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Política

A que ponto chegamos, EUA!

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“Aqueles ali já foram grandes, hein?”

A Rússia tem a 12ª. economia do mundo. Seu PIB, medido em dólares, é inferior ao do estado norte-americano da Califórnia. Seu PIB per capita, também medido em dólares é nada menos do que seis vezes inferior ao dos EUA; é também inferior ao de vários países latinoamericanos e praticamente empata com o do México. Seus gastos militares são quase dez vezes menores que os dos americanos. O país tem problemas de criminalidade em níveis sul-americanos, a corrupção é de dar inveja aos brasileiros e a expectativa de vida dos homens russos – 62 anos – os coloca abaixo dos maranhenses e piauienses, aqueles que, em média, vivem menos entre nós.  Ou,  nas palavras mais duras da ativista ucraniana Nadiya Savchenko, trata-se de “um país de Terceiro Mundo com um regime totalitário e um tiranete como ditador”.

É bem verdade que Savchenko tem todos os motivos para não gostar dos russos. Mas não é por isso que deixará de ter razão por isso. Ou, ao menos, alguma razão.

Pois bem. Este é o país sobre o qual os americanos estão,  neste momento, a lançar uma suspeita importante: a de estar interferindo nas eleições locais de modo a eleger Donald Trump. E quem lança esta surpresa? Ninguém menos do que o sr. Barack Hussein Obama, presidente dos Estados Unidos da América. Segundo ele, há razões para crer que as recentes descobertas de e-mails internos do Partido Democrata, onde há a ordem favorecer Hillary Clinton em detrimento de Bernie Sanders nas primárias, foram obra do serviço de inteligência russo.

Diante disso, qual a reação de Trump? Foi esta: “Rússia, se você está me escutando, digo que espero que vocês encontre os 30.000 emails (de Hillary) que estão fazendo. Acho que vocês serão recompensados pela nossa imprensa”. Trump não apenas aplaudiu os russos como espera que eles continuem com bom serviço.

A imprensa norte-americana está em polvorosa. Seria desnecessário pinçar os exemplos. Ficamos com apenas uma frase de um colunista da prestigiada revista Salon:  “é hora de parar de rir: os comentários de Trump sobre os hackers russos deixam claro que ele é uma ameaça existencial à nossa democracia”. Palavras que ficariam bem num jornal do PCO, não numa revista de grande circulação. O medo é real. A Rússia está mesmo jogando alto dentro dos EUA e Donald Trump é o seu agente.

Qualquer americano bem informado sabe que os EUA têm inimigos em todos os cantos do mundo. A questão é que, agora, a inconstante, a complicada, a volta e meia alquebrada Rússia não é apenas um dos muitos adversários dos EUA; não é apenas um país com razões – fundadas ou não – para detestar os americanos; ela não é o Irã, a Coreia do Norte ou Cuba; ela é  é, pura e simplesmente, aquilo que os EUA são acusados de ser em relação ao resto do mundo: a megapotência malvada que atrapalha os negócios internos alheios.

O discurso de que os russos – ou soviéticos, o que, na prática, era quase a mesma coisa – estavam interferindo no processo político dos países do Ocidente era relativamente comum nos tempos da Guerra Fria. Na época, não deixava de ser uma verdade ao menos parcial: os partidos comunistas espalhados pelo mundo funcionavam como seções internacionais do Partido Comunista da União Soviética, a cujas ordens seguiam com a disciplina de um oficial do Exército Vermelho. O resultado foi o banimento, ao menos temporário, de muitos deles, como foi o caso do PCB de Prestes durante o governo Dutra. E a URSS podia bancar isso: tinha um PIB capaz de rivalizar com o americano, gastos militares equivalentes e um exército superior. Era um rival de verdade.

No entanto, jamais ocorreu, nem mesmo naquela época, a um candidato à presidência dos EUA acusar a URSS de interferir nas eleições de seu país. Era algo além da imaginação. Denunciar a influência soviética no partido ou no candidato A ou B era coisa de generaleco latinoamericano, desesperado para criar clima para golpes militares. Americanos de verdade apenas trabalhavam para evitar que o impensável ocorresse, com a certeza de que os bons e velhos valores de seu país fariam o resto.

Já não é assim. A que ponto chegou a maior potência do planeta: sente-se marionete de um país que, segundo outra revista de grande circulação, estava à beira do abismo há uma década.  Um mero paisinho de terceiro mundo com um tiranete no poder.  Ninguém vai aguentar esse apequenamento por muito tempo.

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