigos e poemas elaborados, sobretudo, a partir da memória do autor – memória de cidadão, de político, de ex-aluno lassalista, de morador de bairro, de sociólogo. Memória individual e social. As reflexões que Ritter propõe ultrapassam fronteiras e dizem respeito ao humano. Mas o canoense – em especial o canoense que mora há muito tempo na cidade – saberá reconhecer os lugares, as sensações, as imagens, os sons e as lembranças contidas nestas páginas como inequivocamente suas.

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